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Este mapa mostra o caminho de quase 200 tubarões pelo mundo

Com o objetivo de construir uma base de dados aberta, o site foi desenvolvido por uma organização que pesquisa espécies marinhas

    “Rocky Mazzanti”, “Lydia”, “Vader”. Esses são alguns dos tubarões rastreados pela ONG Ocearch. É possível ver onde os 188 espécimes mapeados estavam na última vez que subiram à superfície e o trajeto deles no mar clicando aqui. “Bezerra” é um tubarão brasileiro: foi visto pela última vez nos arredores de Fernando de Noronha (PE), região que nunca abandonou desde que começou a ser monitorado.

    Os rastreadores são implantados na barbatana dorsal, e para o animal ter a localização determinada, ele precisa ir à superfície, de maneira que a barbatana esteja acima do nível da água. O sistema via satélite, o “Spot tag”, garante o acompanhamento do tubarão por cinco anos — após esse período, não há garantia de que a informação seja precisa. No mapa, os tubarões que tiveram a localização definida no último mês aparecem com a cor laranja, enquanto aqueles que tiveram o último registro há mais de 30 dias aparecem em azul.

    Ao identificarem um espécime durante uma expedição, os pesquisadores retiram o tubarão da água, o medem, o equipam com um rastreador e lhe dão um nome. A ONG também cria uma conta no Twitter para os tubarões e posta atualizações sobre a localização dos animais — o perfil mais popular, de uma fêmea chamada “Mary Lee”, tem mais de 100 mil seguidores.

    O mapa, desenvolvido pela Ocearch, mostra os animais que receberam rastreadores ao redor do mundo. A ideia, segundo a ONG, é entender os padrões de movimentação das espécies — contando com a colaboração de pesquisadores de vários países — e ajudar na preservação dos tubarões. Estima-se que 25% dos tubarões estão em risco de extinção em todo o mundo.

    A plataforma de código aberto foi criada por Chris Fisher, líder de expedição. Eles acompanham e estudam espécies marinhas em todo o mundo. A bordo de navios, Fisher e a equipe da Ocearch viajam grampeando os tubarões para levantar dados para os estudos.

    Até agora, cerca de 131 pesquisadores de 59 instituições internacionais participaram de uma ou mais expedições da Ocearch. Entre eles estão sete pesquisadores brasileiros da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco).

    A primeira expedição foi realizada na ilha mexicana de Guadalupe, em 2007. Desde então, a Ocearch soma 27 expedições — uma delas foi ao Brasil, em julho de 2014.

    Tubarões-tigre brasileiros

    Em 2014, um navio da Ocearch chegou à costa brasileira para trabalhar no estudo e marcação de tubarões-tigre (Galeocerdo cuvier) em Recife, Aracaju, Fernando de Noronha e Natal. A ONG pesquisa principalmente os tubarões-brancos (Carcharodon carcharias), mas também outras espécies.

    Na ocasião, Fábio Hazin, doutor em ciências marinhas que liderou a equipe da UFRPE que trabalhou em conjunto com a Ocearch, explicou que seu interesse na parceria para os estudos estava voltado para a conservação da espécie e na compreensão de ataques de tubarões em praias do Recife, por meio do estudo de movimentos migratórios da espécie.

    Ciência e educação

    O site dispõe, além do acompanhamento de tubarões rastreados ao longo das 27 expedições, projetos de ensino para crianças e adolescentes.

    Entre as temáticas abordadas, que utilizam os dados coletados desde 2007, estão cartografia, análise de dados, construções de gráficos e matemática. O objetivo do projeto é oferecer lições e projetos de estudos para a educação primária dos Estados Unidos.

    Trabalho da ONG sofre críticas

    Cientistas de uma agência de pesquisa do governo estadual de Massachusetts, nos Estados Unidos, estudam o retorno de tubarões-brancos à costa do Estado que ocorreu nos últimos anos. A Ocearch conduz pesquisas na mesma localidade, e a relação entre as duas equipes não é pacífica.

    Os pesquisadores estaduais criticam o procedimento da Ocearch, que utiliza iscas para atrair os tubarões e os retira da água a fim de implantar os rastreadores. Segundo esses pesquisadores, a ação pode alterar os padrões naturais de movimentação dos tubarões.

    A Ocearch não tem permissão do governo de Massachusetts para realizar pesquisas em águas de jurisdição estadual, mas pode atuar em águas federais, a 3 milhas da costa (cerca de 4,8 quilômetros). Dos quatro tubarões que foram marcados em expedições na região, dois não voltaram para o local por um ano e um terceiro jamais retornou.

    À revista “Scientific American”, Chris Lowe, pesquisador de tubarões na Universidade do Estado da Califórnia e sem vínculo com nenhuma das duas equipes, disse que apreender e manejar os tubarões “pode aumentar a probabilidade de os animais deixarem a área em resposta à perturbação”.

    Em resposta às críticas, a ONG disse à “Scientific American”: “nossos cientistas pediram, mas não obtiveram detalhes ou evidências sobre a reclamação de que atividades da Ocearch em águas federais em Massachusetts perturbariam quaisquer estudos em águas estaduais”.

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