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Temperatura recorde de agora será o ‘novo normal’ em 2025

Como o aquecimento global está transformando anomalias no novo padrão climático global

O termo “novo normal” tem sido usado tanto pela imprensa quanto pela academia para descrever como o aquecimento global está tornando eventos climáticos excepcionais em padrão.

O artigo “Os verões mais quentes da história devem se tornar a norma para metade da população mundial em 20 anos”, publicado em dezembro de 2015 na plataforma on-line IOP, por exemplo, afirma que recordes de temperatura ocorridos entre 1950 e 2012 devem se tornar o “novo normal” em duas décadas.

Publicado em outubro de 2016 no Boletim da Sociedade Americana de Meteorologia por pesquisadores australianos, o artigo “Definindo um novo normal para extremos em um mundo em aquecimento” propõe uma definição mais precisa da expressão “novo normal”.

O trabalho define que no momento em que se atinge um “novo normal” é aquele em que “mais de 50% das anomalias excedem uma referência em magnitude ou intensidade”.

Os pesquisadores usam 2015, que teve a maior temperatura média mundial já registrada, como referência para exemplificar a forma como essa definição pode ser aplicada.

Com o uso de supercomputadores capazes de processar modelos de mudança climática, eles concluíram que as mesmas anomalias de temperatura devem se tornar o “novo normal” em 2025, caso as emissões de gases causadores do aquecimento global continuem a crescer no ritmo atual.

Depois de 2025, metade dos verões será mais quente do que o de 2015 e a outra metade, mais fria, segundo as previsões. Esse tipo de projeção é útil porque pode ser usado para definir e comunicar a pesquisadores e ao público em geral de forma simples o que mudanças climáticas significam.

Análises também podem ser feitas em nível regional

As análises não precisam ser aplicadas apenas para se referir a alterações globais. Podem ser usadas também em diagnósticos sobre mudanças climáticas regionais.

Por exemplo: em 2013, uma onda de calor histórica afetou 70% da Austrália, no que ficou conhecido como “angry summer”, ou “verão raivoso”, em uma tradução livre. As temperaturas se aproximaram de 50º C em algumas localidades, causando incêndios florestais.

Segundo a projeção dos autores, eventos como esse devem se tornar o “novo normal” para a Austrália até 2035 no mais tardar, caso não haja redução de emissão de gases estufa.

“Se não agirmos rapidamente, o ‘verão raivoso’ de 2013 da Austrália pode passar a ser considerado ameno”, afirmou Sophie Lewis, uma das autoras do estudo e pesquisadora da Universidade Australiana, em entrevista concedida ao site da emissora americana de TV CBS.

Segundo os pesquisadores, caso sejam seguidas as metas de redução de emissões estabelecidas em dezembro de 2015 pelo acordo de Paris devem servir principalmente para evitar que anomalias regionais como a australiana se tornem o “novo normal”.

O acordo estabelece como meta limitar o aumento global da temperatura em 2º C até o final do século 21. Essa, no entanto, é a margem máxima. A recomendação do acordo é que o aumento não ultrapasse 1,5º C.

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