Foto: Alkis Konstantinidis/Reuters

Bandeira da Grécia em viela comercial em Atenas
Bandeira da Grécia em viela comercial em Atenas
 

“Explosiva” e “insustentável” foram os termos usados pelo Fundo Monetário Internacional para falar da evolução da dívida pública da Grécia. O relatório era um documento interno, preparado para embasar as discussões do FMI com a União Europeia em mais uma rodada de negociações para decidir sobre ajudas à Grécia, mas vazou. As informações impactaram imediatamente os mercados europeus.

A dívida grega atual está perto de 190% do PIB, mas o FMI projeta que ela pode chegar a 275% em 2060. Isto é: imaginando que tudo o que o país produz em um ano fique na casa dos US$ 200 bilhões, a dívida futura seria de aproximadamente US$ 550 bilhões.

Representantes da União Europeia se apressaram em dizer que a dívida do governo grego pode ser gerida, mas não foi o suficiente para acalmar os investidores. Em três dias, os papéis que funcionam como um seguro contra um calote grego subiram 13%.

Além de ter aumentado a desconfiança do mundo em relação às finanças da Grécia, o relatório do FMI pode ter um impacto direto na recuperação do país. Isso porque o Fundo, que participou de dois pacotes de socorro à Grécia nos últimos anos, não financia um país se considerar que sua dívida é insustentável. A participação do FMI, por sua vez, foi uma condição imposta pela Alemanha para participar do pacote em discussão, avaliado em mais de US$ 90 bilhões.

A situação fiscal do governo grego é preocupante mesmo depois das seguidas medidas de economia já implantadas. Para 2017, há a previsão de mais aumentos de impostos e de novos cortes de gastos públicos. Mas sem o pacote de ajuda, a situação da Grécia pode complicar. 

A economia real

Oito anos depois do início da crise, a Grécia deve voltar a crescer em 2017. Mas isso não quer dizer que a economia do país vai bem. As consequências de anos de "catástrofe financeira", definição do jornal britânico "Financial Times", ainda afetam fortemente a população local.

O crescimento se daria na comparação com resultados considerados como sendo "o fundo do poço". A projeção do Fundo Monetário Internacional para o crescimento do PIB da Grécia em 2016, que ainda não foi divulgado, é de 0,1% e mais 2,7% em 2017.

Retrocesso na economia

 

Desde o início da crise, o Produto Interno Bruto local já encolheu cerca de 30%, o que fez aumentar drasticamente o desemprego e piorou a renda dos gregos.

A taxa de desocupação está na casa dos 23%, ou seja, um de cada cinco gregos está desempregado. Para se ter uma ideia, no Brasil, que atravessa uma de suas maiores crises na história, a taxa é de menos que a metade. Dos jovens gregos entre 15 e 24 anos, quase metade está sem emprego: 44%.

Taxa alta

 

Os cinco anos em que o desemprego tem permanecido acima dos 20% causou estragos na economia local. Some-se a isso os sucessivos pacotes de austeridade lançados para tentar controlar o crescimento da dívida. Boa parte dos gregos teve dificultado o acesso a aposentadoria, saúde e educação.

Com a população empobrecendo e o governo cortando benefícios, aumentou significativamente a pobreza no país. O Banco Mundial não tem dados oficiais sobre a Grécia, mas a ONG grega Dianeosis estima que 15% da população vivia em pobreza extrema em 2015. Em 2009 eram apenas 2,2%. Os mais afetados, mais uma vez, são os jovens. Quase ¼ deles, 24,4%, viviam em extrema pobreza segundo os dados divulgados em junho de 2016.

Outros 23,2% da população estão em pobreza relativa, ou seja, para sobreviver eles têm menos de 60% da renda média da população do país.