Qual o efeito do resultado em São Paulo para os derrotados

Haddad, Russomanno e Marta n��o conseguem levar disputa para o segundo turno. E isso tem consequências para eles e seus partidos

     

    O prefeito Fernando Haddad (PT) adotou o discurso da virada com as primeiras indicações de que ultrapassaria os concorrentes Celso Russomanno (PRB) e Marta Suplicy (PMDB) na votação deste domingo (2). Só não contava que o líder João Doria (PSDB) pudesse vencer a disputa ainda no primeiro turno.

    A definição da eleição em apenas uma etapa na maior cidade do país tem efeito direto na trajetória dos políticos envolvidos na disputa e também nos partidos e projetos os quais eles representam. O Nexo lista abaixo esses impactos.

    O que representa a não ida de Haddad para o 2º turno

    O resultado de Haddad é um revés forte para o PT, partido que sofreu com o impeachment de Dilma Rousseff em agosto e que absorve mais desgaste em razão da Operação Lava Jato.

    A derrota em São Paulo se soma a várias outras pelo país. Pesou contra Haddad, além do cenário nacional, seu alto índice de rejeição, de 45%. Não à toa, o prefeito recorreu também ao discurso de se apresentar como um professor universitário e não como um “político tradicional”.

    O momento mais adverso se refletiu no desempenho de Haddad na comparação com 2012. Há quatro anos, quando disputou pela primeira vez uma eleição, o petista teve 29% dos votos válidos no primeiro turno. Neste domingo, foram 17%.

    O que significa Russomanno no terceiro lugar

    O deputado federal repetiu o filme de 2012. Russomanno liderou as primeiras pesquisas de intenção de voto, mas perdeu força no decorrer da campanha.

    Com o cenário do segundo turno indefinido, Russomanno tornou-se alvo principal dos ataques de Haddad e Marta, que exploraram declarações confusas do candidato. Em entrevistas, se posicionou contrário ao Uber e depois precisou se explicar, dizendo que apenas iria regulamentar o uso do aplicativo.

    Dias depois, questionado sobre sua opinião a respeito da reforma trabalhista em discussão no governo Temer, Russomanno afirmou que sua campanha “naufragaria” se manifestasse sua real opinião.

    Com pouco tempo na TV e filiado ao PRB, um partido pequeno na capital, o deputado novamente não teve estrutura nem militância suficiente para segurar a preferência do eleitor. A exemplo de 2012, ele terminou em terceiro lugar. A diferença é que, em resultados percentuais, Russomanno teve em 2016 menos votos, 14% contra 23% (com 98% dos votos apurados).

    O que significa o quarto lugar de Marta

    A senadora deixou o PT para poder disputar a prefeitura e escolheu o PMDB como novo partido. A opção pela legenda do presidente Michel Temer contribuiu para Marta ter seu pior desempenho nas urnas em uma disputa pelo Executivo paulistano.

    Na briga pela vaga do segundo turno, Haddad colou na adversária a imagem de que ela representava o governo Temer. O petista usou contra ela as propostas que prevê a criação de um teto para os gastos públicos o que, segundo Haddad, vai reduzir os investimentos em saúde e educação.

    Marta evitou falar de Temer, pediu desculpas pelas taxas que criou quando foi prefeita (2001-2004), atacou a gestão de Haddad e focou sua campanha na periferia, onde é mais conhecida. A estratégia, porém, foi insuficiente.

    A ex-petista sai da disputa com 10% dos votos válidos. Em 2000, como candidata do PT, recebeu 38% dos votos válidos e venceu a disputa no segundo turno.

    Em 2004, quando tentou a reeleição, a então prefeita petista recebeu 36% dos votos no primeiro turno. No segundo, ela foi derrotada pelo tucano José Serra.

    Em 2008, ainda filiada ao PT, teve 32% dos votos. Marta também foi para o segundo turno, mas foi derrotada pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD), que se reelegeu.

    Em 2012, o atual vice de Haddad, Gabriel Chalita, era o candidato pelo PMDB. Ele teve 14%.

    O mau resultado de Marta em 2016 também tem reflexos na disputa interna dos tucanos. Enquanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB) apostou na candidatura vitoriosa de João Doria, o ministro das Relações Exteriores de Temer, José Serra, era um aliado informal de Marta.

    Andrea Matarazzo, a quem Serra é bastante ligado, deixou o PSDB, filiou-se ao PSD e se tornou candidato a vice da peemedebista. Assim como Alckmin, Serra tem pretensões de disputar o Palácio do Planalto em 2018.

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