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O que é a Parceria Transpacífico e qual o peso da saída dos EUA

Trump cumpre promessa e amplia expectativa por mais medidas protecionistas. TPP perde mais da metade de seu PIB, mas países prometem manter acordo

     

    Em seu primeiro dia de trabalho no Salão Oval da Casa Branca, o presidente americano Donald Trump assinou na segunda-feira (23) um decreto que determina a saída dos Estados Unidos do TPP (Parceria Transpacífico, na sigla em inglês). O acordo, assinado em 2015 por 12 países de três continentes, era considerado o mais importante tratado comercial do mundo nas últimas décadas.

    O TPP foi a principal ação da gestão de Barack Obama e era peça fundamental na estratégia de sua gestão para o comércio exterior. Durante a campanha presidencial, Donald Trump fez dos ataques ao TPP uma de suas bandeiras na economia. Ao assinar o decreto cercado por jornalistas na Casa Branca, Trump disse que a medida era uma “grande coisa para os trabalhadores americanos”.

    Seu discurso protecionista é baseado em um suposto enfraquecimento dos Estados Unidos desde que barreiras comerciais começaram a ser reduzidas mundo afora. Trump promete criar empregos nos EUA e critica empresas americanas com filiais em outros países.

    Apesar de anunciado há tempos, o decreto de Trump gerou críticas, inclusive dentro de seu próprio partido. O senador republicano John Mc’Cain, candidato derrotado por Barack Obama em 2008, chamou o ato de Trump de “erro grave” e disse que o fim do tratado vai abrir espaço para o crescimento da influência da China na Ásia.

    Trump só pode cancelar monocraticamente o acordo costurado pela administração anterior porque o TPP não chegou a ser votado e aprovado no Congresso americano.

    Lideranças de outros países do TPP disseram que pretendem continuar a implementação do acordo mesmo sem os EUA.

    Maior acordo de Obama

    O acordo foi assinado em 2015 por 12 países da América, Oceania e Ásia. No documento, os signatários se comprometiam a cumprir normas comuns que iam além de barreiras comerciais. O TPP previa a unificação de regras ambientais, trabalhistas, de propriedade intelectual e de transparência.

    Signatários do TPP

    Mapa mostra localização dos países membros do TPP
     

    Quando foi assinado por Obama, o tratado representava aproximadamente 40% do Produto Interno Bruto do mundo. Juntas, as 12 nações têm 790 milhões de habitantes. Sem os Estados Unidos, o bloco perde seu membro de mais peso. O país representa cerca de 60% do PIB da parceria.

    Ao costurar e assinar o acordo, o então presidente Barack Obama queria aumentar a influência dos EUA na Ásia e na Oceania. Paralelamente, o TPP ajudaria a impedir o avanço da influência da China sobre aliados americanos na região.

    Sem o TPP, cresce a chance de a China, segunda maior economia do mundo, ampliar sua influência na Ásia. Os chineses já têm conversas com 15 países da região para a criação do RCEP (Parceria Regional Econômica Ampla, em inglês).

    Outros acordos

    O primeiro decreto comercial de Trump fez aumentar a expectativa de que ele cumpra outras promessas protecionistas feitas durante a campanha. O próximo passo deve ser a revisão do Nafta (acordo de livre comércio da América do Norte). No domingo (22), o presidente recém-empossado anunciou que vai negociar  com os presidentes do México e do Canadá novos termos para o acordo, em vigor desde 1994.

    “Quando você olha para os tratados multilaterais, eles não estão de acordo com os interesses dos Estados Unidos. Eles não colocam o interesse dos americanos em primeiro lugar”

    Sean Spicer

    Secretário de Imprensa dos EUA

    ESTAVA ERRADO: A primeira versão do mapa contido neste texto informava a localização da parte do território da Malásia na Ilha de Bornéu, sem menção à parte do território malasiano que está no continente. A informação foi corrigida no dia 24 de janeiro às 11h08.

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