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Swift assinou a carta junto a outros 180 artistas, entre eles Paul McCartney, Vince Staples e Kings of Leon
 

Na segunda-feira (20) Taylor Swift assinou uma carta aberta ao Congresso americano exigindo a reforma da lei de copyright digital no país. A medida é apenas a mais recente entre outras iniciativas da cantora em sua guerra contra os gigantes de streaming. Swift alega que tais empresas não valorizam os artistas ao não conceder os royalties devidos pelas músicas e videoclipes. 

Streaming é a transmissão de conteúdo on-line, sem que a música ou o filme seja baixado no computador ou celular de quem ouve ou assiste. Exemplos de empresas que oferecem esse serviço são o Netflix, Spotify, Deezer, Apple Music e Google Music.

Swift assinou a carta junto a outros 180 artistas, entre eles Paul McCartney, Vince Staples e Kings of Leon, além de selos musicais tradicionais como  Sony e Universal. Eles exigem melhor tratamento por parte dessas empresas e pedem mudanças na lei D.M.C.A. (Digital Millennium Copyright ), que trata direitos autorais de conteúdos disponíveis online.

Segundo a revista “Vanity Fair”, o texto chega em um momento importante para os selos, cujos contratos feitos com o YouTube estão expirando e devem ser renegociados. Além disso, o comitê judiciário do Congresso conduz atualmente um estudo para rever a D.M.C.A.

“A negociação é feita mais ou menos assim, o YouTube diz: ‘Olha, isso é tudo que podemos pagar. Se você não quiser nos dar a licença, tudo bem, mas sua música vai acabar no serviço de qualquer forma, então nos avise que nós tiramos ela de lá o mais rápido possível. Mas sabemos que ela vai continuar aparecendo por ali. Faremos o que der. É sua decisão se quer fechar um acordo ou se prefere gastar dinheiro enviando avisos para tirar a música do ar.”

Cary Sherman

CEO da Recording Industry Association of America, em entrevista ao site “Recode”

Feita há 18 anos, a D.M.C.A. dá respaldo a serviços como o YouTube em casos em que direitos autorais são infringidos. Basicamente, usuários do serviço podem publicar e postar conteúdo protegido por copyright, como músicas e discos inteiros - sem consequências diretas para a empresa. Quando notificada sobre a transgressão, porém, ela tem a obrigação de remover o conteúdo. Para os selos, isso dá ao YouTube uma “vantagem desleal que nem serviços como Spotify têm”, pois ele pode atrair audiência pela música sem pagar pela licença. O Google, dono do YouTube, disse em comunicado oficial que as acusações sobre o serviço não valorizar o artista são “falsas”.

 

Foto: Reprodução/YouTube

Para Taylor Swift, o YouTube não valoriza o artista
 

Em 2014, Swift tirou suas músicas do Spotify e as disponibilizou no Apple Music. “O valor de um álbum é, e continuará a ser, baseado no tanto de paixão e alma que o artista coloca no seu trabalho, e o valor financeiro que o artista (e seus selos) colocam na música quando ela vai para o mercado”, disse a cantora na ocasião. “Pirataria, compartilhamento de arquivos e streaming diminuíram drasticamente a venda de álbuns e cada artista lidou com isso de uma forma diferente”.

Para além de Taylor Swift, recentemente outros artistas, que geralmente não comentam questões polêmicas como direitos autorais, têm se manifestado sobre o assunto, sob a impressão de que a indústria musical pode contornar uma mudança aparentemente irreversível na forma de se ouvir e pagar pelo conteúdo artístico.

Em fevereiro, o executivo Irving Azoff, organizador da carta,  aproveitou seu discurso de agradecimento ao receber o prêmio Recording Academy President's Merit para criticar o YouTube. “Em meus anos como executivo, nunca vi uma ameaça tão grande aos artistas.”

O problema dos streamings

Entre artistas, alguns reclamam que o streaming desvaloriza a arte, enquanto outros alegam que as plataformas não oferecem lucro o suficiente. Isso acontece porque serviços como o Spotify permitem ao usuário ouvir a música gratuitamente, apenas com a inserção de publicidade. Na outra ponta, artistas recebem valores que consideram baixos por música tocada.

Segundo o Spotify, um artista recebe de R$ 0,021 a R$ 0,0294 cada vez que alguém ouve sua música. Isso significa que, para uma banda ganhar R$ 10 mil ao mês, ela precisa que suas canções sejam reproduzidas entre 340 mil e 470 mil vezes. Se um disco tiver dez músicas, ele precisa de 34 mil a 47 mil plays. E isso, é claro, sem contar os intermediários, como a gravadora e distribuidora.

 

 

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