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Quatro exemplos de alianças locais que desafiam a lógica da política nacional

Petistas se unem com tucanos. A ‘nova política’ da Rede se une ao DEM, originado da Arena do regime militar. Abaixo, o ‘Nexo’ traz alguns acordos heterodoxos da disputa municipal de 2016

     

    Petistas e peemedebistas se transformaram em adversários no plano nacional desde que o vice Michel Temer começou a trabalhar abertamente para derrubar Dilma Rousseff da Presidência da República. Consumado o impeachment, não é raro ouvir integrantes do primeiro partido chamarem de “golpistas” representantes do segundo.

    Essa “separação” no âmbito nacional reduziu o número de alianças entre PT e PMDB no âmbito municipal em 2016, mas não eliminou a parceria para a disputa de outubro. Petistas e peemedebistas formam dobradinhas de candidatos a prefeito e vice em 127 cidades brasileiras.

    Esse, porém, não é o tipo de aliança local que mais desafia a lógica dos discursos dos partidos. O Nexo reúne abaixo outras quatro combinações que poderão confundir um eleitor mais atento ao cenário nacional em pelo menos 168 cidades.

    Os adversários de sempre, mas nem sempre: PSDB aliado ao PT

    Em 19 cidades brasileiras, o eleitor poderá dar seu voto para uma dobradinha que nunca existiu no plano nacional ou mesmo estadual. Tucanos e petistas juntam forças na mesma chapa nessas localidades, ignorando uma rixa histórica.

    No plano nacional, PT e PSDB vêm se enfrentando no segundo turno das eleições presidenciais há 22 anos. O tucano Fernando Henrique Cardoso venceu o petista Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno em 1994 e 1998. Lula venceu os tucanos José Serra em 2002 e Geraldo Alckmin em 2006. E Dilma venceu Serra em 2010 e Aécio Neves em 2014.

    Em cidades como Cocal, no Piauí, no entanto, políticos do PT e do PSDB concorrem de mãos dadas. Lá, o tucano Rubens Vieira tem como vice o petista Nonatinho do Sindicato. A situação se repete na mineira Santana do Paraíso, com a dobradinha Zizinho (PT) e Leco (PSDB), em Tufilândia, no Maranhão, com a dupla Vilde (PSDB) e Eliel (PT), e em outras 16 cidades brasileiras.

    A união entre direita e esquerda: PT aliado ao DEM

    A divisão histórica entre o campo que pressionou pela volta da democracia e o campo que deu sustentação aos militares durante a ditadura (1964-1985) não impediu a união entre PT e DEM em nove cidades brasileiras.

    O DEM é, desde 2007, o novo nome do PFL, partido originado do já extinto Arena, guarda-chuva que congregou os setores ligados ao governo militar nos anos 1960 e 1970. Já o PT defende no artigo 1º de seu estatuto de fundação a construção do “socialismo democrático”.

    Além da divisão ideológica de décadas passadas, está também o fato de que o DEM - sob seu antigo nome, PFL - foi o maior aliado do PSDB nas disputas contra o PT em nível nacional.

    Nada disso é problema para Paulo César (PT) e Sigefredo Rodrigues (DEM), candidatos repectivamente a prefeito e vice na mesma chapa em Amontada, no Ceará. Situação semelhante se repete em outras oito cidades.

    O dissidente à casa torna: PSOL aliado ao PT

    A recente aproximação no plano nacional entre PSOL e PT em torno da luta contra o impeachment de Dilma acabou deixando em segundo plano o relacionamento “original” entre os dois partidos.

    O PSOL foi criado em 2004 por um grupo de políticos expulsos do PT. A divergência com o bloco rebelde se deu em relação à votação da reforma da Previdência que Lula queria aprovar no Congresso. Desde então, as duas legendas trilharam caminhos separados.

    A cisão, entretanto, não impediu que, em seis cidades brasileiras, políticos do PSOL e do PT voltassem a trabalhar lado a lado numa disputa eleitoral.

    Um exemplo dessa união em 2016 é a cidade catarinense de Balneário Camboriú, onde o candidato à prefeito Professor Ozawa (PSOL) tem como vice a petista Ana Carolina. O mesmo ocorre na maranhense Açailândia, com a chapa do candidato a prefeito Professor Milton (PSOL) e a candidata a vice Ericeira.

    O contorcionismo da terceira via: Rede aliada ao DEM

    Em sete cidades brasileiras, o tradicional DEM aparece coligado com a Rede Sustentabilidade, partido que, desde sua criação, em 2013, realça sua condição de “nova política” em contraste com partidos tradicionais.

    A aliança heterogênea marca a estreia da Rede em eleições, não apenas em cidades como a mineira Caratinga e a gaúcha Charqueadas, mas também em Macapá, capital do Amapá, onde Clécio Luis (Rede) tem como vice Telma Nery (DEM).

    Os antagonistas do impeachment: PT aliado ao PMDB

    O PT de Lula e Dilma divide chapa com o PMDB de Temer em 127 cidades brasileiras. Essa aliança acontece a despeito da orientação da cúpula petista de que seus candidatos aproveitassem o palanque municipal para denunciar o “golpe”.

    A destituição de Dilma é atribuída pelo PT à articulação feita pelo peemedebista Eduardo Cunha, que aceitou o pedido de impeachment contra a agora ex-presidente, e pelo próprio Temer. O agora presidente da República é chamado de traidor por petistas, por ter subvertido a aliança eleitoral que havia sido firmada com Dilma nas eleições presidenciais de 2010 e de 2014.

    Apesar de tudo isso, os dois partidos estão coligados na disputa pela prefeitura de cidades como Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul, Franco da Rocha, em São Paulo, e Itabira, em Minas Gerais.

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