O que Lula disse do Congresso, do Judiciário e do Ministério Público

Telefonemas do ex-presidente interceptados pela Lava Jato incluem opiniões sobre os presidentes da Câmara e do Senado, as duas Cortes mais importantes do país e o procurador-geral da República

    As conversas ao telefone do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva grampeadas pela Operação Lava Jato com autorização do juiz Sérgio Moro incluem diálogos que escancaram uma revolta contra a Operação Lava Jato, além de declarações contra o Congresso, o Judiciário e a Procuradoria-Geral da República. Os diálogos podem complicar a relação de Lula com essas instituições, num momento em vai ocupar o Ministério da Casa Civil do governo Dilma Rousseff.

    Eis as principais frases:

    “Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, não sei quantos parlamentares ameaçados. E fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre, e vai todo mundo se salvar. Eu, sinceramente, estou assustado com a 'república de Curitiba'. Porque a partir de um juiz da primeira instância, tudo pode acontecer nesse país”

    “Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada. Nós temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado. Um parlamento totalmente acovardado”

    “Esse cara [Rodrigo Janot] se fosse formal não seria procurador-geral da República, teria tomado no cu, teria ficado em terceiro lugar [na consulta interna feita com procuradores para a escolha do procurador-geral] (…) Quando eles precisam não tem formalidade, quando a gente precisa é cheio de formalidade (...) Essa é a gratidão. Essa é a gratidão dele por ele ser procurador”

    Luiz Inácio Lula da Silva

    Ex-presidente do Brasil, em conversas telefônicas interceptadas pela Justiça

    E as referências:

    Congresso


    Eduardo Cunha, presidente da Câmara

    É réu no Supremo Tribunal Federal por suposta corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de se beneficiar de propinas desviadas de contratos da Petrobras. Cunha também é alvo de um pedido de afastamento do cargo, apresentado pela Procuradoria-Geral da República e ainda não julgado. Ele comanda a tramitação do processo de impeachment contra Dilma na Câmara.

    Renan Calheiros, presidente do Senado

    É réu no Supremo Tribunal Federal por suposta prática de peculato, uso de documento falso e falsidade ideológica, ligado ao uso de notas fiscais que seriam falsas para justificar o pagamento de pensão a uma filha. Renan também é investigado em sete inquéritos ligados à Operação Lava Jato. É considerado o maior ponto de apoio do governo no PMDB do Congresso.

    Outros 21 deputados e 11 senadores

    Investigados pela Procuradoria-Geral da República por suspeitas ligadas ao desvio de recursos da Petrobras. O número foi compilado pelo jornalista Elio Gaspari.

    Judiciário

    STF e STJ

    Lula diz que as duas cortes estariam "acovardadas". O ministro Teori Zavascki, do Supremo, relator dos processos da operação, é considerado rigoroso e a Corte abriu em 3 de março a ação penal contra Eduardo Cunha. O Superior Tribunal de Justiça manteve, em dezembro, a prisão preventiva dos empreiteiros Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo.

    Sérgio Moro

    Lotado na Justiça Federal em Curitiba, julga os casos ligados à Operação Lava Jato em primeira instância. É a principal figura da "república de Curitiba" citada por Lula — é na capital paranaense que tramita a investigação. Moro autorizou a condução coercitiva de Lula, a interceptação telefônica de suas conversas e a liberação do sigilo, que deflagram os protestos desta quarta-feira (16) pela renúncia de Dilma.

    Ministério Público

    Rodrigo Janot

    Foi nomeado procurador-geral da República em 2013 pela presidente Dilma Rousseff. Dois anos depois, foi reconduzido para mais um mandato como chefe do Ministério Público, que expira em 2017. Ao ouvir do advogado Sigmaringa Seixas que Janot não aceitaria marcar uma conversa informal para discutir a Lava Jato, Lula demonstra contrariedade e reclama da falta "gratidão" da parte de Janot.

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