Ir direto ao conteúdo

Peru escolhe novo presidente. Quem são os candidatos e o que pode mudar

Pesquisas apontam guinada à direita com velhos rostos emergindo outra vez. Entre os concorrentes, poucas novidades, com dois ex-presidentes correndo atrás da herdeira de Alberto Fujimori, Keiko, que lidera isolada

     

    O Peru escolhe no domingo (10) um novo, ou uma nova, presidente. No cenário mais provável, o atual presidente, Ollanta Humala - que apelou para um discurso de esquerda, sobretudo no início do mandato, em 2011 - cederá lugar para algum candidato mais à direita, assim como aconteceu recentemente na Argentina.

    Se as pesquisas se confirmarem, Keiko Fujimori deve vencer. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que ficou conhecido por duas coisas: derrotar a guerrilha Sendero Luminoso, pondo fim à guerra civil que marcou o Peru nos anos 1980, e por acabar preso por corrupção e crimes de lesa-humanidade depois de ter tentado fugir para o Chile e o Japão.

    Só haverá segundo turno se nenhum dos candidatos conquistar 50% mais um dos votos. Nesse caso, os eleitores voltam às urnas novamente no dia 5 de junho para um desempate entre os dois primeiros colocados.

    Quem é o atual presidente

     

    Ollanta Humala governou o Peru por seis anos (2011-2017). A lei proíbe que ele dispute um novo mandato consecutivo. Seu índice de aprovação é de apenas 16%. Tradicionalmente, os presidentes peruanos são mal avaliados. O ex-presidente Alejandro Toledo, por exemplo chegou a governar com apenas 8% de aprovação (2001-2006), metade do que Humala tem hoje.

    Militar da reserva, o atual presidente chegou ao poder há cinco anos com um discurso errático, que mesclava apelo à esquerda bolivariana com posições críticas aos direitos humanos. Humala foi identificado por moradores do interior do Peru como “capitão Carlos”, responsável por execuções e desaparições forçadas nos anos 1990, mas o caso acabou fechado por falta de provas.

    Na reta final do mandato, amargou, além da baixa popularidade, acusações de corrupção envolvendo sua mulher, a primeira-dama Nadine Heredia, acusada de favorecer empresas privadas em contratos públicos, num caso que foi apelidado localmente de “Lava Jato peruano”, dada a suspeita de que a empreiteira brasileira Odebrecht tenha pagado US$ 3 milhões a Humala - algo que a Presidência peruana rechaça com veemência.

    Quem são os candidatos agora

    A atual corrida à Presidência foi marcada por denúncias de corrupção, que derrubaram pelo menos dois candidatos pelo caminho e mantiveram na disputa rostos conhecidos, ou desgastados. Os dois líderes da disputa concorrem pela segunda vez. O quinto colocado já presidiu o país em dois mandatos anteriores, e o sexto, já foi presidente uma vez.

    Candidaturas repetidas

    Keiko Fujimori

    A filha do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, preso por corrupção e violações dos direitos humanos, lidera a corrida, com 34% das intenções de voto. Seu desafio é aliar seu próprio passado familiar ao discurso de combate à corrupção, além de casar as promessas de combater a violência sem se colar na imagem do pai, condenado por crimes de lesa-humanidade. Em 2011, Keiko concorreu e foi derrotada por margem estreita (3%) pelo atual presidente, Ollanta Humala. Agora, tenta a sorte pela segunda vez.

    Pedro Pablo Kuczynski

    Foi ministro da Economia em 2001 e 2002, durante o governo de Alejandro Toledo, e ministro de Minas e Energia nos anos 1980, quando Fernando Belaúnde Terry presidiu o Peru. “El gringo”, como é chamado, pela cor clara da pele num país de indígenas e mestiços, aparece em segundo lugar, com 16% das intenções de voto. Em 2011, concorreu à Presidência e acabou em terceiro, atrás de Keiko e de Humala.

    Verónika Mendoza

    A candidata da esquerda foi a que mais cresceu na reta final, ganhando chances reais de ir ao segundo turno. Hoje, ela aparece com 15% das intenções de voto. Psicóloga de formação, mestre em Ciências Sociais e em Educação, Verónika tem nacionalidade peruana e francesa, ganhou assento no Congresso em 2011 e ficou conhecida pela defesa dos povos indígenas.

    Alfredo Barnechea

    Membro de uma tradicional família agrária peruana, Barnechea se formou em letras e fez pós-graduação em administração em Harvard, nos EUA. Tem apenas 8% das intenções de voto, mas garante que as pesquisas estão erradas. Trabalhou em organismos internacionais como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a CAN (Comunidade Andina de Nações). Também assinou colunas em revistas e apresentou programas de televisão. Foi deputado, mas renunciou ao mandato, em 1987. Antes disso, concorreu à prefeitura de Lima, mas foi derrotado, em 1983.

    Alan García

    Foi presidente peruano em dois mandatos (1985-1990 e 2006-2001). Hoje, na terceira tentativa de levar a Presidência, não passa de 8% das intenções de voto. Encarna em sua campanha a dificuldade de renovação da política local. Analistas locais asseguram que García não tem chances reais.

    Alejandro Toledo

    Outro ex-presidente peruano que tenta voltar ao poder. Governou de 2001 a 2006 e deixou o governo com 8% de aprovação. É, assim como Garcia, um candidato considerado desde já fora da disputa.

    Quem ficou pelo caminho

    Três políticos foram sacados da disputa - Julio Guzmán, por irregularidades na formação da chapa, Cesar Acuña, ex-prefeito da cidade de Trujillo, por compra de votos, e o governista Daniel Urresti, que estacionou nos 3% de intenção de voto e teve a candidatura retirada pelo partido.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa Equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project. Saiba mais.

    Mais recentes

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!