Nelson Jobim: 6 fatos sobre o político que foi de ministro do Supremo a sócio de banco

Com atuação nos Três Poderes da República, ele aceitou participar de reestruturação do BTG Pactual, que teve um presidente preso na Lava Jato

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    Na vida pública brasileira, é difícil achar alguém que tenha tido uma atuação tão ampla quanto Nelson Jobim. Com múltiplas passagens pelos Três Poderes da República, o político gaúcho hoje com 70 anos foi anunciado na terça-feira (28) como novo sócio, membro do conselho de administração e responsável por relações institucionais e compliance do banco BTG Pactual.

    O banco de investimento faz uma reestruturação interna para tentar se recuperar da desconfiança trazida pela prisão de seu ex-presidente e fundador, André Esteves, pela Lava Jato. O banqueiro foi preso na operação sob suspeita de participar da elaboração de um plano de fuga para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

    A prisão de Esteves atingiu em cheio as ações do BTG Pactual, que foi assumido pelo economista Pérsio Arida, um dos formuladores do Plano Real. É dentro desse projeto de tentar retomar a confiança que o banco contrata agora o ex-deputado constituinte, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro de três presidentes. Nelson Jobim também receberá participação acionária na instituição financeira.

    “A vinda do ministro Nelson Jobim é mais um importante passo em direção ao aprimoramento da gestão do BTG Pactual. Sua notável trajetória, experiência e conhecimento contribuirão para aperfeiçoar ainda mais a governança do banco.”

    Persio Arida

    presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual

    Constituinte e relator do impeachment

    Advogado, Jobim foi deputado federal por dois mandatos consecutivos, entre 1987 e 1994, pelo PMDB. Participou da Assembleia que formulou, discutiu e aprovou, em 1988, a atual Constituição brasileira.

    Reeleito em 1990, foi relator da Comissão Especial que analisou na Câmara o impeachment de Fernando Collor de Mello. Seu parecer, aprovado pela comissão, apontava crime de responsabilidade de Fernando Collor e recomendava o impedimento.

    Ministro da Justiça de FHC

    Ainda em 1994, foi escolhido pelo recém-eleito Fernando Henrique Cardoso como ministro da Justiça. Era a primeira passagem do ex-parlamentar pelo poder Executivo.

    Homem de confiança do presidente, Jobim só deixou o Ministério em 1997, quando foi indicado pelo próprio Fernando Henrique para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

    Presidente do STF

    Apesar de ser advogado por formação e professor de Direito, Nelson Jobim foi indicado ao Supremo depois de ter passado os dez anos anteriores se dedicando majoritariamente à política. Foi ministro do STF entre 1997 e 2006. Entre 2004 e 2006 foi o presidente do tribunal.

    Atuou também no Tribunal Superior Eleitoral. Foi o responsável pelo processo eleitoral de 2002, que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República.

    Ministro de Lula e Dilma

    Um ano e quatro meses após deixar o Supremo (ele se aposentou do tribunal a pedido), Jobim aceitou um convite de Lula para ser Ministro da Defesa. A pasta vivia um momento conturbado com a crise no setor aéreo. Em menos de um ano, dois acidentes aéreos haviam matado mais de 350 pessoas em Mato Grosso e São Paulo.

    Jobim assumiu o Ministério da Defesa uma semana depois do segundo acidente, que matou 199  pessoas no aeroporto de Congonhas. Mais tarde, Lula diria que aquele foi seu pior momento na Presidência da República.

    Ministro de Dilma, votou em Serra

    Jobim foi ministro da Defesa por cinco anos e, além de Lula, teve Dilma Rousseff como chefe por um curto período. Uma série de desgastes entre o então ministro da Defesa e a recém-empossada presidente levaram à exoneração em agosto de 2011.

    Declarações de Jobim, considerado muito ligado aos tucanos, irritaram membros do governo. Em discurso durante o aniversário de 80 anos de Fernando Henrique Cardoso, ele disse que “os idiotas perderam a modéstia”. Também nessa época, ainda no cargo, ele admitiu que, mesmo sendo ministro de um governo petista, não havia votado em Dilma na eleição de 2010. O escolhido havia sido o tucano José Serra, seu amigo pessoal e padrinho de casamento.

     

    Consultor de réus da Lava Jato

    Nelson Jobim está sem cargo público desde a saída do Ministério da Defesa, mas não perdeu sua influência. Palestrante e professor, o ex-ministro atuou nos últimos anos como consultor de empresas envolvidas na Operação Lava Jato.

    Com conhecimento do Judiciário, próximo ao ex-presidente Lula e com bom trânsito no PSDB e no PMDB, Jobim era considerado importante para a estratégia de defesa de empreiteiras. Assume agora papel central no BTG, também em apuros com a Lava Jato.

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