O que é preciso saber sobre o consumo de maconha em alimentos

Intoxicação de crianças e absorção mais lenta são destacadas por especialista entre os riscos dessa via de consumo

     

    Desde a legalização do uso recreativo da maconha em determinados estados  nos EUA - como no Colorado, em 2014 - o consumo da Cannabis em alimentos passou a preocupar autoridades legais e especialistas no país.

    A ingestão não intencional da substância por crianças, por exemplo, sob a forma de doces atrativos, é uma das principais razões para essa preocupação.

    A comercialização do THC (substância ativa da maconha) em alimentos, normalmente doces e bolos, é feita de maneira certificada, nos países onde o consumo é legal, com a dosagem e as informações nos rótulos regulamentadas por leis locais. Nos países onde a droga é proibida, como o Brasil, o consumo de maconha em alimentos também acontece, mas não passa por certificação ou controle.   

    Crianças, adolescentes e dosagem

    A intoxicação de crianças e a iniciação precoce de adolescentes no uso da substância são algumas das preocupações ligadas à saúde pública com relação a essa modalidade de consumo citadas pela cientista Margie Skeer em um artigo do site The Conversation. Veja abaixo algumas informações chave sobre a ingestão da substância:

    • A intoxicação de crianças por ingestão acidental no Colorado aumentou 34% de 2009 a 2015, segundo informações de um centro hospitalar local. É difícil discernir, especialmente no caso das crianças, a comida “normal” da que contém maconha
    • O estômago absorve o THC mais lentamente do que os pulmões. Após a ingestão, uma pessoa pode levar de meia a uma hora para sentir os efeitos - ou até mais, dependendo da quantidade de alimento que precisa ser digerida para que a substância seja absorvida no estômago. É comum que se coma mais por não sentir imediatamente o efeito e o aumento da dosagem pode fazer mal
    • O consumo da substância em alimentos diminui a percepção de risco das pessoas. Skeer, que pesquisa a prevenção da iniciação de adolescentes no uso e seus impactos cognitivos, se preocupa especialmente com eles nesse caso. Para ela, um adolescente que nunca usou a droga tem maior probabilidade de experimentá-la comendo do que fumando, pois o estigma é menor e o risco também parece ser. Ela também cita que, para menores de idade, comer em vez de fumar pode ser mais atrativo porque facilita encobrir o uso, o que pode aumentar a frequência do consumo pelo adolescente.

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