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7 dados que mostram como está a educação brasileira hoje

Censo da Educação 2015 mostra que índices melhoraram ao longo dos últimos anos. Mas os desafios ainda são estruturais

     

    O Ministério da Educação apresentou os dados do Censo da Educação 2015, levantamento com indicadores referentes a todos os níveis de ensino no Brasil. Os números mostram que, embora o Brasil seja um dos países que mais investe em educação no mundo, ainda há desafios fundamentais e estruturais para melhorar os índices.

    Os números divulgados pelo ministério se relacionam com outros índices, divulgados em outras ocasiões, que ajudam a explicar o nível educacional do Brasil hoje. De maneira geral, o país tem avançado no cumprimento das metas e em números absolutos, mas ainda é desigual e tem pontos básicos para avançar, como a universalização do ensino e a erradicação do analfabetismo.

    Estes dados dão a dimensão da situação no Brasil hoje

    Ainda há muita gente longe da sala de aula

    O Censo da Educação mostrou que há 3 milhões de crianças entre 4 e 17 anos sem acesso à escola. O número contraria o Plano Nacional de Educação, que prevê que todas as crianças até 17 anos devem estar matriculadas. A fase mais crítica é na faixa de quatro anos (690 mil crianças estão fora da escola) e 17 anos (932 mil adolescentes sem estudar). Como resposta aos números, o ministro da Educação Aloizio Mercadante anunciou que intensificará um plano de combate à evasão escolar.

    Professores não têm formação adequada

    De mais de 518 mil professores na rede pública no país, 200 mil dão aulas em uma área diferente da que se formaram. Na disciplina de física, por exemplo, mais de 68% dos professores são formados em outras áreas. Geografia, história e ciências também têm uma alta porcentagem de formação inadequada. Além disso, 52% dos professores sequer completaram o ensino superior. Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, isso acontece por causa dos baixos salários e da falta de atratividade - e se reflete na falta de interesse dos alunos. “É impossível que um professor consiga encantar os alunos ministrando uma disciplina que ele mesmo não fez”, disse, na coletiva de imprensa em que apresentou os números e anunciou um programa de formação para os professores de escola pública.

    Aprender a ler e escrever ainda é um desafio

    Os dados do censo mostram que há diferenças na taxa de aprovação por série. No 1º e 2º anos, por exemplo (onde os alunos têm, em média, 6 e 7 anos e estão sendo alfabetizados) a taxa de aprovação é de 97,5% e 96,5%. No 3º ano, fase final da alfabetização, ela cai para 87,8%.

    Hoje, 77,8% das crianças chegam ao 3º ano com aprendizagem adequada em leitura. Em relação à matemática, o número cai: menos da metade dos alunos (42,9%) têm aprendizado suficiente na disciplina.

    Compreensão de textos simples ainda é dificuldade

    Embora estejam melhorando nos últimos anos, as taxas de analfabetismo no país ainda são altas - mais altas do que recomenda a Organização das Nações Unidas. 13,2 milhões de brasileiros não sabem ler e escrever - o número equivale a 8,3% da população brasileira, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2014.

    Além disso, estima-se que 27% da população brasileira não consegue compreender textos simples, segundo dados de 2012 do Instituto Paulo Montenegro. O índice mostra que uma parcela considerável da população que chegou ao ensino médio ou mesmo à universidade avançou nos estudos sem conseguir avançar na compreensão de textos ou em matemática. Em 2012, 8% dos alunos do ensino médio e 4% dos universitários eram analfabetos funcionais. A meta do Plano Nacional de Educação é erradicar o analfabetismo e reduzir pela metade o analfabetismo funcional até 2024.

    A desigualdade do país se reflete na educação

    O índice de analfabetismo varia muito de região para região do Brasil. O Nordeste concentra os piores índices: segundo a Pnad, 16,9% da população local era analfabeta em 2014. Na região Sul, o número era de 4,4%. Também há diferença em relação à cor da pele. Em 2012, 80% dos brancos eram funcionalmente alfabetizados. Entre os negros, o número caía para 64%.

    O Brasil tem aumentado seus gastos com educação, mas precisa de eficiência

    O país dedica 5,6% do Produto Interno Bruto à educação - são 19% dos recursos públicos destinados ao ensino. A fatia é superior à média dos países avaliados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No entanto, por aluno, o país gasta anualmente US$ 2,9 mil - média muito inferior a US$ 8,9 mil dos países avaliados pela entidade. O número de matrículas cresce, mas o país tem altas taxas de evasão, reprovação, distorção idade-série e baixo desempenho. Para a OCDE, o país deveria aumentar a eficiência dos gastos. Isso poderia ser feito com uma reorientação no orçamento, investindo em educação básica para reduzir a necessidade de gastos corretivos nos anos posteriores.

    Dados se refletem no baixo desempenho

    O Brasil foi o país que mais subiu sua média de pontuação no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) da OCDE. No entanto, o desempenho do país ainda é baixo. Em um ranking de 65 países, o Brasil está na 58ª posição. Ao se analisar disciplinas específicas, nossa situação muda ligeiramente - e piora. As melhores notas dos alunos brasileiros é relacionada à leitura: estamos no 55º lugar. Em matemática, no entanto, caímos para a 59ª posição.

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