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Estes gifs explicam como foram feitos os efeitos especiais de filmes mudos

Hoje, eles estão presentes em qualquer blockbuster. Sua produção, no passado, costumava ser artesanal e cheia de truques

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    A pirotecnia de efeitos especiais que hoje se vê no cinema se tornou muito mais fácil de ser feita a partir da tecnologia digital. Mas o recurso de criar ilusão é muito anterior aos computadores e já existia na época em que o cinema sequer era falado.

    O primeiro efeito especial registrado no cinema é do ano de 1895, segundo uma matéria do site “Mental Floss”. A primeira exibição pública de um filme, um dos marcos da invenção do cinema, foi feita no mesmo ano em Paris pelos irmãos Lumière.

    Dirigido por Alfred Clark, “The Execution of Mary, Queen of Scots” decapita a atriz que interpreta a rainha. A técnica usada foi pedir que todos os atores ficassem completamente parados, pausar a filmagem e substituir a decapitada por uma boneca antes de voltar a rodar o filme.

     

    Segundo o site, o filme de Clark não marca somente o nascimento dos efeitos especiais no cinema, mas é também um precursor das animações. Relata, ainda, que alguns espectadores chegaram a crer que uma mulher havia realmente sido executada nas filmagens.

    Como era a produção dos efeitos

    A conta do Twitter “Silent Movie Gifs” compartilhou imagens que explicam como efeitos de alguns filmes desse período foram feitos. Os gifs revelam um processo mais artesanal, em que a produção dos efeitos não resultava de comandos, mas de “truques” e soluções improvisadas para atingir a concepção visual imaginada.

    A pintura matte em ‘Tempos Modernos’ (1936)

    É um pouco decepcionante desvendar a magia da cena que Charles Chaplin patina de costas até na beirada de um andar de uma loja de departamentos e descobrir que o ator não estava, de fato, dançando à beira de um precipício.

     

     

     

    Nesse caso, a técnica usada foi a da pintura de parte do cenário em um pedaço de vidro colocado em frente à câmera, recurso conhecido como “pintura matte” ou “matte shot”. A pintura cria a ilusão de que não há nada atrás de Chaplin, mas o pavimento continua e ele não corre riscos.

     

     

    O truque de perspectiva de ‘O Homem Mosca’ (1923)

     

     

    Na cena em que Harold Lloyd pendurado em um relógio, ainda não era possível inserir um fundo artificial com o uso de um projetor ou do chroma key, técnica pela qual a imagem final é sobreposta na edição a um fundo de cor padrão (em geral, a chamada “tela verde”) usado nas gravações, muito presente nos filmes das últimas décadas que fazem uso de efeitos especiais. 

    O truque de perspectiva usado para dar a impressão de que o ator estava de fato pendurado foi construir o set em uma altura que fosse alcançável por ele, mas enquadrá-lo de forma a criar a ilusão de não haver nada embaixo.

     

    Pintura matte e dupla exposição no beijo espelhado de ‘O Pequeno Lord Fauntleroy’ (1921)

    O diretor Charles Rosher fez a atriz Mary Pickford beijar a si mesma na bochecha no filme.

     

    A duplicação da imagem de um ator na tela não era novidade: décadas antes, Georges Méliès já havia mostrado como isso era possível através das técnicas de pintura matte e dupla exposição do filme 35mm. No entanto, essa última técnica não funciona quando o ator se move no quadro, como faz Pickford.

     

    A solução encontrada foi obter uma silhueta muito detalhada da atriz pintada em vidro e fazer com que ela própria se movesse por trás dessa estrutura. O efeito de 3 segundos levou 15 horas para ser feito.

    A pintura matte usada em ‘O Prêmio de Beleza’ (1926)

    Os olhos da atriz Colleen Moore se movem em direções diferentes, dando a impressão que esta é uma habilidade especial de Moore.

     

    As duas metades do rosto da atriz foram filmadas separadamente. Um vidro metade pintado de preto foi colocado em frente à câmera, de modo que apenas um lado do filme fosse exposto à luz - o outro lado permaneceu “virgem”, intacto. Depois, o vidro foi substituído por outro cujo lado oposto estava pintado de preto e o outro lado foi gravado. Tanto o vidro quanto o rosto da atriz não poderiam sair do lugar para que o efeito desse certo.

     
     

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