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Como o açúcar pode moldar o paladar das crianças

Entidade americana dedicada a doenças cardiovasculares recomenda não dar açúcar a bebês de até dois anos. O risco é moldar o seu gosto em outros momentos da vida

     

    Um documento publicado na segunda-feira (22) pela Associação Americana para Doenças do Coração (“American Heart Association”) recomenda  não dar açúcar processado a crianças com menos de dois anos.

    O açúcar processado é aquele adicionado a refrigerantes ou usado para fazer doces - não entra nessa conta o açúcar natural, presente no leite e frutas.

    “As preferências de gosto começam no início da vida, logo limitar açúcar processado pode ajudar crianças a desenvolver uma preferência duradoura por alimentos mais saudáveis”

    American Heart Association

    Em declaração publicada nesta segunda-feira (22)

    Além disso, jovens de entre 2 e 18 anos devem consumir menos do que seis colheres de açúcar processado diariamente. As recomendações foram divulgadas um dia antes da publicação do artigo científico nas quais se baseiam: “Açúcares adicionados e o risco de doença cardiovascular em crianças”, publicado na revista “Circulation”, ligada à entidade. Para produzir o documento, o trabalho analisou uma série de artigos científicos antigos sobre consumo de açúcar.

    Pais sabem que, quando se trata de nutrição infantil, não faltam recomendações. Uma das formas de decidir quais seguir é buscar entender qual o raciocínio por trás delas e qual o possível efeito de desrespeitá-las.

    Por que vetar açúcar para crianças com até dois anos de idade

    A recomendação de vetar açúcar para crianças de até dois anos parte do estudo “Preferências de doce ou amargo durante a infância: O papel de experiências cedo”, publicado em 2002 na revista “Developmental Psychobiology”.

    A experiência foi realizada com crianças de 4 a 7 anos de idade, mas na leitura dos pesquisadores da Associação Americana para Doenças do Coração, suas descobertas valem para as crianças mais novas.

    • O estudo recrutou 83 crianças a partir de anúncios de jornal direcionados às suas mães. Elas foram divididas em grupos de 4 a 5 e de 6 a 7 anos de idade.
    • Durante dois dias, as crianças tiveram as suas preferências por gosto doce e azedo testadas. Para isso, 12 soluções de suco de maçã com diferentes graus de doçura e gosto azedo foram testadas. Elas também foram questionadas sobre quais tipos de cereais e doces preferiam.
    • Enquanto os testes ocorriam, as mães preencheram formulários sobre os hábitos alimentares de seus filhos. A pesquisa perguntava com o que as crianças haviam sido alimentadas quando bebês - se com leite materno ou fórmula infantil hidrolisada, que é mais azeda - a frequência com que adicionavam açúcar a alimentos e os tipos de cereal e doces que elas julgavam que seus filhos mais gostavam. Com isso, os pesquisadores buscavam entender o que poderia ter influenciado nas preferências de paladar dos jovens.

    O trabalho concluiu que crianças de 4 a 5 anos de idade que tinham recebido fórmulas infantis hidrolisadas tendiam a ter uma preferência maior por sucos azedos. O tipo de leite consumido não tinha influência sobre a preferência por gostos doces.

    E crianças cujas mães costumavam adicionar açúcar em suas dietas tinham uma preferência maior por suco de maçã com adição de açúcar. Elas também afirmaram que preferiam cereais com uma quantidade maior de açúcar quando comparadas com crianças cujas mães afirmaram que nunca adicionavam açúcar aos alimentos.

    “Essas descobertas corroboram pesquisas anteriores demonstrando que experimentar água adoçada durante o início da vida resultava em preferências maiores por água adoçada aos dois anos de idade e que a preferência por gostos mais doces, como demonstrado por métodos psicofísicos, se relaciona à ingestão de carboidratos na vida adulta”

    Estudo “Preferências de doce ou amargo durante a infância: O papel de experiências cedo”, publicado em 2002

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