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Por que rótulos deverão trazer informação sobre presença de lactose nos produtos

Intolerância ao açúcar do leite causa diarreia, náusea, gases e cólicas e aparece com mais frequência a partir dos 12 anos

 

A partir de 2017, a indústria brasileira de alimentos terá que informar no rótulo de embalagens, a presença de lactose na composição dos produtos. A justificativa para a medida é o aumento no diagnóstico de pessoas com intolerância à lactose no país.

Sancionada pelo presidente interino Michel Temer (PMDB), a lei que prevê a medida foi publicada no “Diário Oficial da União” desta terça-feira (5). Ela entra em vigor em 180 dias, a partir de 1° de janeiro de 2017. Mas o que é a intolerância à lactose e como ela se desenvolve?

O que é a intolerância à lactose?

A lactose é um açúcar contido no leite. O corpo humano a digere com o auxílio de uma enzima chamada de lactase, produzida no intestino delgado. Ela quebra a lactose, que se transforma em glicose e galactase.

Em entrevista ao Nexo, Rejane Mattar, médica do setor de gastroenterologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que a intolerância à lactose não pode ser considerada uma doença e segue uma predisposição genética presente na maior parte da população.

Quem é intolerante à lactose tem uma produção baixa de lactase e não consegue digerir completamente o açúcar do leite. No geral, esse problema não causa grandes danos, mas pode trazer sintomas incômodos com o consumo de leite e derivados. Esses sintomas são:

  • Diarreia
  • Náusea
  • Gases
  • Cólicas
  • Desconforto

Esses problemas aparecem porque, ao não ser quebrada, a lactose se acumula no intestino grosso, onde é fermentada por bactérias. A fermentação tem dois subprodutos: ácido lático e gases.

“A pessoa apenas terá sintomas se consumir lactose numa quantidade superior a um copo de leite”, afirma Rejanne.

Causas para a intolerância à lactose

Deficiência congênita

Há crianças que nascem com problemas genéticos que impossibilitam a produção da lactase. Nesses casos, o bebê apresenta sintomas como, por exemplo, diarreia ao ingerir o leite materno de uma mãe que consome produtos com lactose. Esse é o tipo mais raro de intolerância.

Doenças intestinais

Problemas que afetam o intestino delgado também podem diminuir a produção da lactase. Esses incluem lesões nos órgãos, doenças ou desnutrição e quimioterapia.

Deficiência primária

Também chamada de deficiência genética, ocorre com a queda da produção de lactase durante a vida. A médica Rejane Mattar, do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que esse tipo de problema pode aparecer a partir dos cinco anos de idade. Ocorre, no entanto, com mais frequência a partir dos 12.

No Brasil

Um estudo realizado com 567 adultos brasileiros e publicado em 2009 no “Nutritional Journal” buscou apontar a proporção de casos de intolerância à lactose.

62,8%

Tinham deficiência de lactase, ou intolerância à lactose

Como identificar intolerância à lactose

O exame para determinar a intolerância à lactose pode ser feito pelo SUS. O paciente em jejum recebe uma dose de lactose e, posteriormente, tem uma amostra de sangue testada. Se o nível de glicose se mantiver inalterado, isso quer dizer que a lactose não foi quebrada, ou seja, há insuficiência de lactase para fazer a quebra.

Tratamento

Não há uma forma de reverter a intolerância à lactose, mas é possível mudar a dieta para sofrer menos com a questão.

A proporção de lactose no leite de vaca é de 5%, por isso leite e derivados com alto teor de lactose devem ser evitados. Segundo Rejane Mattar, requeijão, creme de leite e leite condensado - e, consequentemente, doces como o pudim - estão na lista dos derivados com alto teor de lactose.

Queijos não têm lactose, afirma a médica. Iogurtes e coalhadas naturais, são obtidos através da fermentação, que quebra a lactose e diminui a sua proporção nos produtos.

“A medida de colocar no rótulo a presença de lactose nos alimentos será muito benéfica para a maioria dos brasileiros, que não vai mais precisar ficar lendo os rótulos de ingredientes dos alimentos industrializados - muitas vezes em letra bem pequena - para saber se tem soro de leite ou se tem lactose”

Rejane Mattar

Médica do setor de gastroenterologia do Hospital das Clínicas de São Paulo

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