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Este site disponibiliza gratuitamente mais de 2.000 folhetos de cordel

Acervo inclui obras de 21 poetas. Para a pesquisadora que liderou o projeto, o cordel deveria ser tombado pela Unesco como patrimônio da humanidade

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    Quem nunca segurou um folheto de cordel nas mãos poderá ter os primeiros contatos com o gênero por meio de um grande acervo on-line da Casa de Rui Barbosa — fundação cultural com sede no Rio de Janeiro e ligada ao Ministério da Cultura. Desde dezembro de 2016 ela disponibiliza 2.340 folhetos de 21 poetas.

    Os textos foram digitalizados — em alguns casos, também restaurados — em suas versões originais ou edições posteriores com alguma alteração. O acesso ao acervo físico só é permitido a pesquisadores, sendo necessária autorização da fundação.

    9.000

    é o número aproximado de folhetos de cordel em mãos da Casa de Rui Barbosa

    No site constam apenas os folhetos que foram autorizados pelos autores (ou seus herdeiros) ou os que estão em domínio público.

    “Atribuo a esse trabalho um valor inestimável para preservação do patrimônio, tanto que pretendo encaminhar uma proposta para a Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] para que o cordel seja tombado como patrimônio da humanidade”, disse Ivone da Silva Ramos Maya, pesquisadora responsável pelo projeto.

    O trabalho de pesquisa e disponibilização on-line inicialmente se restringia à obra do poeta paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), tido como um dos mestres do cordel. Ele dá nome à cadeira número 1 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, fundada em 1988.

    “O imposto disse a fome:

    — Collega, vamos andar,Vamos ver pobre gemerE o rico se queixar?A tarde está suculentaO governo nos sustentaNós podemos passeiar.

    Disse a fome—eu estou tão tristeQue nem sei o que lhe digaEste novo presidenteVôtes, credo, eu dou-lhe figa,Este Hermes da FonsecaJurou acabar com a seccaVae tudo encher a barriga”

    Leandro Gomes de Barros

    Duas primeiras estrofes de “O imposto e a fome”, de 1909, com a grafia original

    A Casa de Rui Barbosa considerou um sucesso a digitalização, então o projeto foi expandido com obras de outros 20 poetas.

    O trabalho divide os cordelistas em dois grupos: os pioneiros (nascidos na segunda metade do século 19 e que começaram no cordel no início da produção em série de folhetos) e os da segunda geração (que nasceram no início do século 20 e entraram para o cordel quando esse mercado já estava estabelecido e a maior parte dos pioneiros já havia morrido).

    Entre as duas gerações, diz a Casa de Rui Barbosa, houve mudanças como novas ilustrações nas capas; expansão das temáticas dos poemas; diminuição do número de páginas dos folhetos, por conta do barateamento e popularização do cordel; e extinção do estilo de folhetim, em que se mantinha uma mesma história por mais de uma edição.

    Além dos poemas, o site também reúne trabalhos como teses e artigos sobre a literatura de cordel.

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