Como dormir pouco afeta a sua saúde

Estudo britânico defende que garantir uma boa noite de descanso deveria se tornar política pública

    A humanidade “deseja mais, trabalha mais e espera mais. E no processo, abandona o sono”. É assim que os pesquisadores Katharina Wulff e Russel Foster definem a forma como o sono tem sido escanteado da vida contemporânea no artigo “O ritmo do sono e excesso”, publicado em 2005 na revista “Nature”.

     

    O estudo “Acordando para os benefícios do sono para a saúde”, feito por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, vai na mesma direção - e diz que a preocupação com dormir bem precisa se tornar política pública. Os britânicos estão dormindo 6,8 horas por dia. É uma hora a menos do que as 7,7 que médicos julgam necessárias.

    Como a privação do sono afeta o corpo

    Depois de um curto período de sono reduzido, o corpo humano fica mais vulnerável a infecções e responde pior a vacinas, destaca o estudo britânico. A capacidade de atenção piora, o que aumenta o risco de acidentes. Principalmente para crianças e adultos mais velhos, longos períodos sem sono pioram a capacidade de aprender. Menos sono também está relacionado a pressão alta, doenças no coração, derrames e mortalidade no geral.

    Os pesquisadores da Universidade de Oxford também destacam que há evidências de que falta de sono é um fator importante de risco para o câncer. Isso foi identificado a partir da observação de trabalhadores com constantes mudanças de turno ou fuso-horários. “Aeromoças voando por cinco anos ou mais têm o dobro do risco de sofrer com câncer de mama comparado com aquelas que voam por períodos mais curtos”, dizem os pesquisadores.

    “Dormir o suficiente é um componente essencial de um estilo de vida saudável e balanceado, similar a estar fisicamente ativo, ter uma dieta saudável e consumir álcool dentro das diretrizes recomendadas - apesar de o sono com frequência não receber a atenção que merece.”

    “Acordando para os benefícios do sono para a saúde”

    publicação da Universidade de Oxford

    Fome e sede são necessidades biológicas essenciais, mas os seres humanos conseguem fazer escolhas sobre como e quando comer ou beber. Já o sono é uma necessidade mais involuntária, como respirar. Embora alguns estudos tenham conseguido manter pessoas acordadas por 40 horas ou mais, é impossível segurar o sono de alguém indefinidamente.

    Apesar disso, o tempo de sono é o primeiro a ser sacrificado para que se dê conta de tarefas como trabalho e estudos. Por isso, a pesquisa recomenda a criação de uma “estratégia nacional para o sono” entre as prioridades do Ministério da Saúde.

    Número de horas de sono recomendadas por idade

    Entre as medidas recomendadas pelo estudo está a instituição de um número de horas recomendadas de sono por noite (“slumber number”, em inglês):

    • 1 a 2 anos: 11 h a 14 h
    • 3 a 5 anos: 10 h a 13 h
    • 6 a 13 anos: 9 h a 11 h
    • 14 a 17 anos: 8 h a 10 h
    • 18 a 25 anos: 7 h 9 h
    • 26 a 64 anos: 7 h a 9 h
    • 65 anos ou mais: 7 h 8 h

    Em crianças e adolescentes em idade escolar, o sono tem uma importância fundamental no aprendizado. A falta dele limita a habilidade de aprender, ouvir, se concentrar e resolver problemas. Atrapalha a memória, faz aumentar a impaciência e pode levar a comportamentos agressivos. Por isso, alguns médicos defendem que as escolas deveriam começar mais tarde, por exemplo, para garantir que jovens completem seus ciclos de sono.

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