Por que quem pensa muito se torna mais egoísta

Segundo pesquisadores de Harvard, pessoas tendem a ser cooperativas, mas mudam de ideia quando lhes é dado tempo de reflexão

     

    A moral humana é um grande tema da psicologia, da sociologia, da filosofia e até mesmo da economia há séculos. Recentemente, tornou-se uma pauta inclusive da matemática e das ciências da computação. Afinal, por que e em que situação trapaceamos?

    Um estudo recente realizado por psicólogos e economistas de Harvard trouxe mais elementos ao antigo questionamento. Basicamente, três pesquisadores da entidade fizeram experimentos com jogos econômicos, os “public goods games”. 

    Segundo esse método, integrantes recebem uma quantia determinada de dinheiro e podem compartilhar parte dela. O valor compartilhado é distribuído igualmente entre os demais. Um participante pode ganhar dinheiro sem compartilhar o seu, apenas recebendo a divisão dos bens restantes.

    Os pesquisadores realizaram dez experimentos desse tipo, cada um com quatro participantes. Em dois deles, metade dos participantes foi forçada a tomar uma decisão sob pressão de tempo e a outra metade não. Nos demais, foi permitido aos indivíduos agir de acordo com o tempo e vontade deles.

    O resultado: participantes sob pressão para agir rapidamente compartilharam mais dinheiro. Já aqueles motivados a pensar sobre o assunto doaram menos.

    Para os pesquisadores, julgamentos feitos de forma rápida refletem os impulsos intuitivos. Ou seja, nossa intuição nos leva a agir de forma mais cooperativa. Comportamentos egoístas, por sua vez, são consequência de horas de reflexão.

    “Nossa experiência mostra que fazer as pessoas confiarem mais na intuição as torna mais cooperativas”

    David Rand

    Pesquisador

    Outros estudos já chegaram a conclusões parecidas. Um deles, inclusive, foi conduzido pelo próprio Rand. No caso, o pesquisador realizou entrevistas com 51 pessoas agraciadas com a medalha Carnegie Hero, entregue àqueles que arriscaram a própria vida para salvar outras.

    Rand e seu grupo de pesquisa pretendiam identificar o quanto essas ações eram intuitivas ou deliberativas. A conclusão foi a mesma: a maior parte dos entrevistados relataram terem agido por impulso. “Fico grato que tenha conseguido agir e não pensar muito nisso”, disse um estudante que resgatou uma senhora de 69 anos em uma enchente.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: