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O que os movimentos que apoiaram o impeachment estão dizendo sobre Temer

Fim da corrupção era uma das bandeiras do Vem Pra Rua, do Movimento Brasil Livre e do Revoltados Online na defesa da saída de Dilma

     

    Quando cerca de 2 milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o governo Dilma Rousseff em março de 2015, elas pediam basicamente o fim da corrupção. As manifestações eram descentralizadas, atraíam pessoas sem filiação partidária ou ligação com os movimentos que convocavam os atos.

    Eram principalmente três grupos: Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Revoltados Online. Com diferenças entre si, maior ou menor radicalismo, os três defendiam o impeachment de Dilma Rousseff e também a luta contra a corrupção.

    Mais de um ano depois do primeiro grande protesto, Dilma já foi afastada e agora os movimentos organizam ato para o dia 31 de julho. O objetivo é evitar reviravoltas no impeachment. “Ou você vai, ou ela volta”, diz o MBL em seu site. Ou seja, o alvo ainda é a petista.

    No entanto, o presidente interino Michel Temer, no cargo desde 12 de maio, não conseguiu blindar seu governo de denúncias de corrupção. Em pouco mais de um mês, já perdeu três ministros em consequência de desdobramentos da Lava Jato e viu seu próprio nome ser citado por um delator.

    O Nexo foi checar o que os movimentos que lutam contra a corrupção têm a dizer sobre as denúncias envolvendo o governo Temer.

    Vem Pra Rua: elogios a Temer

     

    O movimento liderado pelo empresário Rogério Chequer mantém o foco de suas postagens nas redes sociais voltado ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e a ações da Lava Jato contra petistas. Sobre Temer, as poucas mensagens são positivas, mesmo quando fazem referência às demissões de ministros, já que sugerem que o presidente interino não mantém corruptos em seu governo.

    “Confirmado: Henrique Alves pede demissão. Menos um envolvido na Lava Jato no governo Temer”, escreveu o grupo em um post de quinta-feira (16), momentos depois de oficializada a saída de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) do ministério do Turismo, envolvido no esquema de propinas da Lava Jato.

    Em entrevista ao “O Globo”, em 15 de maio, três dias após Temer assumir como interino, Chequer afirmou que daria o “o benefício da dúvida” mas que continuariam fiscalizando o novo governo.

    Em 14 de junho, o Vem Pra Rua escreveu que Temer está “tomando as medidas necessárias para governar”. Como exemplo usou a exoneração do diplomata Milton Rondó Filho, que enviou mensagens a embaixadas contra o impeachment de Dilma, classificado por ele como “golpe.”

    “O país precisa deixar Temer trabalhar. Ele tem um projeto econômico de recuperação do Brasil e uma boa equipe pra colocar isso em prática”

    Vem Pra Rua

    em post publicado no Facebook em 31 de maio

    A pauta do movimento para o ato de 31 de julho é o impeachment “definitivo” de Dilma, apoio à Lava Jato e “prisão para todos os corruptos, independentemente do partido”. O mote é afastar quem tente impedir as investigações da operação. Entre eles, além de petistas, o movimento cita o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o senador Jucá e o ex-presidente José Sarney.

    Movimento Brasil Livre: foco é o PT

     

    O movimento cita membros do governo implicados no esquema da Lava Jato, mas as críticas mais duras continuam sendo feitas à presidente afastada, a Lula e ao PT. O MBL também convoca seus seguidores para a manifestação no dia 31 de julho contra a volta de Dilma Rousseff.

    “Dilma Rousseff anda viajando pelo Nordeste, comendo em restaurantes caros e se hospedando em hotéis caros… nada mal para quem é vítima de um golpe”

    MBL

    em post publicado no Facebook em 17 de junho

    O pedido de demissão de Henrique Eduardo Alves foi tratado como notícia positiva sobre o governo: “Três ministros contra a Lava Jato, três ministros caíram”. O movimento vende canecas com a figura de Sergio Moro.

    A citação a Michel Temer feita pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado mereceu um post, mas sem nenhuma mensagem da página. Nos comentários, algumas pessoas questionam a postura do movimento: “Quando terá passeata contra a corrupção? Gente, este governo interino está sendo profissional em corrupção. Tô achando que o anterior era estagiário.”

    As citações aos tucanos Aécio Neves e José Serra mereceram um pouco mais de atenção do MBL do que Temer. Mas nada que seja comparável, por exemplo, às críticas feitas ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que defendeu durante a semana a retirada de objetos de moradores de rua na capital paulista.

    Revoltados Online: críticas à volta de ministério

     

    O perfil das declarações e manifestações em redes sociais assemelha-se aos dos demais, mas o tom é mais agressivo contra os petistas. Em 25 de maio, os porta-vozes do grupo, Marcello Reis e o ator Alexandre Frota, foram recebidos pelo ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM).

    No momento das demissões de ministros ou das revelações dos diálogos envolvendo Renan e Jucá, o movimento também direcionou as reações a eles e não ao governo.

    “Já vai tarde! Compartilhe se você também não quer nenhum corrupto nos ministérios”, escreveram no dia da demissão de Henrique Alves. Eles também defendem a prisão de Renan, cujo pedido foi negado pelo Supremo na terça (14).

    Em outras postagens, o Revoltados Online elogiou o anúncio do congelamento de 4.307 cargos comissionados e o corte de publicidade para blogs e sites simpáticos ao PT.

    A diferença em relação aos outros movimentos é que há críticas ao governo Temer, mas não por causa dos desdobramentos da Lava Jato. O grupo foi contra a volta do Ministério da Cultura, cujo fechamento motivou reações da classe artística e protestos pelo país.

    “Em um momento de crise como esse, vamos cuidar do que é prioritário: saúde, trabalho, educação. Patrocinar artista milionário não deve ser sua prioridade, Sr. Presidente. Pelo menos, não com o meu dinheiro”

    Revoltados Online

    em post publicado no Facebook em 21 de maio

    Para o protesto de 31 de julho, o movimento coloca como primeiro item da pauta a prisão de Lula, seguido do impeachment de Dilma, apoio à Lava Jato e prisão de “todos os corruptos”.

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