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25 anos. Esse é o pico de interações sociais de uma pessoa segundo uma pesquisa

Pesquisadores de psicologia experimental e ciência da computação analisaram registros de ligações telefônicas de mais de 3 milhões de pessoas para chegar à conclusão

     

    O pico de interações sociais com diferentes pessoas próximas tende a ser atingido por volta de 25 anos. Depois disso, os círculos sociais ficam cada vez mais restritos.

    As conclusões são da pesquisa “Diferenças de foco social entre sexos durante o ciclo de vida de humanos”. Publicada em março de 2016 na plataforma acadêmica Royal Society Open Science, ela traz informações sobre ligações telefônicas registradas quase dez anos antes, mas que, segundo os pesquisadores, servem para fazer análises atuais.

    Integrantes dos departamentos de Ciência da Computação da Universidade Aalto, na Finlândia, e do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford, no Reino Unido, se basearam nos registros de ligações de celulares feitas durante 2007 usando uma operadora de telefonia que atua em um país europeu — o estudo não revela os nomes do país ou da empresa.

    Eles partiram da premissa de pesquisas anteriores que chegaram à conclusão de que as interações sociais por ligações telefônicas se correlacionam com suas interações presenciais. Ou seja, os registros telefônicos podem ser encarados como um indício de como as pessoas se relacionam ao vivo com seus círculos mais próximos.

    Por esse motivo, o trabalho usa dados sobre os hábitos de telefonemas para propor hipóteses sobre como eles refletem outras informações sobre a trajetória de vida das pessoas. Isso envolve, por exemplo, os processos de amadurecimento, namoro, casamento, nascimento dos filhos, amadurecimento e afastamento dos filhos e envelhecimento dos pais.

    “As pessoas vão explorar quaisquer meios de comunicação para atingir suas metas sociais particulares. Por isso, nós esperamos que os princípios mais amplos revelados neste estudo se apliquem de uma maneira mais ou menos universal em todas as culturas”, afirmou o trabalho.

    Ou seja, segundo o estudo, mesmo se as pessoas tenham passado a usar menos o celular para ligações desde 2007 e a recorrer mais a serviços como Facebook ou WhatsApp, os dados gerais que a análise revelou continuam valendo.

    A pesquisa levou em consideração ligações de celular de 3,2 milhões de usuários, dos quais há informações relativas a idade e sexo — a pesquisa não toma como base o gênero, que diz respeito a como a pessoa se identifica, independente do sexo biológico.

    A ascensão e a queda nas interações sociais

    Os pesquisadores consideraram tanto as ligações recebidas quanto as realizadas para afirmar que o pico de interações sociais de uma pessoa com diferentes interlocutores é atingido aos 25 anos.

    O gráfico abaixo mostra como o nível de interações sobe até essa idade antes de se iniciar uma queda acentuada até meados dos 40 anos.

    Interações sociais durante a vida

     

    A queda a partir dos 40 anos, para os pesquisadores, “sugere um aumento do enfoque na família e em relacionamentos mais próximos com a idade, já que a família domina as camadas mais centrais das ligações sociais das pessoas”.

    Entre os 45 e 55 anos há uma certa estabilidade, após a qual a queda continua até a velhice. Segundo o trabalho, uma possível explicação para isso é o fato de que é nessa idade que os filhos adultos tendem a se afastar dos pais, porque se casam e começam a ter os próprios filhos.

    Provavelmente, segundo a pesquisa, essa estabilidade “reflete o fato de que os pais estão mantendo interação regular com seus filhos adultos em um momento em que essas interações tenderiam a ser perdidas”.

    Em relação ao sexo, até os 39 anos, homens têm mais interações sociais com pessoas diferentes. Depois disso, são as mulheres que têm uma rede de contatos maior. De acordo com o trabalho, “mulheres provavelmente interagem mais com os seus próprios familiares próximos (por exemplo mantendo os avós atualizados sobre as atividades dos filhos)”.

    Telefone reflete as relações mais pessoais

    O estudo ressalta que a quantidade média de contatos com números de telefone diferentes é “bastante modesta”, de cerca de 15. Isso é similar ao número de pessoas que, de acordo com outros estudos, compõem o círculo social mais próximo nas interações face a face.

    Essa correlação é encarada como evidência indireta para o fato de que usamos o telefone para contatar aqueles que estão emocionalmente mais próximos de nós, em vez de simplesmente falar com quem vive mais longe.

    Os pesquisadores afirmam que os dados refletem os arranjos sociais característicos da Europa do século 21, mas acreditam que “os princípios mais amplos revelados se aplicam mais ou menos universalmente a todas as culturas. As diferenças provavelmente residem no momento dos picos e das transições e não nos padrões de mudança em si”.

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