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Dilma ficará frente a frente com ex-ministros que agora são seus adversários: quem são eles

Seis parlamentares que antes faziam parte do governo petista agora devem votar contra a presidente afastada

     

    A presidente afastada Dilma Rousseff reencontrará no Congresso - provavelmente no dia 29 de agosto - seis senadores que foram membros do primeiro escalão de seu governo e hoje estão contra ela.

    Nessa sessão de julgamento do impeachment, ela terá 30 minutos para discursar. Depois, ouvirá perguntas dos parlamentares, sem ser obrigada a respondê-las.

    O desfecho do caso deve ocorrer no dia 31 de agosto, com o afastamento definitivo da petista, hipótese mais provável, ou sua volta ao Palácio do Planalto.

    Apesar do passado em comum, todos os ex-ministros de Dilma se voltaram contra ela e votaram “sim” na sessão plenária que decidiu transformar a presidente afastada em ré por crime de responsabilidade, do dia 10 de agosto, por 59 votos a 21.

    Dos seis ex-ministros que agora se converteram em algozes da petista, quatro são do PMDB, mesmo partido do presidente interino Michel Temer. Um é do PSB e outro, do PRB.

    Mudando de lado

    Eduardo Braga (PMDB-AM)

    Além de ministro de Minas e Energia de janeiro de 2015 a abril de 2016, Braga foi também líder do governo no Senado, de março de 2012 a dezembro de 2014, durante o mandato de Dilma, portanto. O ex-ministro defendeu a petista no início do processo de impeachment, quando ainda estava no governo, mas acabou deixando o cargo, se afastando dela e mudando de lado.

    Edison Lobão (PMDB-MA)

    A exemplo de Braga, Lobão também esteve à frente das Minas e Energia - primeiro durante o mandato do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, e, em seguida, no primeiro dos dois mandatos de Dilma, de janeiro de 2011 até o fim de 2014. Lobão votou a favor da abertura do processo de impeachment de Dilma, mas fez ressalvas: “Venho a esta tribuna sem nenhum prazer. Eu não vim aqui pra tripudiar sobre uma gladiadora ferida”, afirmou.

    Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)

    Assumiu a Integração Nacional em janeiro de 2011, no primeiro mandato de Dilma, e permaneceu no posto até outubro de 2013, quando saiu para se dedicar à campanha por uma vaga no Senado. Começou se opondo ao impeachment da presidente, mas mudou de lado em seguida e defendeu a abertura do processo de afastamento definitivo da presidente.

    Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)

    Foi indicado pelo PMDB para assumir o Ministério da Previdência em dezembro de 2010. Ficou no cargo durante todo o primeiro mandato de Dilma, até pedir demissão, em janeiro de 2015. “Peço a Deus para que Michel Temer possa abrir uma perspectiva inovadora para o nosso país”, disse ao votar pela abertura de processo contra a presidente afastada no Senado.

    Marta Suplicy (PMDB-SP)

    Respondeu pela Cultura de Dilma até novembro de 2014, quando entregou o cargo e se desfiliou do PT, pondo fim a 33 anos de militância no partido. Marta se converteu numa das críticas mais ferrenhas não apenas de Dilma, mas do PT, partido contra o qual concorre à Prefeitura de São Paulo, nas eleições de outubro.

    Marcelo Crivella (PRB-RJ)

    Foi ministro da Pesca entre 2012 e 2014, quando deixou o posto para se candidatar ao governo do Rio de Janeiro. Na ocasião, o escolhido para substitui-lo foi seu suplente no Senado, Eduardo Lopes, também do PRB do Rio. Crivella declarou voto favorável ao impeachment no Senado, mas fez ressalvas: “Não queria e não quero. Não desejava e não desejo. Cumpro aqui um duro dever diante dos fatos, do que me impõe o povo brasileiro, sobretudo minha gente, o povo fluminense”, disse.

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