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Como um pesquisador descobriu a fórmula para encontrar o Wally

Série de livros criada nos anos 1980 ‘camufla’ personagem em multidões. Agora, há um método para a busca que aumenta as chances de sucesso

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    A pergunta “Onde está Wally?” fez a diversão de crianças e adultos, a partir do fim da década de 1980, com a série homônima de livros - obra do ilustrador inglês Martin Handford.

    Nela, o personagem inconfundível (mas nem por isso facilmente discernível nas multidões) de gorro, óculos redondos e blusa listrada de vermelho e branco desafia o leitor a encontrá-lo na praia, no Império Romano ou na cidade, camuflado em meio a objetos e personagens curiosos realizando as mais diversas peripécias para distrair o olhar de quem busca.

     

    Pesquisador na Universidade da Pensilvânia, Randal S. Olson decidiu dedicar um fim de semana em 2015 para colocar à prova o mapeamento, feito pela revista “Slate”,  das 68 posições em que o homenzinho de listrado já tinha sido encontrado em ilustrações dos sete primeiros livros da série.

    Olson considerou a estratégia proposta falha e decidiu elaborar sua própria, usando um computador. As coordenadas de Wally naquelas sete edições deram origem ao diagrama de pontos feito pelo pesquisador, visto abaixo:

     

    Em seguida, o cientista estimou, por meio de um cálculo de densidade baseado em uma fórmula estatística, algumas tendências de aparição do personagem:

    Onde não está Wally?

    Wally nunca está na parte de baixo da página da direita.

    Uma explicação para isso é que, na virada de página, esse quadrante específico fica muito evidente

    Wally raramente está nas bordas de página.

    Ben Blatt, autor do artigo na Slate sobre a estratégia de localização do viajante de um traje só, especula que isso acontece porque as margens são lugares óbvios, por onde as pessoas geralmente começariam sua busca

    Ele quase nunca aparece no canto esquerdo superior da página.

    O topo esquerdo sempre trazia um cartão postal com uma descrição e alguns fatos sobre o cenário da vez, e ficava descartado como esconderijo de Wally

    O pesquisador chegou à conclusão de que o melhor método para chegar a uma busca otimizada por Wally era através de um algoritmo genético. Esse tipo de algoritmo consiste em uma técnica usada nas ciências da computação para encontrar soluções aproximadas em problemas de otimização e busca, justamente o tipo de problema enfrentado ao tentar achar Wally. O gif abaixo (“Waldo” é o nome do personagem na versão americana) demonstra as trajetórias de procura que ligam posições onde Wally já foi visto,  chegando por fim à rota “otimizada”, aquela que leva menos tempo para encontrá-lo:

     

    O algoritmo deu origem à solução mostrada na imagem abaixo, com um traçado que representa um dos caminhos mais curtos a serem seguidos na página para encontrar Wally. Se seguido exatamente como está, Olson afirma ser provável encontrá-lo muito mais rápido.

    CAMINHO OTIMIZADO DE BUSCA

     

     

    Muito sinuoso e difícil de lembrar, o “caminho ótimo” de busca por Wally pode ser traduzido em algumas dicas gerais sobre a forma mais eficiente de encontrar o personagem.

    Por onde começar a buscar Wally

    A parte de baixo da página esquerda é um bom lugar para começar

    Se Wally não está na metade inferior da página do lado esquerdo, ele provavelmente não está nessa página

    A quarta parte superior da página direita é o próximo lugar a ser olhado

    Aparentemente, ele gosta de ficar nesse lugar

    Olhe o canto inferior direito da página da direita

    Wally não costuma se esconder na metade esquerda dessa página

    Se com isso não for possível encontrá-lo, o cientista diz termos o que em estatística se chama de “valor aberrante”: uma localização que destoa do padrão da série.

    Nesse caso, é bom checar os meios de página ou o topo esquerdo e direito. Olson determinou que, no primeiro livro, a localização de Wally está “fora do normal” em nada menos do que quatro situações. Mas, para os aficcionados pela busca do viajante, o desvio não deve incomodar - a graça está justamente na procura, às vezes exaustiva, com muitos elementos inusitados no meio do caminho. 

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