O que a ciência tem feito para transformar água suja em água potável

Tecnologia consegue separar resíduos e limpar água com lama, urina e água salgada em produto próprio para consumo humano

 

Cerca de 71% da superfície do planeta Terra é coberta de água. Mas 96,5% dessa água é salgada - o que a torna inadequada para consumo. Os outros 3,5% da água do planeta estão nos rios, geleiras, lagos e lençóis subterrâneos.

Não há um consenso científico sobre quanto tempo a água doce não poluída do planeta vai durar. Ou seja, quanto tempo essa fonte conseguirá se renovar numa proporção mais rápida do que o homem é capaz de torná-la imprópria.

O fato é que a escassez de água trará impactos não só no consumo direto dos humanos, mas também em outras áreas que dependem diretamente dela, como a produção de alimentos, vegetais e animais.

A poluição da água também traz outras consequências, como  epidemias, aumento da mortalidade infantil e o crescimento de conflitos armados para disputar fontes potáveis.

Para tentar lidar com o problema, há hoje uma tentativa, tanto do poder público quanto de organizações não-governamentais, de se reduzir o consumo. Enquanto isso, a ciência investiga maneiras de reaproveitar a água que já foi consumida e agora está poluída, além de usar a água do mar. Estas são algumas das iniciativas recentes mais inovadoras na área:

Recuperar água da urina

Um estudo publicado em abril de 2016 por cientistas da Universidade de Ghent, na Bélgica, investigou a possibilidade de recuperar água potável a partir da urina humana por meio de um processo chamado destilação por membrana.

Há outros métodos científicos para recuperar a água presente na urina, mas este tem a vantagem de ser mais eficiente não só na recuperação da água, mas também na separação da amônia, que pode então ser reutilizada e empregada em outros processos industriais.

A conclusão do estudo é de que pelo menos 75% da água presente na urina pode ser separada e reutilizada para consumo humano, sem falhas no processo.

 

Água salgada

Não é uma novidade: muitos países no Oriente Médio e no norte da África, que têm pouco acesso a água doce de rios, lagos e represas, dessalinizam a água salgada para produzir água própria para consumo humano.

A técnica mais comum se chama osmose reversa, e usa uma espécie de plástico poroso para filtrar o sal e separar o líquido. Um dos mais antigos é a evaporação, que recolhe a água evaporada - sem sal - para uso.

As iniciativas que inovam nesta área são as mais rápidas e baratas. Um exemplo é este projeto piloto de 2015 da Universidade de Alexandria, no Egito. Ele usa membranas e evaporação para separar a água doce do sal em minutos.

Esse tipo de processo recupera, em média, cerca de um terço da água salgada e a transforma em água potável. O problema é o subproduto do processo, uma salmoura que não pode ser descartada em terrenos sob o perigo de tornar a terra infértil e desequilibrar o ecossistema local.

Água com resíduos

Sob o mesmo princípio de um dos processos que recupera água salgada, um projeto de 2011 da Universidade Federal de Santa Catarina construiu um dispositivo que custa R$ 500, funciona com a energia do sol e é capaz de produzir 8 litros de água potável por dia a partir de uma caixa d’água cheia de água salgada ou cheia de lama.

Trata-se de uma solução válida para pequenas comunidades, mas que pode ser escalada para produzir mais água no futuro.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Já é assinante?

Entre aqui

Continue sua leitura

Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: