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Selecionando a palavra 'live' e clicando nos pontos em diferentes partes do mapa, ouve-se ao vivo a programação de rádios de Juazeiro do Norte a Marselha
 

A chamada “Era do Rádio” ficou no século 20. Mas o meio de comunicação mais popular da primeira metade do século passado está muito vivo: basta olhar o mapa-múndi salpicado de pontinhos verdes do site Radio Garden.

Selecionando a palavra “Live” e clicando nos pontos, que ficam em diferentes partes do mapa, é possível ouvir ao vivo a programação das rádios de Juazeiro do Norte (Ceará), de São José do Rio Preto (São Paulo), de Marselha (França), de Nairóbi (Quênia) e de muitas outras cidades.

Além de ser uma janela para as ondas AM e FM do mundo, o site tem outras funções. Em “Jingles”, no canto esquerdo, permite explorar jingles e vinhetas de várias rádios do mundo, acompanhados de uma pequena explicação sobre o estilo de cada rádio.

Momentos históricos mapeados

Há, inclusive, registros históricos: o jingle que toca no ponto correspondente a Minneapolis, nos EUA, é de 1926 e é creditado como o primeiro jingle cantado da história, uma propaganda de cereal matinal da marca Wheaties, interpretada pelo quarteto vocal Wheaties Quartet.

O site explica como as vinhetas misturam os gêneros musicais mais populares de uma época em suas melodias e permite incursões culturais e históricas na realidade de cada país.

A transmissão de uma rádio russa com a ida da primeira mulher para o espaço, Valentina Tereshkova, também está registrada ali. O anúncio foi feito em inglês, para que fosse inteligível para os americanos, com quem a União Soviética disputava a corrida espacial da Guerra Fria. Ele pode ser ouvido na aba “History”, também no canto superior esquerdo, um portal no tempo para momentos históricos retratados pelo meio de comunicação.

Também é possível escutar a “Rádio Alice”, emissora que existiu nos anos 1970, na Itália, e, no contexto da contracultura, foi precursora das rádios livres.

A aba “Stories” reúne depoimentos pessoais sobre experiências radiofônicas e a presença do rádio nas vidas das pessoas. Muitos vêm da Conferência de Rádio de 2016, realizado na Universidade de Utrecht, na Holanda.

Um desses relatos  é o do poeta Seamus Heaney, que em seu discurso do Prêmio Nobel em 1995, em Estocolmo, contou como o rádio o fez ouvir a cidade quando ela era um menino nos anos 1940 e vivia em uma fazenda na Irlanda do Norte. Os sons de rádios estrangeiras e até o botão usado para sintonizá-las foram memórias importantes na constituição de sua experiência no mundo.

 

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