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Por que os cartuchos dos jogos de videogame têm gosto

Empresa de games colocou sabor ‘horrível’ em seus cartuchos. E adultos estão fazendo degustações na internet para avaliá-lo

    Há algumas semanas, críticos de videogames de sites especializados, além de testarem novos lançamentos, têm provado o “gosto” dos jogos. Isso porque a Nintendo está fabricando cartuchos com sabores e, segundo os novos degustadores da internet, o gosto é horrível.

    “Parece inseticida. É realmente a pior coisa que já provei”, escreveu o editor-executivo do site de tecnologia The Verge ao lamber “The Legend of Zelda: Breath of the Wild”. A título de comparação, e ironia, o especialista também provou um iPod Nano, um controle remoto Logitech Harmony e um LG Watch Sport. Todos tinham sabores que variavam do plástico ao metal, tal qual esperado de acordo com o material de que eram constituídos.

    Mas afinal, por que um acessório eletrônico ou cartucho de videogame teria gosto? E no caso em questão, um gosto “horrível”? O motivo por trás do capricho é evitar que crianças coloquem na boca os pequenos objetos (34 mm por 23 mm) e os engulam — algo que seria extremamente nocivo à saúde. Para tanto, a Nintendo aplicou benzoato de denatônio, composto químico amargo não tóxico, aos cartões.

    O composto é geralmente utilizado como um agente aversivo, como em produtos cujo objetivo é evitar que pessoas roam as unhas ou em repelentes animais. Ele também é acrescentado em mercadorias que são venenosas para humanos, como tintas e solventes, como forma de desencorajar a ingestão.

    “Se você tem algo que poderia ser consumido, mas não deve, você acrescenta um pouco de benzoato de denatônio. Mesmo pequenas quantidades irão afastar as pessoas”

    Brian Clegg

    Cientista, ao podcast Chemistry World

    Nocivo para crianças, atraente para adultos

    Especialistas explicam que bebês e crianças pequenas aprendem sobre o mundo ao qual acabaram de chegar colocando pequenos objetos na boca. Alguns desses objetos, se engolidos, passam pelo corpo e são eliminados após alguns dias sem consequências. Outros, no entanto, podem ficar presos em algum órgão, causando danos às paredes do sistema digestivo ou, dependendo do que são feitos, liberar substâncias venenosas no corpo dos pequenos — é o caso de moedas e baterias, por exemplo.

    A cautela da Nintendo é justificada. A empresa japonesa é atualmente uma das poucas a produzir consoles que utilizam cartuchos, enquanto outras como a Microsoft e a Sony operam com Blu-Ray no Xbox One e PS4, respectivamente. Além disso, o perfil dos lançamentos da empresa têm um apelo maior com o público infantil, ante o dos concorrentes.

    O que os executivos da fabricante japonesa não esperavam é que a precaução para afugentar crianças seria tão atraente aos adultos. Desde que a notícia veio à tona, dezenas de gamers estão postando vídeos mostrando suas reações ao provar os jogos.

    “Nosso intrépido jornalista pode confirmar que os cartuchos têm de fato um gosto terrível”, escreveu o site francês Game Blog, que também fez um vídeo de degustação eletrônica. Segundo o responsável pela façanha, o sabor amargo permanece na boca por “certo tempo” após prová-lo.

    “Eu acabo de lamber Zelda por conta disso [do sabor] e sim, posso confirmar, é nojento”, escreveu o crítico do jornal britânico “The Guardian”, Alex Hern, no Twitter. “Eu li que o composto é descrito como ‘amargo’, mas a descrição não faz jus ao sabor: é uma dose pura e concentrada de desagrado e fica na sua boca por um período desconfortável de tempo”.

    Crítico do site dedicado a games Kotaku, Mike Fahey provou várias gerações diferentes de jogos da Nintendo para avaliar a “evolução” nos sabores dos lançamentos — tanto consoles de mesa, como o Super Nintendo, quanto portáteis, aos moldes do Game Boy. “É a pior coisa que você pode fazer à sua língua”, avaliou sobre o recente lançamento.

    “Imediatamente após tocar um cartucho da Nintendo, sua língua é tomada por um azedo áspero, que se espalha como uma escova de fogo por sua boca. Ter algo para beber em mãos ajuda, mas não muito”

    Mike Fahey

    Crítico de jogos do site Kotaku

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