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Como o presidente russo foi parar no centro da eleição americana

Acusado de espionar mensagens da campanha democrata, Vladimir Putin é ‘convidado’ por Trump a publicar 30 mil e-mails enviados por Hillary quando ela era secretária de Estado

     

    O nome do presidente russo Vladimir Putin foi parar no centro do debate eleitoral americano. O serviço de inteligência dos EUA suspeita que espiões a mando de Moscou tenham penetrado nos computadores do Partido Democrata, de Hillary Clinton, durante as primárias, e roubado 20 mil mensagens.

    O que na sexta-feira (22) começou como um incidente diplomático e eleitoral, na quarta-feira (27) se transformou num debate sobre “traição à pátria”, depois que o candidato republicano Donald Trump conclamou os russos a seguirem adiante no suposto intento de violar correspondências de políticos americanos.

    Veja a evolução do caso em dois momentos e quais suas implicações para a campanha eleitoral americana e para a relação entre os governos dos EUA e da Rússia.

    E-mails de campanha

    Milhares de e-mails foram extraídos dos servidores do Partido Democrata e tornados públicos na sexta-feira (22), primeiro por um hacker e, em seguida, pela WikiLeaks - autodenominada uma “organização multinacional de mídia e uma biblioteca associativa, fundada por Julian Assange em 2006”.

    A inteligência americana afirmou ao presidente Barack Obama que duas agências russas estão por trás da invasão dos servidores. Elas já haviam sido apontadas como responsáveis por outras  duas ações semelhantes em 2015, contra o Departamento de Estado e contra o Comando Conjunto das Forças Armadas. A Rússia negou envolvimento com todos esses episódios.

    O conteúdo de algumas das mensagens vazadas foi interpretado como um sinal de que, internamente, o Partido Democrata torcia pela vitória de Hillary contra o rival Bernie Sanders nas primárias (quando nomes do mesmo partido disputam uma prévia para saber quem será o candidato). Hillary de fato venceu Sanders e foi nominada.

    Outra polêmica é a tese de que os russos têm interesse numa vitória de Trump na eleição nacional de 8 de novembro porque o republicano já deu sinais de que enfraqueceria a participação dos EUA na Otan, a aliança militar que rivaliza com Moscou em áreas estratégicas do Leste Europeu.

    E-mails do Departamento de Estado

    Esse primeiro incidente foi tomado com gravidade em Washington e já representava um problema para as relações conturbadas entre russos e americanos. Mas Trump conseguiu aumentar ainda mais os danos do episódio.

    Na quarta-feira (27), ele convocou uma entrevista coletiva e, nela, conclamou os russos a violarem mensagens que Hillary enviou quando era secretária de Estado do governo de Barack Obama. Veja a declaração:

    “Rússia, se você estiver ouvindo, espero que você consiga encontrar os 30 mil e-mails que estão faltando. Acho que você vai ser muito bem recompensada pela nossa imprensa”

    Donald Trump

    Candidato republicano à presidência dos EUA, em entrevista coletiva no dia 27 de julho

    Os “e-mails que estão faltando” são uma referência a um escândalo que persegue Hillary desde que ela assumiu a Secretaria de Estado (responsável pelas relações exteriores), em 2009.

    Na época, Hillary usou uma conta privada de e-mail para receber e enviar mensagens de governo que, posteriormente, foram classificadas como sigilosas. A atitude dela levantou suspeitas de vazamento de informações sensíveis e acusações de negligência.

    Trump ressuscitou o episódio para atacar a rival, mas, com seu jeito habitualmente espalhafatoso, provocador e agressivo, acabou levantando acusações de “traição à pátria”, ao incitar uma potência estrangeira a invadir os computadores e divulgar mensagens confidenciais do governo americano.

    “Isso [a fala de Trump] deixou de ser uma questão de curiosidade, deixou de ser uma questão política, para se tornar um assunto de segurança nacional”

    Jake Sullivan

    Conselheiro político de Hillary

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