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O significado de Lemonade, o disco surpresa de Beyoncé

No repertório, questões raciais, violência policial e poder feminino. No lançamento, um formato inovador e independente

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    Neste sábado (23), a artista pop Beyoncé lançou "Lemonade", seu sexto álbum de estúdio. O disco é um álbum visual com treze faixas acompanhadas de um filme de uma hora, um formato parecido com algo que a cantora já havia experimentado em seu último lançamento, "Beyoncé", em 2013.

    Lemonade foi lançado em um especial do canal HBO e em seguida pela plataforma de distribuição musical Tidal, que é do rapper Jay-Z, seu marido. Músicas e vídeos foram disponibilizados primeiro lá - só nesta segunda (25), puderam ser adquiridos na iTunes Store, a loja de músicas da Apple, e na Amazon. Na tarde de segunda-feira, Beyoncé se tornou a primeira artista da história a ter todas as músicas de um único álbum entre os Top 35 mais vendidos na loja.

    Da forma de lançamento à produção, o disco mostra que a cantora tem domínio sobre o mercado fonográfico. Beyoncé escreveu e co-produziu todas as músicas de Lemonade, um disco que fala sobre empoderamento negro, violência policial e traição. As letras sugerem, como anuncia o Tidal, "uma jornada de autoconhecimento e cura de todas as mulheres". Têm destaque também as participações de artistas como Jack White, The Weeknd e Kendrick Lamar.

    Veja as principais referências do álbum, ponto a ponto

    Escravidão

    O título "Lemonade" faz referência a um hábito dos escravos norte-americanos, que acreditavam que beber limonada fazia com que a pele se tornasse mais clara.

     

    Traição

    As letras das músicas são explicitamente sobre uma mulher apaixonada que descobre que o marido a está traindo. No disco, Beyoncé discorre sobre a decepção da desconfiança, a dor e o estresse da descoberta, o ódio. Em 2014, cresceram os rumores de que Jay-Z estivesse traindo a esposa depois que a imprensa divulgou um vídeo em que a irmã de Beyoncé, Solange Knowles, ataca violentamente o rapper em um elevador. O casal divulgou uma nota desmentindo o boato pouco tempo depois.

    Malcolm X

    Em uma das faixas, Beyoncé cita uma frase da autobiografia do líder revolucionário negro Malcolm X - "uma vez motivado, ninguém mais é capaz de mudar tão completamente quanto alguém que esteve no fundo do poço", diz o trecho da autobiografia ao qual ela faz referência em "Don't hurt yourself". Não é a primeira vez que a artista invoca Malcom X. Recentemente, em sua apresentação no Super Bowl, Beyoncé fez questão de mostrar uma coreografia com dançarinas posicionadas em formato de "X".

    Padrões de beleza

    "Sorry", uma letra sobre uma mulher que já superou a traição do marido e não se sente mal por não estar mais abalada, termina com o trecho "He better call Becky with the good hair" ("É melhor ele ligar pra Becky do cabelo bom"). "Becky", apelido para Rebeca, é a gíria para o estereótipo arquetípico da mulher branca média na cultura negra norte-americana - que tem "cabelo bom", liso, em contraste com o cabelo afro, considerado "ruim". Em outra letra no disco, "Formation", Beyoncé já havia falado de sua preferência por manter o cabelo afro como ele é. Neste trecho a compositora faz referência à mulher que, desconfia-se, foi amante de Jay-Z, uma estilista americana.

     

    Independência feminina

    Outra letra, "6-inches" (6 polegadas, uma referência ao salto alto) é um manifesto pelas conquistas financeiras e profissionais das mulheres. Na música, o salto alto é um símbolo de poder e riqueza.

    Direitos civis

    Depois que a narrativa sobre os conflitos em seu relacionamento termina no álbum, ela sugere que perdoou o marido e vem com "Freedom", canção sobre os direitos civis negros. A canção tem a participação de Kendrick Lamar, cujo último álbum, "To Pimp A Butterfly", é também uma ode aos direitos dos negros. A letra pede liberdade e fala da violência policial contra os negros nos EUA.

     

    Poder negro

    O disco termina com “Formation”, a música que Beyoncé apresentou no Super Bowl em 2016 e que é outro hino sobre poder negro e luta civil por direitos dessas minorias. A letra fala da formação da etnia negra nos EUA, menciona referências e estigmas culturais relacionados aos grupos negros com orgulho. "Formation", "formação", é uma referência à formação de tropas militares. "Beleza, garotas, vamos entrar em formação, eu destruo. Beleza, garotas, vamos entrar em formação. Você sabe que você é foda quando é você que gera toda essa polêmica. Seja sempre gentil, a melhor vingança são os papéis", diz a última estrofe, na qual ela se refere ao dinheiro que ganha e aos contratos que assina.

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