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4 filmes de jovens diretoras brasileiras para ver ainda em 2016

Dois curtas, dois longas. Duas ficções, dois documentários. As mulheres têm feito barulho por mais representatividade no cinema e sua produção vem ganhando mais visibilidade

    Temas

    O ano de 2015 foi importante para a discussão sobre a representatividade - e por que não, a representação - feminina no cinema, no Brasil e no mundo.

    Atrizes de Hollywood denunciavam a diferença de salário e de idade entre homens e mulheres nos papéis principais, festivais de cinema internacionais eram alvo de críticas ou abriam espaço para discussões sobre igualdade de gênero e, por aqui, a diretora paulistana Anna Muylaert falava publicamente das situações de machismo enfrentadas no lançamento e promoção de seu filme, “Que Horas Ela Volta?”.

    O debate não morreu em 2016. Mas também assumiu outras frentes, como a criação de mostras e festivais direcionadas a valorizar a produção audiovisual feita por mulheres. Passou-se, para além da discussão, a articular espaços que dessem vazão aos filmes de diretoras, que nem sempre tiveram espaço garantido.

    Em julho, acontecia em Recife a primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Realizadoras, o Fincar. No mês seguinte, o Memorial da América Latina, em São Paulo, recebeu a 1ª Mostra Mulheres e Cinema. O Centro Cultural Banco do Brasil, entre setembro e outubro, apresentou, no Rio e em São Paulo, a mostra “Mulheres em Cena”.

    Considerando essa movimentação política e a força criativa de algumas produções nacionais recentes, que falam de mulheres e foram dirigidas por mulheres, o Nexo listou quatro filmes que merecem atenção especial, dois documentários e duas ficções, dois longas e dois curtas, feitos por jovens cineastas mulheres e exibidos em festivais do país em 2016.

    ‘Câmara de Espelhos’, de Dea Ferraz (2016)

     

    Primeiro longa da diretora pernambucana Dea Ferraz, “Câmara” é um documentário cuja premissa foi a seleção de dois grupos de homens por meio  de um anúncio de jornal, com o objetivo de interagirem entre si mediante a estímulos.

    Colocados em uma sala de estar cenográfica para assistir a trechos de novelas, noticiários, e outros recortes de conteúdos audiovisuais que lidam com a imagem da mulher, os participantes de diferentes faixas etárias emitem juízos sobre o que veem. São flagrados pela câmera em colocações machistas e do senso comum, tornando o filme um exercício de reflexão e desconstrução de preconceitos para quem o assiste.

    “Câmara de espelhos (...) acontece na vertigem do momento em que finalmente se observa aqueles a quem foi dado o poder exclusivo de observar. E faz desse exercício do olhar-quem-olha um laboratório que investiga não somente os discursos brutais do “senso comum” em que a palavra homem é sinônimo de humanidade, mas também a própria mecânica de se fazer cinema, uma arte historicamente pensada por homens para ser vista por outros homens”

    Carol Almeida

    Em uma crítica para a “Revista Continente”, revista de jornalismo cultural baseada em Recife

    ‘Quem Matou Eloá?’, de Lívia Perez (2015)

     

    O curta documental de Lívia Perez, feito em São Paulo, recupera o assassinato de Eloá Pimentel, de 15 anos, pelo ex-companheiro Lindemberg Alves, de 22, ocorrido em 2008 e amplamente espetacularizado pela cobertura televisiva.

    O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Analisar criticamente a abordagem midiática nos casos de violência de gênero, como faz o filme, deixa o espectador mais próximo de entender as bases culturais dessa realidade.

    ‘A Cidade Onde Envelheço’, de Marília Rocha (2016)

     

    O longa-metragem mineiro foi vencedor do 49º Festival de Brasília, onde ganhou quatro prêmios, incluindo o de melhor direção, e trata da experiência de duas jovens portuguesas tentando a vida em Belo Horizonte.

    O tratamento da relação entre Francisca e Teresa, pelo olhar renovado de uma diretora, sem objetificações, o aprova facilmente no Teste de Bechdel, termômetro criado pela quadrinista Alison Bechdel para a representação feminina em obras ficcionais cujo critério é a existência de personagens femininas não coadjuvantes que conversem entre si sobre qualquer assunto que não seja seus relacionamentos com os homens.

    ‘Estado Itinerante’, de Ana Carolina Soares (2016)

     

    Vivi, uma cobradora de ônibus que mora em Belo Horizonte, precisa sair de uma relação em que é vítima de violência doméstica. Ao final do expediente, ela não quer voltar para casa mas não tem para onde ir.

    Curta-metragem ficcional também produzido em Minas Gerais e igualmente premiado e ovacionado na 49ª edição do Festival de Brasília, “Estado Itinerante” constrói a tensão de viver foragida de sua própria casa, ao mesmo tempo em que abriga sua personagem no acolhimento de outras mulheres, companheiras de trabalho que ajudam a libertá-la.

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