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O que é a Grande Muralha Verde da África

Parede de árvores terá importante impacto no ecossistema local e na vida das comunidades que dependem do solo na África subsaariana

     

    Ela foi lembrada discretamente durante a cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio, em meio ao festival de nacionalidades. Mas a passagem foi importante para jogar luz de volta a um projeto concebido há mais de 60 anos e em processo desde 2007.

    A Grande Muralha Verde da África está sendo construída na beirada do Saara com o objetivo de evitar a degradação de terra e a desertificação. Quando estiver pronta, com seus mais de 7.500 quilômetros de comprimento e 14,5 quilômetros de largura, será a maior estrutura viva existente no planeta, superior à Grande Barreira de Coral australiana.

    O projeto surgiu em 1952 como proposta do ambientalista britânico Richard St Barbe Baker. Segundo ele, a criação de uma barreira de árvores na fronteira sul do Saara bloquearia o vento e a areia que voam do deserto em direção ao resto do continente, além de aprimorar a qualidade do solo, graças aos sedimentos acumulados e os nutrientes produzidos pelas árvores.

    Negligenciado por décadas, o projeto foi recuperado em 2005 pelo então presidente da Nigéria Olusegun Obasanjo, que dois anos mais tarde obteve apoio da União Africana para tirá-lo do papel.

    Hoje são mais de 21 países do continente envolvidos na missão. A barreira cruzará 11 deles, indo da capital senegalesa Dakar até o oeste do Djibouti, na costa do Oceano Índico. Cerca de 15% das árvores foram plantadas até agora.

    A muralha

    Gráfico da Grande Muralha Verde
     

    Críticas à iniciativa

    Entre as incertezas depositadas no projeto, está a falta de financiamento e de comprovações sobre seu real impacto. Cientistas, por exemplo, chamaram atenção para o fato de que boa parte da região em que as árvores serão plantadas não é habitada, o que impossibilita a manutenção e aproveitamento do verde criado, apontou a revista americana “Smithsonian”.

    Se por um lado os efeitos da barreira no ecossistema possam ter sido superestimados,  por outro, a muralha tornou-se a ponta do iceberg de um projeto muito maior de proteção ambiental tocado por esses países - cada um deles estabeleceu seus próprios objetivos e tipo de abordagem para a questão.

    O movimento inclui combater a erosão do solo e o manuseio de água na Nigéria, o desenvolvimento do agronegócio no Senegal e a recuperação florestal no Mali. Alguns Estados focaram na educação de comunidades rurais, outros aumentaram os investimentos em tecnologia. E essas ações, sem dúvida, terão impacto na vida local.

     

    Por que a barreira é importante

    Sabe-se que mais de 40% da área rural da região subsaariana está degradada devido a erosão do solo, a atividade humana e as temperaturas elevadas. Segundo uma estimativa das Nações Unidas, em 2025, dois terços das terras aráveis da África estarão cobertos de areia do deserto - o que as torna improdutivas.

    A degradação ambiental da região já foi apontada inclusive como um dos fatores responsáveis pelo crescimento de organizações extremistas, já que grupos como o Boko Haram e al-Qaeda aliciam jovens desempregados e em más condições de vida, apontou o jornal britânico “Telegraph”.

    Desde que o projeto impulsionado pela Muralha Verde começou, cerca de 15 hectares de terra foram restauradas na Etiópia e 20 mil empregos criados na Nigéria, segundo a revista “The Economist”. Os resultados serão apresentados na COP22, conferência global do clima que acontece em novembro de 2016, em Marrocos.  

    A linha de árvores com as demais iniciativas que impulsionou têm o potencial de proteger a herança rural da região e aprimorar as condições de vida das populações locais, aumentando a renda das famílias que dependem do solo para viver. Além disso, podem contribuir para mitigar os efeitos causados pela mudança climática e promover a segurança alimentar da região.

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