Ir direto ao conteúdo

Por que a indústria de produção de ovos, que mata milhões de pintinhos, está prestes a mudar

Tecnologia vai eliminar embriões de pintinhos machos antes do nascimento. Normalmente, eles são mortos em larga escala no processo de criação das galinhas usadas para botar ovos

     

    Em junho de 2016, a Associação de Produtores de Ovos dos EUA anunciou que, até 2020, vai eliminar completamente o abate de pintinhos machos do processo de produção de ovos.

    A criação de galinhas poedeiras, isto é, que produzem ovos para o mercado de consumo, passa por dois processos. Um deles é a produção de ovos em si, que mantém as galinhas que botam ovos em gaiolas, separa esses ovos, os armazena e os distribui.

    O outro processo vem antes e é o que cria galinhas para serem poedeiras, ou seja, cruza galinhas e galos para gerar ovos fecundados que vão resultar em pintinhos. Metade dos animais que nascem desses ovos são pintos machos. Como eles não produzem ovos, precisam ser “descartados”: são mortos pouco depois de nascerem. Centenas de milhões de pintinhos são mortos no mundo todos os anos como resultado dessa prática.

    Agora, a associação de produtores de ovos do país prometeu empreender esforços e tecnologia para garantir a eliminação de embriões machos antes que eles sequer nasçam, acabando com a necessidade de criar procedimentos para matar grandes quantidades de pintinhos.

    Grupos de defesa dos direitos dos animais foram responsáveis por pressionar a organização pela mudança e consideram o anúncio uma vitória.

    Por que os pintos são abatidos na criação industrial de ovos

    O abate de pintinhos na produção de ovos é uma prática comum no mundo todo, inclusive no Brasil.

    Nesse tipo de indústria, galinhas são criadas e mantidas para colocar ovos durante toda a vida. Os frangos machos, no entanto, não têm utilidade para a produção. Também não podem ser criados para o consumo de carne, já que os frangos para esse propósito são tipos diferentes de animal, engendrados geneticamente de maneira que cresçam rápido e com bastante carne.

    Uma solução intermediária seria a produção de animais com duplo propósito: galinhas criadas para produção de ovos, frangos engordados para o corte. Esse processo já acontece em países como Itália e Suíça. Mas quando o foco é maximizar o desempenho e a performance, o produtor fica no meio do caminho, porque há tipos específicos de galinha para botar mais ovos e tipos específicos de frangos que rendem mais carne. Por isso, a indústria acaba optando pela separação da produção por sexo.

    Alguns ativistas defendem até que comer ovos seja mais prejudicial ao bem-estar geral dos animais do que comer carne

    Nesses casos, os produtores de galinhas poedeiras têm aí um problema que enxergam como puramente logístico: eliminar da maneira mais eficiente possível os animais considerados inúteis na produção de ovos, ou seja, o resíduo.

    A solução são máquinas exclusivas para matar esses animais, normalmente por trituração ou asfixia, um processo considerado extremamente cruel - não só pelo método, mas porque esses animais são descartados e abatidos sem se prestar a nenhum propósito direto na indústria alimentar.

    Em razão do abate de pintinhos na produção de ovos, alguns ativistas defendem até que comer ovos é mais prejudicial ao bem-estar geral dos animais do que comer carne.

    O motivo é que, na criação de animais para produção de carne, ao menos o animal está sendo abatido para o propósito de virar alimento e não está sendo descartado, como ocorre no processo de produção de ovos.

    Em 2014, a Unilever, uma das maiores produtoras de alimentos do mundo, se manifestou contra a prática. A empresa declarou que só trabalharia com ovos cujos produtores não matassem pintinhos em larga escala.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa Equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project. Saiba mais.

    Mais recentes

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!