Ir direto ao conteúdo

Como a luz artificial das cidades pode afetar o ciclo das árvores

Pesquisas apontam que árvores ficam com os "sensores" confusos pela luz; confusão nos ciclos pode ter impacto no equilíbrio ambiental

     

    As luzes das cidades podem afetar diretamente o desenvolvimento das árvores do espaço urbano e alterar seus ciclos. Cientistas da Universidade de Exeter, na Inglaterra, publicaram um estudo no dia 29 de junho que identificou que a luz artificial altera o “relógio biológico” das árvores.

    O resultado observado pelos pesquisadores é que, no fim do inverno e começo da primavera, as árvores brotam ramos e folhas cerca de 7 dias antes em áreas muito iluminadas, em comparação com as árvores das áreas com menos iluminação artificial.

    Pesquisa analisou 13 anos de dados

    A pesquisa analisou uma base de dados com os registros de brotamento de árvores entre o inverno e a primavera no Reino Unido, imagens noturnas feitas de satélite e a temperatura média da primavera. O material equivalia a 13 anos de registros.

    Comparando as informações, os autores do estudo identificaram a antecipação no brotamento das árvores nas áreas mais iluminadas - que não se explicava apenas pelas variações de temperatura nesses locais.

    Para os cientistas, “esse avanço dramático no brotamento ilustra a necessidade de aumentar as investigações experimentais do impacto da luz artificial noturna nas plantas e consequente interação entre as espécies”.

    A preocupação é que, já que o ecossistema do planeta é integrado e interdependente, as luzes artificiais possam causar um efeito em cadeia. Com árvores desabrochando mais cedo e antecipando, na prática, a primavera, há a possibilidade de desequilíbrio ambiental e que outras espécies animais e vegetais sejam afetadas.

    Luz artificial confunde ‘sensores’ das plantas

    Foto: Michelle Kinsey Bruns/Flickr/Creative Commons
    No inverno, a árvore fica mais exposta às ações do vento e da neve quando está cheia de folhas

    Cientistas já sabem que a luz artificial, especialmente do espectro vermelho e infravermelho, não é capaz de gerar fotossíntese mas tem impacto no processo químico das plantas. Ela altera o “senso de dia” das árvores.

    Um estudo de 2002 da Florida Atlantic University, nos EUA, apontou que luzes do tipo aumentam - para as árvores - a sensação de que ainda é dia. E isso muda os padrões de crescimento das flores e promove o crescimento da árvore para além de quando é seguro.

    A ideia é que, com os dias parecendo mais longos, as árvores se comportam como se estivessem no verão, estação na qual os dias são mais longos. Por isso, suas folhas continuam crescendo.

    No entanto, quando o inverno se aproxima, é fundamental para a sobrevivência da planta que as folhas caiam. Com as copas frondosas, as árvores ficam mais sujeitas à ação do vento - mais frequente no inverno - e podem ter os galhos quebrados com o acúmulo de gelo e neve. Isso tudo danifica a planta e pode matá-la.

    É por isso que as folhas caem. Esse processo é estimulado, na planta, pela interação com a presença de luz por períodos menores de tempo - os dias mais curtos no inverno.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa Equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project. Saiba mais.

    Mais recentes

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!