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Governos restringiram a internet 81 vezes em um ano. E isso custou bilhões

A suspensão do WhatsApp no Brasil não foi a única medida contra a circulação de dados on-line tomada entre julho de 2015 e junho de 2016 ao redor do mundo

 

Conforme a internet ganha importância, governos do mundo todo têm buscado exercer controle sobre ela, em alguns casos de forma drástica, com a suspensão de aplicativos específicos ou mesmo da rede como um todo.

São várias as razões que levam um governo a bloquear a rede ou um serviço: impedir atividades irregulares, punir serviços que desrespeitam regras locais ou a Justiça - caso do Whatsapp no Brasil -, a censura política ou o bloqueio de comunicações

Publicado em outubro de 2016 pelo Centro para Tecnologia da Informação do Brookings Institute, o levantamento “Desligamentos de internet custaram a países US$ 2,4 bilhões no ano passado” calculou o custo total de 81 interrupções ocorridas entre julho de 2015 e junho de 2016 no mundo todo. Em reais, o custo é equivalente a R$ 7,6 bilhões. 

A pesquisa considerou apenas a derrubada extraordinária de determinados serviços ou da rede como um todo, o que exclui restrições e censuras que são impostas de forma corrente em vários países.

Escrito por Darrell West, vice-presidente e diretor de estudos de governança, o artigo chama atenção para o caso do Brasil, que foi o quinto país com o maior prejuízo monetário:

R$ 371 milhões

Foi o valor perdido pelo Brasil com interrupções de internet

No país, o serviço de trocas de mensagens WhatsApp foi bloqueado quatro vezes entre 2015 e 2016 por decisões de juízes após o Facebook, que é dono da ferramenta, não ter fornecido conteúdo de mensagens requisitados por investigações.

O trabalho afirma que as ações, motivadas por problemas que envolvem um número restrito de usuários, “na prática isolaram dezenas de milhões de brasileiros de seus amigos, familiares e negócios”.

“Governos estão usando ameaças reais ou percebidas à estabilidade, poder político, ou interesses econômicos locais para justificar interrupções. De fato, elas se tornaram cada vez mais comuns como resposta a circunstâncias domésticas”

Levantamento ‘Desligamentos de internet custaram a países US$ 2,4 bilhões no ano passado’

O custo da suspensão da internet por país

Para calcular o custo de interrupções na internet ou em serviços específicos por país, a pesquisa levou em consideração o tamanho do produto interno bruto e a importância da internet em cada um deles, o tempo em que as interrupções da internet ou de serviços específicos duraram, o percentual da população afetada diretamente - o que levou em consideração a popularidade dos serviços em cada país - e o percentual da população afetada indiretamente, com base em pesquisas que apontam trabalhos gerados de forma não direta por atividades ligadas à internet.

Aplicativos como WhatsApp foram cortados em 14 vezes pelo mundo todo em dois anos, em um total de 272 dias - somam-se os dias em que os serviços ficaram suspensos em cada país. 

Esse tipo de medida foi o que gerou o maior custo total: US$ 1,04 bilhão de dólares (cerca de 3,2 bilhões de reais).

Cortes de internet em nível nacional aconteceram 36 vezes no total, nenhuma delas no Brasil. Apesar de ser uma medida mais drástica, ela durou no total bem menos dias do que as suspensões de aplicativos: 19 dias. O custo foi de US$ 294,9 milhões (cerca de 945 milhões de reais).

O trabalho destaca que o cálculo tem ênfase especial nas perdas dos setores mais diretamente ligados à internet. Não foram incluídas estimativas de perdas de arrecadação de impostos, na produtividade de trabalhadores, sobre a expansão de negócios ou perda de confiança de consumidores e empresas.

“Por isso, o cálculo de US$ 2,4 bilhões é uma estimativa conservadora que provavelmente subestima o dano econômico real”, diz a pesquisa.

Os 10 maiores custos dos cortes

 

O trabalho destaca que há um aumento das interrupções de internet ou serviços específicos, promovidas por governos nos últimos anos. O estudo cita o trabalho “O dilema digital dos ditadores: Quando os Estados desconectam suas redes?”, publicado em 2011, também pelo Centro para Tecnologia da Informação do Brookings Institute.

O trabalho faz um levantamento entre 1995 e parte de 2011. Em 2011, autoridades suspenderam toda a internet do Egito por cinco dias no país, em uma tentativa de frear a articulação política e a mobilização de protestos que ficou conhecida como “Primavera Árabe” e que, posteriormente, culminou com a queda do governo de Hosni Mubarak que já durava três décadas.

O aumento da derrubada de internet

 

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