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O que querem os movimentos feministas que ocuparam as ruas do Brasil

Em entrevista ao ‘Nexo’, 7 integrantes de coletivos e entidades explicam suas demandas e iniciativas contra a desigualdade de gênero

     

    Neste 8 de março, movimentos como o “Ni Una Menos” na América Latina e a Marcha das Mulheres nos EUA convocam uma greve geral de mulheres. Ao todo, movimentos de mais de 30 países também aderiram ao chamado de greve geral. No Brasil, coletivos marcharam pelas ruas para reivindicar direitos.

    Ao longo da história, as demandas dos movimentos das mulheres mudaram de foco conforme os direitos foram sendo alcançados. Em 1893, a Nova Zelândia foi o primeiro país a reconhecer o direito ao voto às mulheres. No Brasil, isso aconteceu apenas em 1932.

    A mudança política e social vem acontecendo com um histórico de manifestações. Em 8 de março de 2017, além do contexto internacional, as demandas dos coletivos feministas no Brasil são variadas, incluindo temas que vão desde a equidade salarial até o fim da violência contra as mulheres. Muitos dos coletivos protestam contra o governo federal e suas reformas, especialmente a da Previdência.

    Para entender a atual agenda dos movimentos, o Nexo conversou com sete integrantes de coletivos e entidades feministas no Brasil. São elas:

    • , parte da equipe de coordenação da Católicas pelo Direito de Decidir.

    • , presidente do Secretariado Nacional da Mulher do PSDB

    • , integrante do Coletivo Nacional do Juntas!

    • , que foi parte do Núcleo Impulsor de SP da Marcha das Mulheres Negras

    • , Secretária Estadual de Mulheres do PT de São Paulo

    • , integrante do coletivo Rosas pela Democracia e uma das organizadoras da Parada Brasileira de Mulheres no Distrito Federal

    • , integrante da Marcha Mundial das Mulheres

    Qual é o foco do movimento de vocês hoje?

    Rosângela Talib, Católicas pelo Direito de Decidir Trabalhamos em prol dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e a implementação de políticas públicas desses direitos. E pensamos em direitos sexuais e reprodutivos em contraponto com as proposições que a Igreja Católica coloca. Essa ainda continua sendo a nossa meta e nosso objetivo central. Trabalhamos não só com a questão da descriminalização do aborto, mas também com a violência contra as mulheres e a garantia dos direitos da comunidade LGBT, por exemplo. Reconhecemos que todos esses são direitos humanos. Não existimos para dialogar com a Igreja, mas pra dialogar com a comunidade. Nosso objetivo é mostrar que existe a possibilidade de ser católica e divergir de uma posição extremamente conservadora em relação à sexualidade e à reprodução.

    Solange Bentes Jurema, PSDB O principal compromisso do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB é avançar nas conquistas de lutas pelas causas das mulheres dentro da política e por todas as brasileiras, tais como uma maior ocupação dos espaços de poder em todas as instâncias, seja pública ou partidária, o combate à violência contra a mulher e a conquista da igualdade salarial e de gênero.

    Giovanna Henrique Marcelino, Juntas Após a Primavera Feminista que eclodiu no Brasil em 2015, e mais recentemente, depois dos levantes que tomaram a América Latina pelo “Ni Una a Menos” e a Marcha de Mulheres nos Estados Unidos contra Trump, entendemos que vivemos um novo momento do feminismo, e que este tem ganhado força e audiência especialmente entre uma nova geração de ativistas que se mobilizam nas ruas e também nas redes sociais. Acreditamos que vivemos, nos últimos anos, um momento econômico e político complexo, em que a tentativa das mulheres de ocupar os espaços da política tem sido mais essencial para os rumos do país. Especialmente neste ano, em que nos deparamos todos os dias nos jornais com o anúncio de ajustes e cortes nos orçamentos, que colocam em xeque direitos imprescindíveis para a população. Para nós, essa é uma realidade que atinge diretamente a vida das mulheres — que são cada vez mais chefes de família e ocupam postos e condições de trabalho menos valorizados. A reforma da Previdência, anunciada pelo governo Temer, é um grande exemplo disso. Por isso, nosso coletivo é um espaço para discussão e planejamento de ações concretas para darmos uma resposta a essa realidade.

    Luka Franca, MMN As pautas do movimento de mulheres negras neste momento continuam a ser a luta por mais representatividade, e de conseguirmos pensar as questões relativas a gênero de forma conjunta à questão racial e de classe. Com isso, seguimos o debate sobre representatividade e ocupação de espaços, mas também a necessária denúncia do genocídio da juventude negra que nos afeta direta e indiretamente todos os dias. O racismo e o machismo no Brasil matam todos os dias e isso é visível quando vemos os dados sobre violência, já que os jovens negros são os que mais morrem no país e as mulheres negras são as que mais morrem em decorrência do feminicídio. É cada vez mais necessário e imperativo pensarmos os rumos do movimento feminista e político do país pensando nessas questões que há décadas estão marginalizadas. 

    Marta Regina Domingues, PT A história do PT, que está completando 37 anos, também é a história da decisiva participação das mulheres na construção do projeto petista para a superação das desigualdades e da opressão vivida pela maioria da população, em especial pelas mulheres a partir de relações sociais de classe, gênero, raça/etnia, e baseadas na heterossexualidade como norma obrigatória. O combate a todas as formas de opressão, discriminação e violência contra a mulher, a luta pela igualdade de direitos nos âmbitos privado e público, pela construção de autonomia das mulheres em todos os campos e pelo direito da mulher ao próprio corpo e aos direitos sexuais e reprodutivos, e o empoderamento político das mulheres são marcas do feminismo que constrói cotidianamente o PT e uma nova sociedade. A crescente misoginia, a violência contra as mulheres, o despudorado discurso público de segmentos machistas, reacionários e de direita e a epidemia de feminicídio que nos assola são exemplos do ambiente que se formou. Por tudo isso, nosso foco de atuação é em defesa da democracia, contra o golpe e o governo ilegítimo de Temer, e a luta pelos direitos das mulheres, tão ameaçados hoje com propostas como a reforma da Previdência e a reforma trabalhista, em que as mais atingidas e penalizadas serão, sem dúvida, as mulheres e os direitos que conquistamos nas últimas décadas.

    Tatiana Magalhães, Parada Brasileira de Mulheres  A vida das mulheres. Assim, lutamos contra o feminicídio, contra o racismo, contra a LGBTfobia, contra a cultura do estupro e todas as formas de violência física, psicológica e social contra a mulher. Temos destaque também na luta contra o golpe no Brasil que ataca direitos históricos das mulheres como aposentadoria, que não leva em consideração as jornadas duplas e triplas das mulheres. A não aprovação da PEC 287 [da Previdência] é o nosso foco no âmbito das políticas reformistas nacionais pois entendemos que ela será perversa, sobretudo para as mulheres, em especial as do campo, negras e com deficiência.

    Carla Vitória, MMM Este ano o nosso foco é a luta contra a reforma da Previdência, que está sendo uma grande investida do governo golpista para reformar a Previdência, aumentar o tempo de contribuição e igualar a idade de homens e mulheres. Além de diversas outras medidas que atingem a vida de muitas outras mulheres, como o fim da aposentadoria para pessoas que moram em áreas rurais. A gente entende que essa medidas atingem diretamente a vida das mulheres que passam por uma jornada intensa de trabalho. Esse é o nosso foco para este 8 de março. Temos as pautas que são históricas em todo 8 de março: o fim da violência sexista e a legalização do aborto. A gente lembra todos os anos como a nossa sociedade patriarcal convive com uma política de controle do corpo e da sexualidade das mulheres. Mundialmente, a gente está vendo uma crise do sistema capitalista, cada vez mais a precarização da vida das pessoas, aumento da militarização, aumento das perseguições e violências e principalmente o aumento da misoginia e da violência sexista. As mulheres estão, assim, se organizando internacionalmente como uma forma de resistência ao avanço do neoliberalismo.

    Como vocês esperam alcançar seu objetivo?

    Rosângela Talib, Católicas pelo Direito de Decidir Trabalhando muito. Acompanhamos os projetos de lei que tramitam no Congresso e fazemos campanhas de maneira a mostrar que é possível pensar de forma divergente e lutar por conquistas e avanços, não retrocessos. Fazemos isso a partir do Facebook e Twitter. Publicando não só livros e cartilhas, mas mostrando um posicionamento divergente ao fundamentalismo e conservadorismo que considera até o gênero como ideologia. Nos posicionamos frente a essas temáticas para que as pessoas reflitam sobre essas questões.

    Solange Bentes Jurema, PSDB Nosso objetivo é conquistado por meio de mais “ocupação” de mulheres nos espaços de poder e decisão, de onde podem legislar pelas causas femininas — isso é alcançado com nossos cursos de formação e capacitação política realizados em todo o Brasil a cada ano, garantindo mais mulheres politicamente preparadas para esses espaços.

    Giovanna Henrique Marcelino, Juntas Nós apostamos muito na auto-organização das mulheres e em diferentes métodos de mobilização. Fazemos reuniões, oficinas, atividades públicas, formação política, saraus, para que as mulheres encontrem um espaço permanente de atuação, no qual se sintam à vontade para compartilhar impressões, situações, propostas, e, sobretudo, se engajarem na luta coletiva. O próprio nome do nosso movimento foi escolhido com esse intuito, pois acreditamos que juntas somos mais fortes, e que saídas individuais não resolvem plenamente nossos problemas. Além disso, somos entusiastas das mobilizações de rua. Para nós, esse é um momento primordial, por meio do qual podemos parar as cidades e fazer nossas vozes e reivindicações serem ouvidas.

    Luka Franca, MMN  A organização e articulação de mulheres negras é uma das ferramentas mais fundamentais para potencializar uma série de iniciativas que vêm acontecendo no país e desde 2015 tiveram fôlego renovado pela primeira Marcha de Mulheres Negras, em Brasília. Em São Paulo, isso resultou em articulação e organização de atos protagonizados por mulheres negras durante o ano de 2016, mas também em espaços de formação e debate político para conseguirmos construir um processo de real unidade no movimento para além de datas de calendário. É um processo de aquilombamento, com muita diversidade e que em conjunto nos ajuda a seguir na disputa da sociedade contra o racismo, machismo e o sistema capitalista.

    Marta Regina Domingues, PT Com muita organização e mobilização, junto com as mulheres petistas, nossas vereadoras/es, deputadas/os estaduais e federais em todo o Estado de São Paulo, e por meio das relações históricas que cultivamos com as mulheres de movimentos sociais, sindicais e partidos do campo democrático e popular. Um povo calado é um povo sujeito a mais exploração e desrespeito. Nós, mulheres, não seremos intimidadas pela violência e truculência das forças políticas, econômicas, religiosas e reacionárias que querem nos calar. Atos de denúncia e debates para esclarecer os riscos que a ausência da democracia nos traz e a perda de direitos das mulheres em todas as áreas, com a onda conservadora que trouxe governos de perfil antidemocrático aos municípios em consonância com o atual governo do Estado [de São Paulo, governado pelo PSDB].

    Tatiana Magalhães, Parada Brasileira de Mulheres Nos fazendo presentes nas discussões da sociedade, nas cidades, no campo, conversando com mulheres sobre a pauta feminista e a pauta reformista. Ocupando espaços políticos, audiências públicas, atos e apresentando propostas nas casas do Congresso.

    Carla Vitória, MMM A gente acha que só nas ruas nós vamos conseguir barrar essas medidas. Só assim vamos conseguir barrar todas as medidas desse governo golpista, que tira do povo e dá para as empresas, cortando direitos sociais.

    Quais são os principais obstáculos?

    Rosângela Talib, Católicas pelo Direito de Decidir Acredito que o principal obstáculo é esse crescimento de uma visão extremamente fundamentalista e conservadora da realidade. Vemos um acirramento de uma pauta muito conservadora, como a ideologia de gênero e a escola sem partido, por exemplo. E, também, a visão de que família é aquela heterossexual e constituída por um pai, uma mãe e seus filhos, e que não considera a pluralidade de modelos que temos atualmente. Apoiar esse modelo tradicional é ir contra a corrente e a evolução da humanidade. Não podemos retroceder. Acredito que essas pautas extremamente conservadoras que tentam transformar a questão da sexualidade como um único objetivo à reprodução é irreal. A revolução sexual começou lá com o início da utilização da pílula anticoncepcional, e não dá mais para se pensar em uma família estruturada só assim, monogâmica, por exemplo. Isso não é mais uma só realidade. Essa pauta está na rua. E é contra essa [pauta] que a gente tem que se contrapor.

    Solange Bentes Jurema, PSDB O machismo ainda é o principal obstáculo para os avanços da mulher pela igualdade de direitos, e o nosso maior desafio é garantir na prática e no cotidiano o que a gente conseguiu dentro da legislação. No dia a dia, a mulher ainda sofre muita discriminação. É preciso garantir mais colaboração dos homens e garantir mais representação das mulheres nos espaços de poder. Isso faz muita diferença na priorização de algumas políticas. A questão da educação, da creche e das escolas em tempo integral é discurso de todo político, mas nunca foi prioridade nacional de fato.

    Giovanna Henrique Marcelino, Juntas Nos organizamos porque existem ainda muitos desafios e obstáculos a serem superados por nós. O Brasil é um dos campeões em violência contra a mulher e em mortes por abortos clandestinos. Milhares de mulheres são afetadas pela desigualdade salarial entre homens e mulheres, pela dupla/tripla jornada de trabalho. A discussão de gênero nas escolas — uma medida essencial para podermos combater o machismo pela raiz — ainda não se efetivou. E, atualmente, essas demandas têm sido vistas com descaso pelos governos. O que tem sido feito, no lugar da criação de políticas públicas, por exemplo, é a negociação desses direitos para pagar a crise que vivemos. Outro obstáculo é a própria forma como a sociedade a todo momento tenta propagar a ideia de que a organização coletiva e política não funciona.

    Luka Franca, MMN São questões históricas, primeiro porque não é de hoje que o movimento de mulheres negras é visto como divisionista. Primeiro, por pautar a questão racial junto ao movimento feminista que, em geral, tem em sua formulação uma concepção do que é ser mulher e que não leva em conta as questões de raça e etnia. Segundo, por pautar junto ao movimento negro os debates de gênero e também serem tachadas como divisionistas quando pautam questões relacionadas à violência machista e à divisão existente por conta do machismo. Para mim, essas questões são obstáculos grandes para se avançar em uma luta de emancipação das mulheres e da negritude de forma realmente universalizada.

    Marta Regina Domingues, PT Um dos principais obstáculos é o papel da grande mídia que está atuando para aprofundar o golpe dado na democracia com a deposição da presidenta Dilma Rousseff. Na verdade, a grande mídia e os meios de comunicação de massa atualmente estão representando os interesses das elites e tentando dar um ar de democracia e avanço, principalmente na economia, para um governo que é ilegítimo e que na realidade está aprofundando a crise econômica brasileira. Além disso, esse governo golpista também atua para desconhecer a situação de opressão e de maior vulnerabilidade da mulher no mercado de trabalho com a crise econômica. Ou seja, esse governo tem um viés reacionário e machista que não permite a criação de políticas afirmativas, já que representa as elites. Por isso que nós somos contra esse governo e vamos gritar sempre mais “Fora, Temer”.

    Tatiana Magalhães, Parada Brasileira de Mulheres O crescimento da direita fundamentalista no Brasil e no mundo e o Congresso ultrarreacionário brasileiro.

    Carla Vitória, MMM O governo golpista do Michel Temer está gastando milhões em propaganda para tentar convencer as pessoas de que essa reforma [da Previdência] seria benéfica para a vida delas. Então ele está gastando milhões para mentir para as pessoas. Inclusive, fazendo uma propaganda extremamente violenta e que está aparecendo na TV e no metrô: que se a reforma não passar será o fim dos programas sociais, o fim do Bolsa Família, do Fies, o que não é verdade. O que a gente vê que falta mesmo é a mudança de política desse governo, que precisa ser combatida, ou vai só continuar afetando a vida das pessoas, inclusive das mulheres.

    O que vocês fazem para dialogar com um público mais amplo, aquele que não demonstra interesse pelo tema ou que o repele?

    Rosângela Talib, Católicas pelo Direito de Decidir O que temos feito é dialogar muito nas redes sociais. Como a gente não atende o público, é muito mais algo de difusão de ideias, de dialogar nas redes sociais e colocar o nosso posicionamento sobre essas questões. Também levamos para os seminários, fóruns e discussões nas oficinas e no meio católico, já que muitas pessoas nos acompanham. Recebemos várias mensagens: “Ah, que bom que vocês existem”. Eu vi até uma menina que disse: “Eu vou voltar a ser católica, porque eu tinha me afastado da Igreja e seu posicionamento muito conservador”. Aos poucos, vamos abrindo brechas mostrando que é possível ser católica e divergir desse posicionamento. E as pessoas acabam se identificando com isso e se sentindo acolhidas por essa outra visão.

    Solange Bentes Jurema, PSDB Buscamos a mudança na cultura que começa na escola e dentro da família. É preciso dentro de casa tratar de maneira igual meninos e meninas e dar oportunidades iguais a eles. Isso é fundamental. Mas é preciso adotar com mais rigidez essa questão da igualdade de gênero e falar sobre a questão das oportunidades. É preciso conscientizar as novas gerações sobre a violência contra a mulher, que os homens não têm o poder e nem o direito ao corpo da mulher e ensinar que a mulher não é uma propriedade. São pequenas coisas que, se trabalhadas na escola, podem mudar a mentalidade da nova geração.

    Giovanna Henrique Marcelino, Juntas Tentamos sempre usar uma linguagem acessível, não estigmatizada ou ortodoxa. Usamos recursos didáticos, que contenham conteúdos que se relacionem diretamente com a vida concreta das pessoas — como o assédio no transporte público e a violência que acontece dentro de casa. Sabemos que o feminismo ainda é um tabu grande para parte da população. Apesar de acreditarmos que a Primavera Feminista mudou consideravelmente essa situação, pois a palavra feminismo tem sido cada vez mais reivindicada em letras de música, filmes e livros por mulheres em diferentes espaços da sociedade, de uma forma que há tempo não víamos. Sabemos que ainda temos muito no que avançar.

    Luka Franca, MMN Temos tido uma movimentação em criar espaços para o debate político com temas diversos. No último final de semana, por exemplo, fizemos um esquenta para as movimentações do 8 de março que questionava o que as mulheres negras tinham a ver com todo esse processo que temos visto de escalada do feminicídio, reforma da Previdência e a luta contra o golpe. Pensar como desenvolver as narrativas dos temas mais gerais da sociedade e que têm direta interferência nas nossas vidas e nas vidas daqueles que dependem de nós. Além disso, a gente fomenta esse processo de rede, onde diversos coletivos e organizações acabam por articular atividades nas quebradas para o fortalecimento e descentralização real do debate sobre machismo e racismo.

    Marta Regina Domingues, PT “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, assim como não se nasce feminista, de esquerda, de direita ou de perfil conservador ou reacionário. A sociedade e a cultura que nos dá identidade é fruto de pequenos e grandes gestos, é fruto da possibilidade, sempre presente, de trazer as contradições à luz e fazer refletir. A melhor forma de tocar os segmentos que não se interessam ou repelem a nossa luta é o diálogo, a firmeza de nossas convicções e a realidade escancarada de como a sociedade patriarcal, o machismo e a misoginia deterioram as relações humanas e comprometem o futuro das novas gerações. As formas de diálogo atuais são amplas e diferenciadas, mais difusas, em rede e horizontais. E todas as formas de comunicação são válidas e úteis.

    Tatiana Magalhães, Parada Brasileira de Mulheres Elaboramos diversos instrumentos de diálogo como maneiras de abordar os temas por que lutamos. Sobre a paralisação do 8 de março, panfletamos para a população de maneira geral, explicando por que devemos parar e quais as implicações dos projetos postos para nós mulheres. Estamos também em conversas em feiras, aulas públicas e audiências públicas.

    Carla Vitória, MMM A gente está em marcha todos os dias. O 8 de março é um dia que marca o Dia Internacional de Luta das Mulheres, mas nossa luta é cotidiana. Fazemos uma série de ações coletivas, como manifestações, panfletos, vídeos, conversamos com as pessoas. E um movimento social também tem que fazer isso, conquistar o coração das pessoas. A mídia tradicional faz uma campanha em favor dos interesses das grandes empresas e nós, os movimentos sociais, estamos remando contra a maré.

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