Por que emojis viraram parte da coleção de arte no Museu de Arte Moderna de Nova York

O MoMA compra acervo original de figuras e provoca discussão sobre os limites da arte moderna

     

    O uso de um emoji sorrindo ao final de uma mensagem para comentar algo, como a promoção no emprego de um amigo, por exemplo, são parte dos novos mecanismos de linguagem da era digital. Um desses símbolos já foi até eleito palavra do ano pelo dicionário Oxford.

    Agora, seu uso como expressão ou ênfase em algum tom de voz, humor ou contexto, seja via celular ou computador, estará também presente, a partir de dezembro, em uma instalação no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA, na sigla em inglês).

    O museu, um dos mais importantes do mundo, comprou uma coleção de 176 emojis originais desenvolvidos pela empresa japonesa NTT DoCoMo. Eles serão exibidos em forma de gráficos e animações em uma tela no lobby do museu.

    “O que nós realmente adquirimos foi uma nova plataforma de comunicação. Mas, ao mesmo tempo, os emojis em si são ideogramas, uma das maneiras mais ancestrais de se comunicar. Eu adoro a maneira como os séculos são conectados”, disse Paola Antonelli, curadora do departamento de arquitetura e design do MoMA. Para o museu, os emojis são, hoje, uma forma de arte colaborativa que se estende por todo o mundo.

    Agora, o set original de emojis ficará ao lado de obras como as latas de sopas Campbell, de Andy Warhol, “A noite estrelada”, de Vicent Van Gogh, e “Autorretrato com cabelo cortado”, de Frida Kahlo. E também do símbolo @, que foi adquirido pelo museu em 2010 - para o museu, incorporar o @ ao seu acervo teve uma importância simbólica: a de que a posse física do objeto já não é mais necessária.

    A iniciativa do MoMA em incorporar esses símbolos reflete uma abertura para outras formas de expressão, ainda que consideradas banais em nosso cotidiano, mas também traz à tona algumas críticas como, por exemplo, o que pode ser considerado arte moderna.

    “O MoMA já foi um espaço de grandeza e lutou por uma arte moderna séria e que valesse a pena. Agora, porém, está perdendo o equilíbrio”, escreveu Jonathan Jones, crítico de arte, para o “The Guardian.” Para ele, essa tendência pode transformar o museu em “mais um empório de arte pós-moderna onde todo espasmo cultural ganha um falso valor.”

    A origem dos emojis do MoMA

    Os emojis comprados pelo MoMA foram desenvolvidos há 17 anos por Shigetaka Kurita, que trabalhava na NTT DoCoMo. A ideia da empresa era facilitar a comunicação de mensagens para celulares com acesso à internet.

    Os símbolos só se popularizaram depois, quando a Apple e o Google passaram a permitir emojis nos sistemas operacionais iOS e Android. As figuras mudaram, ganharam versões diferentes e tiveram seu catálogo aumentado. Hoje, estima-se que existam 1,851 emojis disponíveis, de acordo com o site Emojipedia.org.

     

     

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