Como sobreviver nas redes sociais em tempos de convulsão política

Um guia prático para lidar com a movimentação no Twitter e no Facebook

     

    Depois dos acontecimentos políticos desta quarta-feira (17), é natural que o comportamento das pessoas na internet repita o estado de polarização visto nas ruas. Redes sociais são, por essência, um lugar de debates. E por mais que algoritmos e filtros classifiquem o conteúdo de maneira a quase sempre agradar o usuário, é difícil passar incólume a postagens que podem ser consideradas ofensivas.

    Quase todas as redes sociais, no entanto, têm mecanismos que possibilitam aos usuários controlar exatamente o que veem em seus feeds. E com uma ajuda externa de plugins, por exemplo, é possível transformar sua vida em redes sociais em um antro de paz - ou em um ringue para debates acalorados. Só depende do que você quiser.

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    Não quero saber de política agora

    É compreensível que, em tempo de polarização e acirramento dos ânimos, algumas pessoas busquem mecanismos para limpar os feeds. Antes de prosseguir, porém, saiba que o Facebook já tem mecanismos que organizam os posts que você vê com base nos seus próprios likes: então, se você costuma curtir poucas coisas relacionadas à política, a tendência é que o assunto acabe sumindo da sua linha do tempo. Se isso não aconteceu, e você está realmente disposto a ficar por fora, faça o seguinte:

    • Use os próprios mecanismos do Facebook. Quando você opta por esconder o post, a rede social entende que aquele conteúdo não é do seu interesse e passa a esconder também publicações relacionadas. O mesmo acontece quando alguém é bloqueado.
    • Priorize o conteúdo de temas específicos. No próprio Facebook, você pode organizar a exibição do conteúdo: marque as páginas de assuntos não-relacionados à política para que elas exibam o conteúdo primeiro. Assim, você provavelmente vai acordar e se deparar com uma boa notícia, uma receita ou um vídeo de gatinho.
    • Apele para ajuda externa. Alguns plugins como o Social Fixer permitem que algumas palavras-chave sejam escondidas enquanto você navega pela web. Além disso, é possível organizar o conteúdo em abas com assuntos de interesse - trabalho, esportes, relacionamentos, política etc. Há aplicativos semelhantes para Twitter, como o Open Tweet Filter, que filtram palavras-chave previamente selecionadas pelo usuário.

    Quero saber o que está acontecendo, mas não me envolver em discussões

    Pela própria natureza do Facebook, seu feed provavelmente tem mais posts com opiniões políticas semelhantes à sua do que de oposição. Isso, por si só, já ajuda a impedir embates diretos. É o que especialistas chamam de ‘filtro-bolha’: os usuários ficam presos em conteúdos que dialogam com suas próprias preferências, e ficam alheios ao que posta quem pensa diferente deles. Especialistas dizem que isso é potencialmente danoso numa democracia; o Facebook se defende e diz que a escolha pessoal dos usuários pesa mais do que seus algoritmos. Se você quer se manter alheio à oposição, faça o seguinte:

    • Bloqueie, esconda e evite interagir com a oposição. Isso treinará os algoritmos do Facebook a exibirem só o que dialoga com seus próprios posicionamentos. Ele priorizará os conteúdos que os os amigos parecidos com você gostaram.
    • Marque páginas e amigos de interesse. Páginas de jornal ou perfis que funcionam como distribuidores de notícia podem ser marcados para que o conteúdo seja exibido sempre - assim, você não corre o risco de perder algo que foi postado porque o algoritmo entendeu que aquilo não lhe agradaria.
     

    Quero ver tudo, discutir e tentar converter quem está do outro lado

    O comportamento das pessoas nas redes sociais, ao contrário do que parece, não é o de incendiar as discussões e provocar o outro lado; mas, sim, de falar com quem pensa parecido. Um estudo do instituto de pesquisa Pew publicado em 2014 mostra que, em geral, as pessoas não postam em seus perfis no Twitter e no Facebook se acham que a opinião vai contra o que seus seguidores ou amigos pensam. Pelo contrário: na busca por retweets, interações e likes, a tendência é que a decisão por publicar uma opinião seja tomada com base no potencial de sucesso que aquele post pode ter.

    Então, pelo próprio comportamento das pessoas - além dos filtros e algoritmos - a tendência é que você esteja cercado de opiniões concordantes. Isso, é claro, não é impedimento para se esforçar para burlar os mecanismos e cair em espaços de debate mais democráticos. Veja como:

    • Curta páginas e siga pessoas com opiniões divergentes da sua. Parece óbvio, mas isso, por si, não é suficiente: é preciso manter interação com esses espaços, com likes esporádicos, para lembrar o algoritmo que aquele conteúdo é relevante para você.
    • Leia os comentários. Espaço de comentários em posts de jornais são, por natureza, um local de debates entre pessoas de opiniões divergentes. É por isso, também, que eles são vistos como locais hostis - e estão sujeitos à regras de cada publicação, como veto a discurso de ódio e posts em letras maiúsculas. As pessoas se chocam com esses espaços porque, neles, são expostas opiniões divergentes sem os filtros a que estão acostumadas nas redes.
    • Não alimente os trolls. Muitas pessoas estão na internet apenas para causar confusão. Tenha isso em mente ao se envolver em discussões.

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