Da sarna ao feriado prolongado. As consequências da crise na Venezuela

A combinação de uma estiagem histórica com a queda no preço do petróleo provoca problemas de saúde pública e leva governo a adotar medidas extremas para economizar luz e água

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na quarta-feira (6) que os funcionários públicos do país terão finais de semana prolongados, de três dias, nos meses de abril e maio.

No modelo proposto, as sextas-feiras serão de folga. A ideia é economizar energia elétrica. O reservatório da Central Hidrelétrica de Guri, responsável por 63% de toda a energia elétrica consumida na Venezuela, está em 243 metros. Se descer mais três metros, atinge seu “nível extremo” e as turbinas param de operar, provocando um apagão geral no país.

Além do serviço público, shoppings também estão racionando - só recebem energia elétrica do meio-dia às 19h. Há também corte de água. Mesmo em bairros nobres de Caracas, as torneiras só funcionam durante 1h30 por dia.

Em janeiro, Maduro decretou “estado de emergência econômica” por 60 dias. A economia venezuelana depende quase completamente do petróleo, responsável por 96% da receita nacional. O preço do barril caiu 60% em quatro anos. A inflação venezuelana é de 200%.

Sarna em Miranda

 

Na quarta-feira (6), o governo do Estado venezuelano de Miranda divulgou um relatório de saúde associando surtos de sarna, diarreia e malária às precárias condições de higiene provocadas pelo racionamento.

O Estado é governado por Henrique Capriles, um dos principais adversários políticos do presidente Nicolás Maduro. O governador diz que eram 878 casos de doenças de pele como a sarna. Esse número pulou para 1.392, num aumento de 58%.

A necessidade de armazenar água em casa também aumento o risco de proliferação do mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya.

Contexto político adverso

A oposição conquistou em dezembro a maioria dos assentos no Congresso. A primeira vitória em 16 anos enfraqueceu o poder do presidente Maduro, herdeiro político do ex-presidente Hugo Chávez, que governou a Venezuela ininterruptamente de 1999 a 2013.

Em março, os congressistas aprovaram uma lei de anistia, que pode tirar da prisão líderes políticos presos em protestos recentes. Para a oposição e para organizações internacionais de direitos humanos, o governo venezuelano mantém “presos políticos”.

O mais conhecido deles é Leopoldo Lopez, que cumpre pena de 14 anos por liderar marchas de rua em 2014 nas quais 43 pessoas morreram, incluindo policiais.

 

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