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O que é e como é medido o risco Brasil

Dado é central para o financiamento da dívida brasileira e depende de diversos fatores

     

    O risco de emprestar dinheiro para o Brasil é menor em junho de 2016 do que era no início do ano. Pelo menos é isso que informa um dos índices mais utilizados para avaliar os papéis da dívida brasileira. O mercado ficou mais otimista depois do afastamento temporário de Dilma Rousseff do Palácio do Planalto e com a agenda econômica proposta pela equipe do presidente interino Michel Temer.

    É comum que o chamado “risco Brasil” varie de acordo com o cenário político, as medidas econômicas implantadas ou não pelo governo, os números de crescimento da economia, o tamanho do déficit orçamentário e a relação dívida/PIB. Eles refletem a percepção sobre a saúde financeira do governo brasileiro. E o grau de previsibilidade quanto ao futuro.

    O risco é parte fundamental de qualquer negócio. Quando se empresta dinheiro a alguém existe sempre a possibilidade de não receber de volta conforme acordado. Quando os credores são países, as transações envolvem grandes quantias e é preciso tentar medir a chance de calote.

    A percepção dos investidores quanto a essa chance é que determina qual o retorno esperado de um empréstimo. Quanto mais arriscado, mais retorno o investidor vai querer para topar o acordo. É assim que funciona quando existe uma variedade de investimentos disponíveis para aplicar o dinheiro.

    Os indicadores de risco foram criados para que os investidores tenham um parâmetro para as negociações. Eles são números que refletem avaliações que são feitas, em parte, sob critérios subjetivos. No caso do Brasil, são dois os índices mais utilizados: o EMBI+Br e o CDS. O Nexo explica o que significa cada um deles e como são medidos.

    Risco Brasil em 2016

    EMBI+: Diferença de juros

    O índice popularmente chamado de risco Brasil é o EMBI+Br, que significa Índice de Títulos de Países Emergentes em inglês. A metodologia do EMBI+ foi criada pelo banco americano JP Morgan na década de 1990 e mede o risco de vários países emergentes, inclusive o Brasil.

    O que o JP Morgan faz é comparar os juros pagos pelos títulos brasileiros (ou de qualquer país que esteja sendo analisado) aos de papéis da dívida americana, considerados risco zero. Essa diferença que os investidores exigem que o Brasil pague de juros para pegar dinheiro emprestado é atribuída ao maior risco percebido de calote e é a base do EMBI+. Quanto maior a diferença, maior o risco Brasil.

    CDS: Seguro da dívida

    Diferentemente do EMBI+, os Credit Default Swaps (CDS) não são apenas um índice, mas papéis negociados no mercado. O CDS é uma espécie de seguro contra calotes e por isso seu valor também é uma medida do risco dos títulos da dívida de determinado país.

    Quem tem títulos da dívida brasileira pode comprar CDS para tentar evitar prejuízos. Eles são vendidos no mercado e seu preço varia de acordo com a oferta e a procura. Quanto mais forte for a percepção de que o Brasil é arriscado, maior é a procura por esses títulos e mais alto fica o preço.

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