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Qual o alcance do extremismo budista em Mianmar

Destruição de propriedades, assassinatos e perseguições marcam onda de violência contra minoria islâmica em país do sul da Ásia

     

    Mianmar vive há anos uma situação de violência que inverte o senso comum. Nesse país do sul da Ásia, os muçulmanos pertencentes à etnia Rohingya são os perseguidos. E o extremismo é associado à ação de budistas empenhados em destruição de propriedades, assassinatos, perseguições e expulsões que levaram à fuga forçada de 240 mil pessoas nos últimos quatro.

    Mapa mostra localização de Mianmar
     

    Os rohingya pertencem a um ramo minoritário do islã, confinado no Arracão, o Estado mais pobre do país, na fronteira com o Bangladesh. Já os budistas representam 90% da população de Mianmar e controlam as principais instituições nacionais desde a independência do Reino Unido, em 1948.

    A Organização das Nações Unidas descreve os rohingya como “um povo sem amigos e sem terra”. Eles não têm reconhecida sequer a nacionalidade mianmarense. Essa condição de apátridas, assim como a onda de perseguição, provocam ondas massivas de migrações no Golfo de Bengala. Na chamada “temporada dos botes” - que tem início em setembro, com o fim das monções - milhares de rohingya tentam chegar a salvo à Malásia e à Indonésia.

    O nacionalismo budista

    Capa da revista 'Time' de julho de 2013 sobre violência de grupos budistas
    Capa da revista 'Time' de julho de 2013 sobre violência de grupos budistas
     

    A perseguição é associada principalmente à ação de um grupo nacionalista conhecido como Movimento 969. O número faz menção às virtudes de Buda e o discurso político do grupo traz a religião para o primeiro plano.

    Oficialmente, o Movimento 969 se diz “absolutamente contrário” à violência. Porém, seu discurso político dúbio tem servido de base para atos cometidos por seguidores do movimento.

    O Movimento 969 promete “guardar” o budismo e seus locais sagrados da “difamação” provocada por “elementos subversivos”. Ele associa condenação à violência com a afirmação enfática do direito de agir para garantir “o direito dos países budistas de decidirem qual a política correta nos assuntos religiosos e na área social”, num claro sinal de que não tolera a interferência da minoria muçulmana na política em Mianmar.

    Em 2013, a revista americana “Time” chegou a publicar uma reportagem de capa na qual apresentava o rosto de um monge budista com o título “a cara do terrorismo budista”.

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