Como discutir respeitosamente, segundo o guia oficial da Universidade de Nova York

Lista de recomendações válida para colóquios e mesas de debate sugere respeito, construtividade e inclusão nos debates filosóficos

     

    O acirramento de posições políticas no cenário brasileiro levou ao fim de amizades e relacionamentos de anos, brigas com familiares e, principalmente, nos instou a refletir sobre como fazer um debate político sem ofender a outra parte.

    Ainda assim, sugestões sobre como discutir de maneira educada nunca ficam velhas - a prova é que as caixas de comentários do Facebook seguem inundadas por barracos políticos e conceituais. E o guia para debates filosóficos respeitosos da Universidade de Nova York, disponibilizado em inglês no site da universidade, é um bom ponto de partida.

    De acordo com o documento, a ideia é encorajar os membros do departamento de filosofia a serem respeitosos, construtivos e inclusivos em discussões filosóficas. As recomendações valem para colóquios e mesas de debate, mas o departamento encoraja os alunos a usarem essas convenções em seminários e grupos de leitura, também.

    “Se alguma das regras for perceptivelmente violada, a mesa de debate é encorajada a apontar isso (um toque gentil geralmente funciona melhor), no momento ou depois. [...] Vale lembrar que violar essas regras não transforma alguém em uma pessoa ruim”, diz um trecho das orientações no material.

    Leia a íntegra do guia, traduzido para o português

    Respeito

    • Seja gentil
    • Não pareça incrédulo, faça caretas, aparente desdém revirando os olhos, não ria do participante ou comece conversas paralelas.
    • Não apresente objeções como se fossem verdades absolutas, sem espaço para uma resposta ou debate.
    • Não fale por cima dos outros, especialmente no início de uma conversa (mais tarde, numa fala ou discurso longo, há mais espaço para debate com interrupção, mas é sempre bom deixar as pessoas expressarem seu ponto de vista antes).
    • É bom reconhecer as contribuições de seu interlocutor e os de outros participantes.

    Construtividade

    • Não há problema em fazer objeções, mas também é sempre legal fazer colocações construtivas sobre o projeto do interlocutor. Até objeções podem ser feitas de maneira construtiva, e até objeções destrutivas podem vir acompanhadas de um insight positivo.
    • Se você se pegar pensando que o projeto é inútil e que ele não acrescenta nada, pense duas vezes antes de fazer sua pergunta.
    • Tudo bem questionar pressupostos de um projeto ou uma área, mas discussões nos quais essas questões são dominantes podem não ser produtivas.
    • Não há razão para permanecer insistindo na mesma objeção, individualmente ou coletivamente, até que o palestrante desista.
    • Lembre-se que filosofia não é uma equação cujo resultado é zero.

    Inclusão

    • Não domine a discussão (exceção parcial para o palestrante)
    • Tente não deixar sua questão (ou resposta) durar para sempre. Levante um questionamento por pergunta (desenvolver uma linha de pensamento é ok, mas perguntas de tópicos diferentes podem esperar). Normalmente, você poderá falar mais com o debatedor no fim do evento.
    • Tudo bem fazer uma pergunta que você acha boba ou desinformada.
    • Não use exemplos ofensivos desnecessários.
    • Mediadores devem tentar equilibrar a discussão entre os participantes, priorizando gente que não falou antes, e mantendo em mente a probabilidade de viés (por exemplo, viés de gênero implícito) quando escolhe quem vai poder fazer perguntas ou aplica essas regras.

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