64 meses de governo Dilma: como evoluíram os indicadores econômicos e sociais

Senado analisa afastamento da presidente no dia 11 de maio. Estes são os números mais recentes que ajudam na análise do desempenho de seu mandato, iniciado em 2011

    A presidente Dilma Rousseff completou no fim de abril 64 meses à frente do governo federal. Sua gestão começou em janeiro de 2011. No dia 11 de maio de 2016, o Senado pode afastá-la do cargo, em razão de um processo de impeachment, o que resultará na substituição da petista pelo seu vice, o peemedebista Michel Temer.

    Dilma só está sujeita à perda definitiva do cargo após o término do seu julgamento pelo Senado, que deve ocorrer em setembro. Se for condenada, Temer assume definitivamente até o final de 2018. Caso seja absolvida, a petista reassume o cargo.

    Aqui estão alguns dados sobre o período de governo de Dilma, a partir dos números mais recentes divulgados oficialmente.

    Desempenho da economia

     

    Dilma recebeu uma economia com bom desempenho dos últimos anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e, apesar da desaceleração, conseguiu mantê-la com crescimento positivo até o final de 2013. No ano seguinte, em que a petista disputou a reeleição, o país ficou estagnado.

    O primeiro ano do segundo mandato de Dilma, 2015, assistiu à piora da economia, com recessão de 3,8%, em meio à alta da inflação e dos juros, corte de investimentos públicos e privados e crise de confiança alimentada pela instabilidade política.

    Juros

     

     

    Dilma herdou uma taxa de juros alta para os padrões internacionais, mas de acordo com o histórico brasileiro. Em seu primeiro mandato, a taxa Selic caiu para 7,25%. A Selic é a taxa de referência dos juros pagos pelo governos em seus empréstimos e norteia o comportamento das demais taxas aplicadas em operações de crédito.

    A presidente também reduziu as taxas praticadas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, o que influenciou na diminuição da taxa praticada por bancos privados. Em março de 2013, a taxa média de operações de crédito com pessoas físicas e jurídicas caiu a 21,3%.

    Juros baixos estimulam empresas a investirem e os consumidores, a comprarem mais produtos, aquecendo a economia. A queda da Selic também provoca a redução dos juros que incidem sobre parte da dívida pública do governo.

    O movimento não se mostrou sustentável a longo prazo devido à evolução de outros indicadores da economia. A taxa de juros voltou a crescer, retornando a um patamar superior ao do início do governo da petista.

    Evolução dos preços

     

    A inflação anual medida pelo IPCA ficou acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,5%, em todo o período Dilma, mas se manteve até 2014 dentro da faixa de tolerância, de até 6,5%.

    No ano seguinte à sua reeleição, o país enfrentou um pico inflacionário de 10,67%. Essa alta foi provocada, entre outros motivos, pela liberação de preços controlados pelo governo, como combustível e energia, mantidos artificialmente baixos no final do primeiro mandato da petista, e pela alta do dólar.

    Mercado de trabalho

     

    A taxa de desemprego permaneceu baixa e estável no primeiro mandato de Dilma, uma das conquistas do período do governo Luiz Inácio Lula da Silva utilizada como trunfo do PT em campanhas eleitorais.

    No segundo semestre de 2015, contudo, a taxa começou a subir e superou a marca dos 10% no primeiro trimestre de 2016, algo que não ocorria há nove anos no Brasil. A série histórica hoje adotada pelo IBGE começa em 2012, o que não permite comparações com o primeiro ano da gestão Dilma.

    Endividamento

     

    O nível da dívida bruta federal em relação ao tamanho do PIB foi mantido em um patamar estável no primeiro mandato de Dilma, mas explodiu a partir de 2015. Isso foi provocado por dois motivos: o déficit orçamentário obrigou governo a pegar mais empréstimos e os índices que reajustam o valor devido, como inflação, taxa Selic e dólar, subiram.

    Reservas

     

    Esse valor total em moeda estrangeira reservado pelo Banco Central serve para a cobertura de desequilíbrios de pagamentos e outras necessidades financeiras da autoridade monetária. As reservas são aplicadas em investimentos de alta segurança e liquidez e baixa rentabilidade, como títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

    O volume de reservas cresceu significativamente nos dois primeiros anos da gestão Dilma e continua no mesmo nível desde 2013. A manutenção de uma reserva extensa em período de crise despertou o debate sobre sua importância e eventual destinação a outros fins.

    Combate à pobreza

     

    Dilma manteve a trajetória de queda da pobreza ao longo do seu primeiro mandato, reduzindo de 18,4% para 13,3% a proporção de pobres em relação à população total. Ainda não há dados disponíveis para o ano de 2015.

    Salário mínimo

     

    O salário mínimo manteve a trajetória de ganhos reais, acima da inflação. Isso foi possível devido à continuidade da política de reajuste que soma a inflação do ano anterior mais o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. Essa regra está definida em lei e vale até 2019.

    Como a economia ficou estagnada em 2014, enfrentou recessão em 2015 e deve continuar retraída neste ano de 2016, o salário mínimo deverá ser reajustado somente pela inflação até 2018, pelo menos.

    Educação básica

     

    O primeiro governo Dilma não conquistou melhorias significativas no percentual de crianças  de 6 a 14 anos matriculadas no Ensino Fundamental ou de 15 a 17 anos matriculadas no Ensino Básico, que se mantiveram no mesmo patamar.

    Ensino Superior

     

    Já no Ensino Superior, houve alta de 30% para 34% no percentual de jovens de 18 a 24 anos matriculados. O desempenho está ligado às políticas públicas Prouni (Programa Universidade para Todos), que concede bolsas de estudo integrais ou parciais em faculdades privadas, mediante renúncia de impostos por parte do governo federal, e Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), que empresta recursos a juros subsidiados para o pagamento de mensalidades.

    Ambas as políticas enfrentaram dificuldades em função da falta de recursos em 2015. O Fies foi suspenso temporariamente e voltou com taxas mais altas. O Prouni reduziu o número de bolsas disponíveis.

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