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Por que descansar é fundamental para aprender melhor

Estudos indicam que fazer intervalos entre tarefas é bom para a memória e produtividade, já que transmissão de informações no cérebro é mais eficaz durante repouso

     

    Noites mal dormidas de corpos debruçados sobre estudos e trabalho são símbolo de esforço. Mas, segundo a ciência, a prática é ineficiente. Ao que tudo indica, as horas a mais dedicadas a uma tarefa intelectual podem ser prejudiciais ao cérebro. Em contrapartida, vários estudos mostram que descansar de tempos em tempos favorece a memória e a produtividade.

    Quando o cérebro repousa, a memória faz mais associações ou armazena melhor conteúdos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia constataram, por exemplo, que ratos apresentam novos padrões de atividade cerebral quando são colocados em um lugar desconhecido. Mas eles apenas processam esses novos padrões quando fazem um “intervalo” na exploração.

    Isso acontece porque é durante o descanso que o hipocampo - região do cérebro considerada “sede” da memória - transfere informação para ser armazenada no córtex. Sem repouso, a transferência não ocorre ou é feita em menor escala.

    “Provavelmente o tempo ocioso  permite que o cérebro ‘revise’ as experiências, solidifique-as e as torne memórias de longo prazo.”

    Loren Frank

    Professor-assistente da Universidade da Califórnia, ao jornal “The New York Times”

    Pesquisadores da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) chegaram a conclusão semelhante. Eles fizeram testes com 584 alunos de 10 a 15 anos para avaliar o que cada um registrava após uma “soneca” depois da aula. Os resultados mostraram que estudantes que tiravam um cochilo memorizavam melhor o conteúdo acadêmico.

    “A ideia é que você possa usar a soneca como elemento catalisador da memória”

    Sidarta Ribeiro

    Neurocientista da UFRN

    O mesmo vale para a produtividade. Cientistas recomendam que as pessoas trabalhem com foco em períodos de 60 a 90 minutos, e então façam um intervalo. A indicação foi homologada por um estudo do psicólogo sueco K. Anders Ericsson.

    Na pesquisa, Ericsson acompanhou  aulas de treino de violinistas. Chegou à conclusão que bons violinistas praticavam o mesmo número de horas que os de elite - portanto, melhores ainda. No entanto, os de maior destaque mantinham uma rotina em que revezavam horas de prática com momentos de descanso.

    “Descansar o cérebro” não significa necessariamente dormir. Isso pode ser feito de outras formas, como atividades físicas, meditação ou simplesmente mudando o foco da atenção. Cientistas que falaram ao jornal “The New York Times”, no entanto, apontaram que o uso de tecnologia em todos os momentos (durante exercícios físicos, na espera de filas, no transporte público) priva o cérebro desses momentos de descanso.

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