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Dengue nas áreas olímpicas: número de casos cresceu no início do ano

Quantidade de pessoas que contraiu a doença aumentou no período que vai de janeiro até abril, afirma relatório da FGV

 

Atletas sul-coreanos usarão calças, meias e blusas longas sob o sol carioca entre uma competição e outra durante a Olimpíada do Rio, que ocorre em agosto. O tecido das peças contém produtos químicos que funcionam como repelentes, em uma tentativa de evitar picadas do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus zika, dengue e chikungunya.

Segundo relatório da Dapp (Diretoria de Análise de Políticas Públicas) da FGV (Fundação Getúlio Vargas) a preocupação é fundamentada: o número de casos no período que vai de janeiro até abril cresceu de 2014 para cá em mais da metade dos principais bairros que receberão eventos das Olimpíadas, apesar de estarem bem abaixo do que foi registrado em 2012 e 2013.

Os números de abril ainda não estão totalmente computados. Apesar de haver certa tendência de queda no mês deste ano em relação a março, ainda não é certo se houve de fato uma redução, afirma em entrevista ao Nexo Janaina Fernandes, pesquisadora que coordenou o relatório da FGV.

Casos de dengue aumentam até abril

 

 

Na Barra da Tijuca, o aumento superou 100% no quadrimestre em relação ao ano passado. É lá que fica o Parque Olímpico, que a FGV define como “O parque do Aedes”. O local teve 188 casos até o fim de abril contra 93 no mesmo período do ano anterior.

O conjunto de regiões que sediarão competições: Copacabana, Maracanã, Barra da Tijuca, Engenho de Dentro, Madureira e Deodoro soma 499 casos de dengue até abril deste ano contra 313 no mesmo período de 2015. Uma alta de 62%, segundo dados da Secretaria de Saúde do Município do Rio de Janeiro.

Em Madureira, onde ficam os arcos olímpicos e um telão para assistir às competições, o aumento foi de 36 para 154, ou alta de 327%. Copacabana onde ocorrerão competições como vôlei de praia, remo e triatlo e Maracanã tiveram pequenas quedas no número de casos.

Para prefeitura, doença transmitida pelo aedes ‘não é tema olímpico’

A alta do número de casos de dengue e a preocupação com o zika vírus, transmitido pelo mesmo mosquito, são uma constante no noticiário internacional sobre a Olimpíada. Apesar disso, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), afirmou em fevereiro que a zika não deve ser tratada com preocupação em excesso.

"Temos que tratar do problema, mas não podemos transformar em um tema olímpico. Não é um tema olímpico. Isso é um tema nosso, de nós brasileiros e da cidade do Rio de Janeiro", disse o prefeito.

A sua aposta é que o número de casos seja menor em julho e agosto, meses menos favoráveis para a procriação do mosquito transmissor do aedes. Essa também a expectativa de Janaina Fernandes para a dengue. Ela espera que o número de casos caia já em maio.

“Ano passado houve queda abrupta e nesse ano está havendo uma alta. A dengue é uma doença sazonal, e tem alta entre fevereiro, março e abril”

Janaina Fernandes

Coordenadora de pesquisa do Dapp-FGV

Cortes no Orçamento

Apesar do aumento dos casos de dengue, o orçamento centralizado do Rio de Janeiro para dengue só tem caído nos últimos anos. Ele foi de R$ 60,88 milhões, em 2012, para R$ 24,97 milhões em 2015. Uma queda de 59%. Em 2016, o orçamento destinado à dengue é ainda menor, de R$ 18 milhões - esse valor ainda pode, no entanto, ser ampliado até o final do ano. Essas quantias são referentes à verba reservada para ações de prevenção, e não àquela efetivamente gasta, que é ligeiramente menor.

Vigilância em saúde, prevenção e controle de doenças

 

O orçamento descentralizado - distribuído entre coordenadorias de cinco regiões - destinado para combate à dengue e outros vetores também teve queda. Ele foi de R$ 63,05 milhões liquidados, em 2014, para R$ 42,73 milhões no ano passado. Uma queda de 32% de um ano para o outro. Para 2016 estão previstos, até o momento, R$ 41,66 milhões. Quando somadas as verbas centralizadas e as descentralizadas, a queda foi de 37% desde 2014.

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