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Como um carro ecologicamente correto se tornou tão cobiçado

Ele não chegará ao mercado antes de 2018, mas já há uma legião de compradores e interessados

 

A Tesla Motors anunciou oficialmente o Tesla 3, seu novo carro elétrico, no dia 1º de abril de 2016. Exatamente 72 horas depois, 276 mil pessoas de todo o mundo já haviam efetuado o depósito para garantir a compra do veículo.

Foi um sucesso sem precedentes na indústria automotiva, e mostra que a estratégia da empresa em combinar ferramentas de divulgação e vendas típicas do Vale do Silício, somadas ao apelo ecologicamente correto, estão dando certo.

O Tesla 3 custará a partir de US$ 35 mil - mesma faixa de preço de outros carros híbridos nos EUA, mas muito mais caro do que os carros convencionais - e só chegará aos consumidores no final de 2017, nas previsões mais otimistas. Mesmo assim, motivou uma procura que surpreendeu a própria empresa.

Segundo Elon Musk, CEO da Tesla, a empresa faturou US$ 10 bilhões nesta pré-venda (só nas primeiras 24 horas, foram US$ 7,5 bilhões). Ele mesmo se mostrou surpreso com o sucesso:

 

“Definitivamente vamos ter de repensar o nosso planejamento de produção”, tuitou, logo após anunciar os números do primeiro dia

Na prática, todos os veículos vendidos ainda terão de ser fabricados. O que Musk apresentou foi um protótipo. A empresa adotou com o modelo a mesma estratégia de seus antecessores: fez um enorme barulho com a divulgação, abriu a fase de reservas e começou a receber as encomendas. As vendas são feitas diretamente com a empresa, sem intermediários.

Além de garantir de cara US$ 276 milhões em caixa, a estratégia é uma excelente ferramenta de marketing - a Tesla cria uma súbita onda de interesse, evangeliza o consumidor e cria uma comunidade de seguidores.

Quem comprou, porém, também vai precisar de muita paciência. O sucesso do lançamento implica um enorme desafio prático para a empresa. A Tesla planeja produzir 500 mil unidades por ano. Mas, em toda a sua existência, só produziu 100 mil veículos.

A expectativa de Musk é que o Tesla 3 comece a ser entregue em dezembro de 2017. Mas essa é uma perspectiva otimista: o Model X, lançamento anterior da empresa, chegou ao mercado com dois anos de atraso. Há quem diga, até, que o Model 3 só chegará aos compradores em 2020.

Tesla 3 também pode ser encomendado no Brasil

Foi também através do Twitter que a Tesla anunciou novos mercados para seu Model 3: Brasil, África do Sul, Coreia do Sul, Cingapura e Irlanda. A reserva do veículo deve ser feita no site da empresa - é preciso desembolsar US$ 1 mil (cerca de R$ 3.600) por ela.

Nos países em que não há lojas da Tesla, como o Brasil, haverá um esquema diferente de entregas, que ainda não está claro. A prioridade da empresa será a América do Norte (começando pela Costa Oeste) e, depois, Europa, Ásia e Oceania. Ou seja: com o atraso previsto nos países prioritários, o público brasileiro terá de ter uma dose a mais de paciência.

O que o novo carro da Tesla tem

O apelo ambiental (e econômico)

O primeiro apelo do veículo é claro: ele é ecologicamente correto. Há alguns veículos híbridos no mercado americano, como o Toyota Prius e o Chevrolet Volt, que funcionam tanto com gasolina quanto com energia elétrica. Todos custam na faixa de US$ 35 mil. O Model 3 está nesta mesma faixa (embora, com os opcionais, a média de preço dos modelos vendidos seja US$ 42 mil) - mas custa a metade do modelo anterior da empresa, o X, que não sai por menos de US$ 70 mil. Incentivos governamentais ajudam a fechar a conta. O governo dos EUA tem uma linha de crédito específica para a compra de veículos híbridos, o que facilita a aquisição. No Brasil também há incentivos: veículos movidos a eletricidade ou hidrogênio não pagam imposto de importação; além disso, vários Estados dão desconto ou isenção de IPVA para modelos elétricos.

A tecnologia

A Tesla foi fundada em 2003 com o objetivo de desenvolver uma forma mais sustentável de transporte. A empresa recebeu uma série de rodadas de financiamento e incentivos governamentais para investir no coração de seus veículos: os motores elétricos. O desafio era criar uma tecnologia que permitisse uma autonomia razoável da bateria, de uma forma que ocupasse pouco espaço e peso e não prejudicasse o desempenho dos veículos. Até agora, ela foi bem-sucedida. O Model 3 tem autonomia de 346 horas e, segundo a empresa, o veículo vai de 0 a 100 km/h em seis segundos. Dentro, o interior é de “nave espacial”, como definiu Musk: são cinco lugares e um console com uma enorme tela touchscreen. A empresa também é conhecida pela segurança. O Tesla S conseguiu nota máxima em todos os testes de colisões nos EUA, e mais: quebrou a máquina que realiza um dos testes.

O hype

Apesar de ser uma fabricante de automóveis, a Tesla tem uma série de particularidades que a colocam mais perto das gigantes da tecnologia do que da indústria automotiva tradicional. Sua sede fica em Palo Alto, na Califórnia, no meio do Vale do Silício. Em 2014, a Tesla abriu suas patentes para permitir que qualquer um ajudasse no desenvolvimento de novas tecnologias, prática muito bem vista no mercado de tecnologia.

O CEO

Aos 44 anos, o bilionário Elon Musk consegue estar no topo de três indústrias ao mesmo tempo: a automotiva e a de energia solar, com a Tesla, e a da corrida espacial comercial, com a Space X, empresa da qual é presidente-executivo e diretor de tecnologia. Já foi considerado o homem de negócios do ano pela revista Businessweek em 2013, uma das 100 pessoas que mudaram o mundo em 2010 pela revista Time e uma das 75 pessoas mais importantes do século pela revista Esquire. Já fez pontas em filmes como “Obrigado por fumar” (2005) e “Homem de ferro 2” (2010); também já apareceu em “Os Simpsons” e “Big Bang Theory”. Carismático, Musk sabe usar as redes sociais a seu favor. O CEO da empresa faz questão de manter conversas e dar notícias em seus próprios perfis, personificando seus projetos. Tanto é que, no Model 3, seu Twitter tem sido a principal fonte de notícias.

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