Qual recorde Serena Williams quebrou no Aberto da Austrália, vencendo a irmã na final

Americana é considerada melhor tenista da história por parte dos fãs e analistas do esporte. Com a vitória, ela volta ao primeiro lugar do ranking mundial

     

    A tenista americana Serena Williams foi campeã do Aberto da Austrália neste sábado (28). Ela venceu sua irmã mais velha, Venus Williams, por 2 sets a 0 (6-4,6-4), em mais um capítulo de um dos principais duelos do tênis nas últimas duas décadas.

    O Aberto da Austrália, disputado na cidade de Melbourne, é um dos quatro torneios conhecidos como “Grand Slam”, que são os mais prestigiados do esporte e acontecem anualmente há mais de 100 anos. Os outros três são Roland Garros (Paris), Wimbledon (Londres) e Aberto dos Estados Unidos (Nova York).

    Neste sábado, Serena Williams ergueu pela 23ª vez um troféu de Grand Slam. O número é um recorde, entre mulheres e homens, da fase profissional do tênis — a chamada Era Aberta, que teve início em 1968, quando passou a ser permitida premiação em dinheiro a tenistas em qualquer campeonato, retirando a distinção entre amadores e profissionais. Isso em simples (um tenista de cada lado), pois jogando duplas ela possui outros 14 títulos, todos ao lado de Venus. E em duplas mistas (uma mulher e um homem), mais dois.

    Serena superou a alemã Steffi Graf, que competiu nas décadas de 80 e 90 e encerrou a carreira com 22 Grand Slams. Incluindo a era amadora do tênis, a única a superar Serena, entre mulheres e homens, é a australiana Margaret Court, que venceu 24 campeonatos desse porte e jogou entre as décadas de 50 e 70.

    Títulos em cada Grand Slam, em simples

    No masculino, o maior campeão de Grand Slam da história, o suíço Roger Federer, possui 17 — e disputa neste domingo (29) a final do Aberto da Austrália contra o espanhol Rafael Nadal, dono de 14.

    Com o triunfo, Serena voltará à liderança do ranking mundial a partir de segunda-feira — a lista é atualizada semanalmente, sempre às segundas. Ela reassume o posto que perdeu em 2016 para a alemã Angelique Kerber.

    Será a 310ª semana de Serena como número 1, quesito em que está atrás apenas de Graf (377 semanas sendo a primeira) e da americana de origem tcheca Martina Navratilova (332). Essas três jogadoras dividem os analistas e fãs sobre quem foi a melhor da história do esporte. Com o 23º Grand Slam e apta a conquistar mais, Serena se coloca na posição de virar uma unanimidade nessa disputa.

    Uma curiosidade sobre o título deste sábado já havia sido antecipada por fãs de tênis: Serena agora possui troféus de Grand Slam obtidos durante o governo de quatro diferentes presidentes dos Estados Unidos — Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump. O primeiro torneio dela foi em 1999.

    O capítulo ‘Irmãs Williams’ no tênis

    “Ela é a única razão pela qual eu estou aqui hoje, ela é a única razão pela qual as irmãs Williams existem. Obrigada por me inspirar”, disse Serena sobre Venus durante a cerimônia de premiação neste sábado. No discurso com o troféu de vice-campeã, a irmã mais velha disse: “Sua vitória sempre foi minha vitória. Acho que você sabe disso”.

    A final em família na chave feminina não era esperada. Apesar do histórico, Venus havia chegado pela última vez em uma final de Grand Slam em 2009, quando também perdeu para a caçula, mas em Wimbledon. Venus ganhou 7 títulos de Grand Slam, o último em 2008, e já foi número 1 do mundo. Elas são as irmãs mais bem-sucedidas da história do esporte.

    Venus e Serena Williams cresceram na Califórnia. Por decisão do pai e treinador Richard Williams, elas quase não disputaram torneios do circuito juvenil, “pulando” para os torneios profissionais. Segundo ele, as duas eram “boas demais” para adversárias juvenis.

    Jogaram duplas juntas em Grand Slams (14 títulos) e Olimpíadas (três ouros) e fizeram uma das parcerias mais vitoriosas do tênis.

    Também na Califórnia aconteceu um episódio importante da carreira das americanas. Elas boicotaram por mais de uma década o torneio de Indian Wells, que faz parte da principal categoria depois dos Grand Slams, por, segundo elas, terem sofrido ofensas racistas em 2001. Serena voltou a disputar Indian Wells em 2015, um ano antes de Venus.

    Mundialmente famosas, as tenistas são duas vozes que defendem os direitos das mulheres e dos negros. Venus foi a principal defensora para que o torneio mais prestigiado do tênis, Wimbledon, enfim igualasse as premiações entre homens e mulheres, o que aconteceu somente em 2007. Foi o último Grand Slam a fazê-lo, 44 anos depois do Aberto dos EUA.

    Em entrevista em 2016 ao jornal britânico “The Guardian”, Serena disse que sente, pelos triunfos da carreira, que lutou por todas as mulheres, não apenas as negras. Serena, que tem um corpo musculoso, é rotulada frequentemente como “masculina”. Ela participou de um vídeo do “Lemonade”, de Beyoncé, disco que exalta as mulheres e a população negra.

    Em 2016, durante uma onda de protestos de pessoas negras contra a violência policial nos EUA, Serena postou em seu perfil no Facebook que não ficaria calada sobre os acontecimentos. “Por que eu tenho que pensar sobre isso [racismo] em 2016?”, escreveu.

    “Nós já não passamos por coisas demais, abrimos tantas portas, impactamos bilhões de vidas? Mas eu percebi que precisamos caminhar — pois não se trata do quão longe chegamos, mas quão mais longe ainda nós precisamos ir.”

    Serena Williams

    Em post no Facebook sobre racismo, em 2016

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