Ir direto ao conteúdo

Como candidatos pelo mundo estão se promovendo com a eleição de Trump

Resultado nas urnas dos EUA motiva políticos de direita e extrema-direita de outros países a acreditar que podem trilhar o mesmo caminho do republicano

     

    A eleição do republicano Donald Trump para a presidência dos EUA, em resultado confirmado na madrugada de quarta-feira (09), foi tida como histórica. O país dono da maior economia do mundo optou por um candidato “anti-establishment”, polêmico, com opiniões de extremistas, sem experiência política e que era tido como o azarão desde as primárias.

    Sua presidência deve transformar diretamente a política nos EUA, bem como a forma que o país se posiciona internacionalmente. Mas, além das mudanças que começarão a ser implementadas em 20 de janeiro de 2017, quando ele assume a Casa Branca, algumas outras já começaram a fazer efeito horas depois de sua vitória.

    Políticos de direita e extrema-direita, representantes dos setores mais conservadores de seus países, já usam a história de Trump como um exemplo de sucesso que podem repetir. Tentam, então, transmitir a ideia de que se ele pôde, todos também podem. O Nexo lista alguns desses casos, em países que já entraram, ou estão para entrar, em ciclos de campanha eleitoral.

    Marine Le Pen

    Quem é

    Principal nome da extrema-direita, candidata em 2012 e herdeira política de seu pai, Jean-Marie Le Pen, é novamente a candidata da Frente Nacional para presidir a França em 2017. Em sua página do Twitter, afirma que “as elites estão desconectadas, elas se recusam a ver e entender as pessoas”.

    Como reagiu

    Em entrevista ao canal de TV France2, Le Pen associou a ascensão de Trump ao combate ao terrorismo e à proteção de fronteiras, em um contexto que a segurança nacional é pauta central na França. Ela coloca-se como uma opção de renovação, dado que “os equilíbrios mundiais estão sendo redefinidos”. Para ela, “racializar” o resultado eleitoral americano é um erro de análise: Trump é sobretudo um rompimento com a globalização e uma ação de proteção nacional.

    Nicolas Sarkozy

    Quem é

    O ex-presidente (2007-2012) é pré-candidato em 2017 pelo partido Os Republicanos, e procura usar a eleição de Trump para provar pontos que defende em sua campanha. “A mensagem do povo deve ser entendida”, é a frase em destaque em sua conta no Twitter.

     

    Como reagiu

    Sarkozy relaciona a eleição de Trump e o Brexit (plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia) como parte do mesmo fenômeno. Para ele, o contexto é de “recusa a um pensamento único”, e os eleitores buscam um formato alternativo ao atual modelo de liberalismo no comércio mundial. Ele ressalta que a eleição de Trump comprova a importância da segurança nacional, fazendo constantes lembranças ao “perigo do terrorismo islâmico”. Contudo, ao cumprimentar Hillary, evita associar sua candidatura à de Trump.

    Frauke Petry

    Quem é

    Petry é tida como o rosto da nova direita na Alemanha, liderando o partido AfD (Alternativa para a Alemanha) rumo às eleições federais que acontecem entre agosto e outubro de 2017. Ela apoiou Trump, e postou uma foto no Twitter logo após o resultado nos EUA dizendo “essa noite mudou os EUA, a Europa e o mundo”.

     

    Como reagiu

    Para Petry, os “americanos escolheram um novo começo livre da corrupção e imoralidade. Essa é uma chance histórica”. Criticou também a abordagem da mídia e de políticos ao assunto, que, segundo ela, pintam o empresário como o “apocalipse”, corroborando a tese de Trump do “aparelhamento” da imprensa. Seu partido não deve ganhar maioria no parlamento, mas pode concretizar ganhos nas próximas eleições aproveitando o pior momento no cargo da atual premiê, Angela Merkel.

    Silvio Berlusconi

    Quem é

    Empresário do ramo de comunicações, dono de canais de televisão, ex-presidente do time de futebol Milan e primeiro-ministro italiano por três vezes, sendo a última delas de 2008 a 2011, é um nome forte na política do país e é líder do partido Forza Itália. Em post no facebook, lembrou que sempre foi o “mais leal aliado” dos EUA. O país terá eleições em maio de 2018.

     

    Como reagiu

    Ao parabenizar o também empresário Donald Trump, Berlusconi disse acreditar que o americano irá garantir com “autoridade e equilíbrio” a liderança do “mundo livre”. Também colocou a luta contra a “agressão do terrorismo e do fundamentalismo” como uma das principais tarefas do presidente-eleito, dizendo que o “perigo à paz e à segurança” é um dos grandes desafios do século 21.

    Jair Bolsonaro

    Quem é

    Deputado federal pelo PSC, Bolsonaro pretende concorrer à Presidência do Brasil em 2018. Em pesquisa do Datafolha feita em julho de 2016, Bolsonaro aparece entre os cinco primeiros colocados nas intenções de voto em todos os cenários. Militar da reserva, ele é uma das principais vozes da extrema-direita no Brasil, e, assim como Trump, lida com acusações de machismo e homofobia. Recentemente, a denúncia de quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética contra si foi arquivada - ele homenageou o torturador da ditadura e chefe do DOI-CODI Carlos Alberto Brilhante Ustra antes de votar pelo impeachment de Dilma Rousseff na Câmara.

    Como reagiu

    O deputado brasileiro comemorou nas redes sociais a eleição de Trump, para quem afirma ter torcido durante a campanha nos EUA. “Torci para o Trump [...] vai ser muito mais fácil conversar com ele”. Segundo Bolsonaro, “o politicamente correto foi derrotado pelo Trump”, e “a sinceridade o fez ganhar na Flórida [Estado importante nas eleições dos EUA]”.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!