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Quem é Antonio Anastasia, o tucano que vai relatar o impeachment de Dilma

Técnico e braço direito de Aécio, ex-governador de Minas vai elaborar dois pareceres sobre impedimento da presidente da República

     

    Sob protestos do PT, o tucano Antonio Anastasia foi escolhido relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na comissão especial no Senado. Ex-governador de Minas Gerais e conhecido por seu perfil técnico, o senador é o principal aliado de Aécio Neves no Congresso Nacional.

    A ligação do relator com Aécio, presidente nacional do PSDB, contrariou os aliados de Dilma Rousseff, que mais uma vez disseram que o processo de impeachment está viciado. O PSDB já declarou publicamente que seus 11 senadores, incluindo Anastasia, votarão pelo impeachment de Dilma.

    “O senador Aécio entrou na justiça contra a presidenta Dilma. Depois foi discutir urna eleitoral. Depois teve a coragem de entrar e pedir pra ser diplomado no lugar da presidenta Dilma. Aí os senhores querem colocar o maior aliado dele como relator?”

    Lindbergh Farias

    Senador  (PT-RJ)

    “Anastasia é um homem respeitado por todo o Congresso Nacional. Lamento que o PT não perceba isso e queira criar na indicação legítima mais um enfrentamento. O PT deveria guardar as suas energias para defender a presidente da República”

    Aécio Neves

    Senador (PSDB-MG)

    “A serenidade que tenho, servirá, com meu senso de responsabilidade, para exercer a função de relator. Seguiremos com responsabilidade, equilíbrio e democracia, respeitando o rito Constitucional”

    Antonio Anastasia

    Relator da comissão do impeachment e senador (PSDB-MG)

    Junto com a presidência, a relatoria é o principal cargo da comissão. O relator é o responsável pela elaboração do parecer sobre a aceitação ou rejeição da denúncia contra a presidente da República. É esse relatório que será votado pelos senadores.

    O tucano já apresentou um plano de trabalho que prevê a apreciação do relatório na comissão especial do impeachment em 6 de maio. Em seguida, o parecer segue para o Plenário do Senado, que aceita ou não o pedido de impeachment por maioria simples (41 senadores). Se o processo for aceito, Dilma Rousseff será afastada do cargo temporariamente, por até 180 dias.

    Afilhado político de Aécio

     

    O senador Aécio Neves teve em Anastasia seu principal assessor durante os oito anos em que foi governador de Minas Gerais. O presidente nacional do PSDB foi o grande responsável pela carreira política do aliado.

    Inicialmente, Anastasia trabalhou com Aécio em cargos técnicos. Em 2001, antes das eleições, foi convidado para coordenar o programa de governo. Após a vitória, liderou a equipe de transição e, com a posse, assumiu a Secretaria de Planejamento. Na época, a principal bandeira da administração tucana em Minas era o “choque de gestão”, que incluía planos de ajuste nas contas do Estado e melhor administração dos recursos humanos, entre outras medidas. Foi nesse contexto que  Anastasia ganhou espaço.

    A grande virada de técnico para político veio em 2006, quando Aécio resolveu substituir seu vice. Clésio Andrade, companheiro de chapa em 2002, perdeu o lugar para o gestor Anastasia como vice de Aécio na disputa pela reeleição. Foi a primeira eleição disputada pelo professor de direito.

    Em 2010, como candidato de Aécio, começou com a campanha com 3% de intenção de votos, mas se elegeu governador no primeiro turno. Em 2014, venceu a disputa para o Senado com 57% dos votos no Estado.

    Carreira como técnico

    Anastasia fez carreira na administração pública. É funcionário concursado na Fundação João Pinheiro - ligada à Secretaria de Planejamento de Minas - e professor de direito administrativo na Universidade Federal de Minas Gerais.

    Foi secretário-adjunto do Planejamento e secretário de Recursos Humanos em Minas entre 1991 e 1994. Foi para Brasília no governo Fernando Henrique Cardoso, onde ocupou o posto de secretário-executivo dos ministérios do Trabalho e da Justiça.

    Citado na Lava Jato

    Antonio Anastasia foi um dos 47 políticos da lista de investigados do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele foi citado na Lava Jato pelo doleiro Alberto Youssef. O doleiro disse que um funcionário seu, responsável por transportar propinas, afirma que entregou R$ 1 milhão nas mãos de Anastasia.

    Na época, o político era governador de Minas - terminando o mandato de Aécio, que renunciou para poder disputar o Senado - e candidato à reeleição. O encontro, segundo Yousseff, teria acontecido em uma garagem em Belo Horizonte.

    Anastasia sempre negou as acusações. O processo foi arquivado a pedido da própria Procuradoria Geral da República por falta de provas.

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