O caso da Fnac e a situação do mercado de livros e produtos eletrônicos no país

Mudança nos hábitos de compra e avanço do comércio digital têm levado grandes empresas do setor a resultados negativos

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    Na terça-feira (28), o comunicado que detalha os resultados financeiros de 2016 do grupo francês Fnac sugeriu que a operação brasileira da empresa seria encerrada. Sem deixar claro de que maneira, a companhia sinalizou a busca de compradores de sua estrutura no país. No dia seguinte, a Fnac detalhou seus planos, dizendo que, na verdade, busca um parceiro local a fim de tocar a operação de suas 12 lojas.

    Independentemente do modelo a ser adotado, o anúncio é simbólico. A empresa francesa chegou ao Brasil em 1998 e popularizou o conceito de megastore no país com suas lojas gigantes de até 3000 m², grande acervo de livros, variedade de produtos eletrônicos e até cafeterias.

    Hoje, a rede é uma das maiores vendedoras de produtos de entretenimento do mundo, e seus produtos incluem livros, games, mídias musicais, tablets e notebooks, celulares, televisões e aparelhos de som.

    O modelo seguido pela Fnac e suas concorrentes do varejo de livros e produtos eletrônicos, porém, começou a sofrer com as mudanças nos hábitos de compra dos consumidores e o avanço do e-commerce. No Brasil, os resultados não se mostravam mais satisfatórios.

    2%

    menos de 2% é o que representa o volume de vendas no Brasil diante do total da empresa pelo mundo

    Os vilões

    Pouca atenção para o digital

    “A Fnac não conseguiu se desenvolver tanto na parte do e-commerce e ficou restrita a um canal, as lojas físicas. As categorias de livros e produtos eletrônicos, sofreram grandes mudanças de consumo. Hoje, elas são as duas principais categorias de representatividade de vendas no comércio digital: 14% e 13%, respectivamente”, explica Alexandre van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult, empresa de consultoria com foco em varejo.

    Baixa capilaridade

    No caso da Fnac, van Beeck ainda ressalta que a companhia francesa não tem a mesma capilaridade que suas concorrentes no Brasil: a Livraria Saraiva, que vende o mesmo mix de produtos, por exemplo, contava com 113 lojas pelo país no terceiro trimestre deste ano.

    Um problema de todos

    A mudança nos hábitos do consumo dos consumidores não afetou só a empresa francesa, mas também outras empresas do setor de livros e produtos eletrônicos.

    A solução tem sido se abrir para novos formatos, com lojas mais compactas e pontos de venda em aeroportos e metrôs, e apostar na integração dos canais presenciais e digitais, como as compras que podem ser feitas pela internet e retiradas nas lojas físicas.

    No terceiro trimestre de 2016, a receita das lojas físicas da Livraria Saraiva caiu 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, a receita do e-commerce cresceu 8,1%.

    7,5%

    foi a queda de vendas da Fnac no Brasil no ano fiscal de 2015

    1,7%

    foi a queda de vendas nas lojas físicas da Livraria Saraiva em 2015

    A Livraria Cultura, outra referência no varejo de livros e produtos eletrônicos, está no vermelho há dois anos. A empresa fechou 2016 com queda de 8% na receita bruta, que foi de R$ 420 milhões. A rede não inaugura novas lojas desde 2015.

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