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Do rompimento com Dilma ao governo Temer: a situação dos líderes do PMDB

Considerada ‘histórica’ por Romero Jucá, reunião peemedebista liderada por ele selou o fim da aliança com PT. Esta é a situação de quem apareceu na foto oficial do partido

     

    O ex-ministro e senador Romero Jucá (PMDB-RR) classificou como “histórica” a reunião que oficializou o fim da aliança entre PMDB e PT, em 29 de março de 2016. A sessão de três minutos ficou registrada em uma foto em que ele dava as mãos ao ainda presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e ao então dirigente peemedebista Eliseu Padilha. Se a foto fosse hoje, talvez houvesse alguns desfalques.

    O rompimento do PMDB com o governo Dilma ocorreu três semanas antes da votação do pedido de impeachment da presidente na Câmara, em 17 de abril. Ao final da reunião, peemedebistas gritavam “Fora, PT” e “Brasil para frente, Temer presidente”. O ainda vice-presidente Michel Temer acompanhou o ato pela televisão.

    De lá para cá, os dois principais articuladores do impeachment, Cunha na Câmara e Jucá no Senado, foram afastados. O primeiro de seu mandato. O segundo do ministério que assumiu com a ascensão de Temer ao poder. Ambos em consequência da Lava Jato, operação da qual são alvo.

    Veja abaixo a situação dos peemedebistas que protagonizaram a foto que simbolizou o rompimento com Dilma:

    Eduardo Cunha: afastado pelo Supremo

    Por mais que negue o protagonismo, foi o deputado federal quem deu o passo inicial para o processo de afastamento de Dilma, ao aceitar o pedido de impeachment contra ela, em 2 de dezembro de 2015. Depois, conduziu de forma célere a tramitação do caso até que o plenário autorizasse a abertura do processo de impedimento, em 17 de abril.

    A despeito da ajuda de aliados e da habilidade de sua defesa para adiar o avanço do seu processo de cassação no Conselho de Ética, Cunha teve seu mandato suspenso pelo Supremo em 5 de maio. A suspeita era de que ele usava o cargo para interferir nas apurações da Lava Jato contra ele.

    O deputado afastado responde a acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Ele é réu e alvo de outros sete procedimentos jurídicos apenas na Lava Jato. Por decisão da Corte, Cunha ficará afastado até que não represente mais riscos ao andamento das investigações. Ele nega as acusações e recusa os pedidos de aliados para renunciar à presidência da Câmara.

    Romero Jucá: licença após o áudio

    O parlamentar, ex-líder do governo Dilma no Senado, foi o único a discursar na cerimônia de rompimento com a petista. Naquele dia, Jucá representava Michel Temer, presidente nacional do PMDB. O senador encerrou a reunião entoando um “viva o Brasil”.

    Em abril, Temer se licenciou da presidência da legenda e Jucá assumiu o posto interinamente. O senador tornou-se um dos mais importantes interlocutores de Temer na articulação do governo interino, que começou em 12 de maio, após Dima ser afastada temporariamente da Presidência pelo Senado em razão do avanço do processo de impeachment.

    Ele foi escolhido para ministro do Planejamento, mas ficou no posto apenas 12 dias. Na segunda-feira (23), Jucá foi obrigado a se licenciar após a “Folha de S.Paulo” divulgar uma gravação com conversas em que o senador sugeria que a saída de Dilma (e a entrada de Temer) permitiria um “pacto” para “estancar a sangria” causada pela Lava Jato.

    O diálogo com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, investigado pela Lava Jato, ocorreu em março, provavelmente dias antes da reunião do PMDB. Jucá também é investigado pela por suspeita de ter recebido propina de empreiteiras no esquema da Petrobras.

    O teor da conversa foi interpretado como uma tentativa do senador de barrar o avanço da operação, o que ele nega. Segundo Jucá, “sangria” fazia referência à situação econômica do país. Ele diz que se licencia do cargo e volta ao Senado até que o diálogo seja esclarecido pelo Ministério Público Federal.

    Eliseu Padilha: o braço direito de Temer

    Ao lado de Jucá, o 2ª vice-presidente do PMDB puxou palmas para comemorar a saída do partido do governo. Ele próprio já havia rompido com Dilma ao deixar o cargo de ministro da Aviação Civil, em dezembro de 2015.

    A demissão de Padilha era na verdade um sinal de que Michel Temer estava cada vez mais distante da presidente, já que o ex-ministro era o principal aliado do vice na Esplanada. A partir de então, Padilha ajudou a articular o rompimento da legenda com o PT e a unir as bancadas no Congresso em torno do impeachment de Dilma.

    Quando Temer deu início às negociações para definir seu ministério, a indicação de Eliseu Padilha para a Casa Civil foi uma das primeiras definições. No cargo, ele será o braço direito da Presidência da República, a quem cabe acompanhar as principais obras e projetos em execução.

    Valdir Raupp: mais um investigado

    “Agora é água morro abaixo”, afirmou o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) ao final da reunião de 29 de março. Raupp não foi indicado para cargos no governo interino de Michel Temer.

    No Senado, o parlamentar engrossa a bancada do PMDB, com 19 parlamentares - é a maior, de um total de 81 senadores. Caberá à Casa julgar Dilma Rousseff e é preciso o voto de dois terços (54) para cassar o mandato da presidente afastada.

    Raupp também é investigado na Lava Jato. Em 19 de maio, a Procuradoria-Geral da República pediu abertura de inquérito contra ele para apurar suspeita de pagamento de propinas em troca de contratos da usina de Belo Monte, no Pará. Raupp foi citado na delação do ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) como beneficiário do esquema.

    Antes, outro delator, o lobista Fernando Antonio Soares, o Fernando Baiano, afirmou que Raupp recebeu dinheiro fruto do esquema de desvios da Petrobras como doação para sua campanha em 2010. O senador diz que o valor recebido era legal e foi declarado à Justiça Eleitoral.

     

     

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