Esta organização calcula constantemente as chances de o mundo acabar

Fundação sueca divulga anualmente os riscos de eventos que podem levar à morte boa parte da população da Terra. Eles vão da mudança climática a guerras nucleares

 

Todo ano, um centro de pesquisa sueco divulga um extenso relatório no qual faz previsões sobre a extinção da humanidade. Mais especificamente, alerta para os principais riscos de eventos que poderiam levar à morte ao menos um décimo da população mundial. Entre esses eventos estão guerras nucleares, mudanças climáticas e pandemias.

Dano x probabilidade = risco

O relatório é feito pela Global Challenges Foundation, fundação criada em 2012 em Estocolmo pelo analista húngaro Laszlo Szombatfalvy.

Szombatfalvy refugiou-se na Suécia em 1956 e ficou rico ao desenvolver uma metodologia de análise de risco para gerir seus investimentos na bolsa de valores. Decidiu então expandir sua teoria para os riscos que ameaçam não só suas ações, mas a sobrevivência humana. O resultado foi publicado no livro “The Greatest Challenges of Our Time” (“Os maiores desafios de nossa época”, em tradução livre).

A base da análise de Szombatfalvy, tanto para o risco no mercado de ações quanto na construção de uma estrada, por exemplo, está numa equação que mede o dano potencial de um fato em relação à probabilidade de que ele ocorra. Se o provável dano for substancial, ainda que a probabilidade seja pequena, o risco é medido como alto.

Recentemente, a fundação se aliou ao Future of Humanity Institute - instituição de pesquisa multidisciplinar da Universidade de Oxford -, para publicar uma compilação anual dessas possíveis catástrofes. Uma espécie de enciclopédia de grandes tragédias que poderiam aniquilar ao menos 10% da humanidade (740 milhões de pessoas).

O objetivo é ampliar o conhecimento em torno desses problemas e influenciar a cooperação entre cientistas e líderes mundiais para evitá-los. 

A extinção da humanidade

Os principais focos do relatório são mudanças climáticas, guerras nucleares e pandemias (epidemia que se espalha por uma região vasta). O estudo considera também as chances de vulcões entrarem em erupção ou asteroides acertarem o planeta.

Em menor escala, a pesquisa cita o que chama “riscos emergentes”, como inteligência artificial e biologia sintética. Ou seja, tecnologias que, caso aplicadas de forma indevida, podem ter consequências devastadoras.

Como exemplo, o relatório aponta para o risco de um “colapso econômico devido a um desemprego em massa, conforme humanos são substituídos” por máquinas, ou o perigo de inteligência artificial ser desenvolvida para a guerra. “Um exército de IA poderia resultar em tecnologia sendo construída com fins perniciosos ou falta de segurança”, diz o estudo.

Os 12 riscos apontados no relatório

  1. Mudança climática extrema
  2. Guerra nuclear
  3. Pandemia global
  4. Catástrofe ecológica
  5. Colapso do sistema global
  6. Grande colisão de asteroide
  7. Super-vulcão
  8. Biologia sintética
  9. Nanotecnologia
  10. Inteligência artificial
  11. Consequências desconhecidas
  12. Má governança global

“Não esperamos que algum desses eventos aconteçam nos próximos 10 anos. Até pode ser que aconteça, mas provavelmente não vão”, disse o diretor da fundação, Sebastian Farquhar, à revista The Atlantic. “Mas há muitos eventos que achamos serem improváveis e mesmo assim nos preparamos para eles.”

Farquhar usa como exemplo cintos de segurança e airbags em automóveis. Segundo o Global Catastrophic Risk, nos Estados Unidos, a chance anual de uma pessoa morrer por um acidente de carro é de 1 em 9.395. Mesmo assim, tomamos precauções.

Restaria agora, segundo ele, desenvolver o correspondente a airbags para a sociedade.

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