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Por que a Mulher Maravilha perdeu o posto de embaixadora da ONU

‘Imagem sexualizada’ de heroína criada nos anos 1940 desagradou manifestantes. Reação angariou quase 45.000 assinaturas em petição

     

    A personagem Mulher Maravilha, da DC Comics, completa 75 anos em 2016 e foi anunciada, em outubro, como embaixadora honorária das Nações Unidas pelo empoderamento de mulheres e meninas.

    A escolha, entretanto, sofreu protestos na ocasião e posteriormente originou uma petição que problematiza a eleição da personagem como símbolo da luta por igualdade de gênero. Por conta das críticas, foi revogada pela ONU na última terça (13).

    A má repercussão da escolha da personagem ocorreu pouco depois de a entidade ter descartado várias candidatas para o posto de secretário-geral e ter, por fim, nomeado o português António Guterres, segundo o jornal “The New York Times”.

    Por que a escolha da heroína não agradou

    “Embora os criadores originais possam ter pretendido que a Mulher Maravilha representasse uma ‘guerreira’ forte e independente com mensagem feminista, a realidade é que a atual versão da personagem é a de uma mulher branca, com seios grandes e medidas impossíveis, escassamente vestida em um maiô brilhante com a bandeira americana estampada, com as coxas à mostra e botas até os joelhos - a personificação da ‘pin-up’”

    Na petição do “Petition Site”

    assinada por mais de 44.000 apoiadores

    Apesar da reconhecida boa intenção de seus idealizadores, as principais críticas feitas à personagem têm a ver com sua imagem sexualizada, um reforço aos padrões de beleza e papéis de gênero.

    Há, ainda, a preocupação com a falta de abrangência cultural da personagem — o fenótipo de uma mulher branca e a iconografia americana não correspondem à diversidade que seria desejável, segundo seus críticos, ao “cargo”. A ONU foi questionada, além disso, por não ter escolhido uma “mulher real”.

    História

    A Mulher Maravilha foi criada pelo psicólogo americano William Moulton Marston em 1941, pouco depois das estreias do Batman e do Superman nos quadrinhos. Junto com eles, é uma das personagens mais longevas das HQs.

    Nos anos 1970, a Warner Bros. produziu uma série de TV em que a atriz Lynda Carter encarnou a personagem. Desde então, a Warner produziu seis filmes da franquia Superman e oito filmes do Batman. A guerreira não havia protagonizado nenhum longa-metragem até agora: a atriz Gal Gadot é o novo rosto da Mulher Maravilha do século 21, e o filme tem estreia prevista para junho de 2017 no Brasil.

     

    Ao longo dessas sete décadas e meia, a super-heroína sofreu diversas reformulações nas roupas e penteado, mas conservou, quase sempre, as cores da bandeira americana e o formato da roupa. As “medidas impossíveis”, os seios grandes e coxas nuas, citados pela petição, também foram uma característica constante na evolução da personagem. 

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